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Comunicação setorial em tempos de pandemia

Comunicação setorial em tempos de pandemia

 

O que fazer (e não fazer) com a comunicação da sua empresa ou organização durante uma crise sanitária global com consequências sociais e econômicas

 

A reação diante de uma crise sanitária de proporções internacionais como a pandemia de Coronavírus tende a variar bastante em uma escala subjetiva que vai da cautela ao desespero e à esperança, em etapas que se desenham e se alternam conforme a curva estatística de casos diagnosticados e as consequências na rotina, nos afetos, na saúde e no bolso.

 

A pandemia domina o noticiário, que dá (com razão) destaque aos afetados pelo vírus, às medidas de prevenção, aos profissionais de saúde, às reações de líderes, aos impactos socioeconômicos e à busca por um tratamento eficaz. Além disso, aquela festa no escritório que você planejou com os colegas teve que ficar para depois. O aniversário do pai teve que ser comemorado à distância. Filhos interrompem sua fala no meio de uma reunião remota. Bares e cinemas estão fechados ou com expediente reduzido. Aquela amiga de faculdade acha que foi contaminada. Seu primo, motorista de aplicativo, busca alternativas para pagar as contas durante a quarentena.

 

É importante lembrar que momentos assim exigem empatia, responsabilidade e ação, tanto por parte de indivíduos quanto de organizações, instituições, corporações e governos. A prioridade pela garantia da vida se impõe, bem como a necessidade de planejamento, monitoramento, transparência e adaptação em diversas frentes. Uma análise objetiva e lúcida do cenário presente deve se aliar ao esforço coletivo pela construção de um futuro sustentável, sem deixar ninguém para trás. Na comunicação setorial, não é diferente.

 

Pensando em estratégias de comunicação interna, externa e setorial, explico a seguir algumas ações positivas e algumas atitudes a serem evitadas na hora de circular informações entre colegas, agentes setoriais, audiência e clientes neste período de pandemia.

 

“Vocês estão abertos?”

 

As mudanças no fluxo de informações provocadas por medidas necessárias de mitigação da pandemia exigem dedicação ao aprimoramento de ferramentas internas e externas de comunicação. Durante a fase de isolamento social total ou parcial, o cliente precisa saber se a empresa continua, de alguma forma, entregando produtos e serviços sem comprometer a saúde pública. O funcionário precisa entender como será o fluxo de trabalho neste período. A chefe precisa estar a par das atividades da empresa. O setor precisa descobrir soluções de engajamento a curto prazo. E por aí vai.

 

Amplificar a acessibilidade, reforçar a transparência e dinamizar os meios disponíveis para a comunicação é a melhor estratégia neste cenário. Newsletter interna e externa, reuniões remotas periódicas, postagens frequentes em redes sociais, eventos online, comunidades virtuais para troca de conteúdo, vídeos informativos e publicitários, webinars de capacitação, ferramentas digitais para uso público, adaptação do site institucional com informações contextualizadas, e engajamento via aplicativos de mensagem direta são algumas ações importantes tanto para manter seus serviços, produtos e marca em evidência, quanto para manter colegas e agentes setoriais motivados.

 

Matenha o diálogo com a audiência e deixe claro quais são as prioridades do momento, quais serviços e produtos estão disponíveis (ou estarão em breve), e quais ações serão implementadas em curto e médio prazo. Lembre-se que clientes e colegas quarentenados estão mais distantes fisicamente um do outro e, portanto, ávidos por estímulo, interação e conteúdo online.

 

Além disso, verifique se as adaptações ao modelo de negócio planejadas pela sua empresa ou instituição estão em conformidade com as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para o período de pandemia, garantindo a saúde e a integridade de todos os envolvidos. O senso de responsabilidade nas relações de consumo e trabalho é essencial em qualquer contexto, inclusive neste.

 

O que a empresa, a organização e o setor estão fazendo para ajudar?

 

O telejornal de maior audiência do Brasil criou um quadro diário em que expõe ações voluntárias e doações feitas por empresas e instituições durante a pandemia de Coronavírus. Esse é um exemplo evidente de como a participação do seu negócio em ações de benefício coletivo, assim como a divulgação de iniciativas voltadas para a conscientização, a prevenção e o auxílio aos mais vulneráveis, servem para construir um posicionamento de marca positivo e proativo neste período de incertezas, além de contribuir diretamente para o bem estar social.

 

Mesmo que sua empresa ou organização não tenha condições de oferecer doações, a adaptação da rotina interna também ajuda a posicionar o seu negócio como parte da solução. Em outras palavras: não é hora de organizar um evento presencial com 300 pessoas em local fechado, muito menos de fingir que nada mudou.

 

Atenção à conjuntura

 

É comum que, em momentos de crise, gestores reajam a desafios pela ótica da oportunidade, na tentativa de enquadrar um cenário vigente de incertezas em uma visão positiva de futuro. Certamente, é essencial passar segurança e otimismo nas ações de comunicação da sua empresa ou entidade diante da enchente de notícias preocupantes e de reconfigurações temporárias da dinâmica social. No entanto, o contexto atual exige atenção redobrada em relação à mensagem que se pretende passar ao público interno e externo.

 

Cenários disruptivos e inéditos devem gerar reflexões importantes, aperfeiçoamentos e inovações. Porém, cuidado para não passar em seus materiais de comunicação uma imagem de indiferença ou descolamento em relação à gravidade da pandemia e aos riscos de saúde corridos pelos mais vulneráveis. O momento agora é de solidariedade e entrega de soluções. Foque na oferta de novos serviços, nas adaptações feitas para garantir o compliance da sua empresa em relação às orientações da comunidade médica, e no diálogo com clientes e colegas para a superação de problemas durante o percurso.

 

Chegar até a audiência com soluções, orientações e uma mensagem consciente, utilizando meios múltiplos de comunicação encadeados com timing e direcionamento específicos, é o melhor caminho.

 

Biogás Brasil

Comunidade Sebrae
Raphael C.F. Makarenko
Raphael C.F. Makarenko Seguir

Consultor da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (UNIDO) e responsável pela comunicação do projeto GEF Biogás Brasil. Bacharel em Comunicação pela UFRJ e mestre em Estudos de Jornalismo pela Universidade de Ljubljana.

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