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A prioridade nem sempre é vender

A prioridade nem sempre é vender

 

Como assim? Parece loucura dizer isso?

Tenho certeza de que algumas pessoas até desistirão de continuar a leitura, o que é compreensível, mas também é o que torna isso mais uma evidência de que momentos inesperados como esse (Covid-19), nos impedem de pensarmos de forma racional.

E a proposta aqui é exatamente essa, olharmos de cima, com otimismo e juntos.

Nos últimos dias, tenho atendido diversos empresários com dúvidas e dificuldades relativamente parecidas: legislação trabalhista, leis tributárias e linhas de credito. O que é natural, pois sabemos da realidade do empreendedorismo brasileiro, e o cenário se torna ainda mais complexo quando vemos que nossa geração não passou por algo nem próximo disso. Então o que seria Certo ou Errado fazer neste momento? Se não temos histórico, se é algo que atinge o mundo inteiro? Seria incoerente afirmar algo!

Em todas as situações é possível identificar um lado positivo, algo para se aprender, corrigir ou aprimorar.

E como SEBRAE, Serviço de Apoio a Micro e Pequenas Empresas, é impossível não reforçar nossas orientações de sempre, a relevância de se planejar, gerir, administrar riscos além de outros tantos pontos fundamentais para uma gestão sustentável e de sucesso.

Mas esse não é o assunto principal desse post.

Neste momento onde temos recebido uma enxurrada de informações, comecei a observar a movimentação e as iniciativas das micro e pequenas empresas. Algumas se especializaram em lives, já outras migraram para o e-commerce, lançaram grandes promoções, incluíram serviços como o Delivery... e já outras, não obtive mais notícias, o que desperta minha curiosidade.

Um ponto positivo a citar, são os segmentos que não estão sofrendo grande impacto econômico, por exemplo os mini e grandes supermercados, área da saúde, APP's como Zoom, WhatsApp, Skype, Instagram, serviços de Delivery e etc., sendo que alguns estão inclusive lucrando mais neste período. Mas não se enganem, esses também possuem inseguranças e dúvidas, mas esse assunto nos cabe tratar em outro momento.

Mas e nós empresários que representamos a grande maioria? Se  prioridade não é vender é hora do que???

Bom, de uma coisa eu tenho certeza, essa fase mais cedo ou mais tarde irá passar, e todos irão lembrar desse momento de alguma forma. A pergunta é: Como você gostaria que sua empresa e/ou sua marca fosse lembrada?

Viemos de um histórico de pelo menos 10 anos de grandes e rápidos movimentos em prol das mudanças de comportamento do consumidor, da necessidade e de habilidade para surpreender, entregar mais do que o esperado, ter praticidade e agilidade; tudo isso associado ao desafio da famosa transformação digital, que tudo indica ser a “bola da vez” durante e principalmente posterior a esta fase.

E aí chegou a hora de falar do que acredito ser indispensável tratar neste momento: Branding. Falamos tanto sobre o Propósito das nossas empresas, produtos, marca. Muitos pensados e construídos com muita competência, lindos e expostos em quadros pendurados nas paredes. Será esta a oportunidade que precisávamos para exercitar e praticar?

As empresas consolidadas, foram criadas ou trilharam seus caminhos de forma muito cuidadosa em relação a sua razão de existir. E investem incansavelmente na gestão e comunicação de suas marcas, justamente para evitar qualquer risco de seus clientes à esquecerem.

Isso é uma das grandes razões que as diferenciam e que faz com que seus consumidores as reconheçam e continuem comprando mais delas que de seus concorrentes.

Para facilitar, vou citar dois grandes exemplos:

- Airbnb: Mesmo tendo consolidado isso após 4 anos de sua criação, o que as norteia é a crença de que pode existir um mundo que pertence a todos, independentemente do lugar.

- Nike: Sua criação foi pensada para um mundo melhor através do esporte. Por isso, comunicam sua marca acreditando que qualquer pessoa pode ser um atleta. 

Mas não vamos pensar que isso cabe só as grandes empresas, pois todas começaram pequenas!  

E ai, quero citar o exemplo de uma micro empresa de Cascavel-PR, que vende doces, bolos e cupcakes. Neste período de pandemia, através dos canais digitais, a empresária se propôs a ensinar as pessoas que estão em casa e que precisam de uma renda extra, a  como fazer seus doces, compartilhando suas receitas. Gente, esse é o negócio dela!!! Muitos diriam: Que loucura contar seus segredos! Mas ela se propôs a fazer a diferença na vida de tantas pessoas que necessitam de uma ideia, para sua sobrevivência.

Será que isso tem preço? É assim que para sempre lembrarei dessa marca! Uma micro empresa que é excelente no que se propõe a fazer, (já era cliente), mas que além disso, também quer fazer a diferença para a sociedade. Isso pra mim é exemplo de valor, de disrupção, de se relacionar e comunicar sua marca com seus clientes deixando um verdadeiro legado! Em quanto isso irá ser converter?

Mas vamos lá, o que então Branding: “é o conjunto de ações alinhadas ao posicionamento, propósito e valores da marca. O objetivo do Branding é despertar sensações e criar conexões conscientes e inconscientes, que serão cruciais para que o cliente escolha a sua marca no momento de decisão de compra do produto ou serviço”.  (Resultados Digitais)

Marca é mais que um símbolo bonito e colorido. Ela pode ou deveria ser sinônimo de felicidade, de saúde, de bem estar, de auto estima. E ai serve uma reflexão: Em que ou com o que sua marca é relacionada? Ou como gostaria que sua marca fosse lembrada?

Se você ainda não tinha parado para pensar sobre a razão de existir da sua empresa e qual o legado que deixará para seus clientes, família e sociedade, esse é um momento oportuno para descobrir! Qual será o motivo que leva seus clientes a consumirem e escolherem seus produtos e serviços? E muito provável que tendo isso muito claro, você consiga assim ampliar seu valor junto a eles e outros clientes em potencial.

 

É neste momento que a venda vira consequência!!

 

Uma dica que não custa nada mas que é a melhor consultoria: pergunte a sua equipe e clientes o que os conectam com a sua marca. A partir daí, existem infinidades de ações, benefícios e estratégias que poderá criar para nortear suas próximas ações. Seja na forma de se comunicar, na publicidade, na escolha de seus fornecedores, de onde investir, na definição do seu público alvo, e ouso dizer que principalmente, na hora de selecionar e formar sua equipe de trabalho.

Desejo muita saúde, otimismo e reflexão para conduzir seus negócios.

E não esqueça, a venda é SIM importante para todo negócio, mas ainda mais em momentos como esse, o mais importante é ser lembrado e valorizado pelos clientes, pois no final o que fica, são as relações!

 

Sua marca é o coração da sua empresa, e nada melhor que emoção e sentimento para conectar pessoas.

 

Danieli Clemente Doneda 

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