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A Profissionalização da Apicultura e o Case do Sudoeste do Paraná

A Profissionalização da Apicultura e o Case do Sudoeste do Paraná

O Brasil encontra-se entre os grandes produtores e exportadores mundiais de mel, sendo este o principal produto da atividade apícola no país. Isso deve-se às condições ambientais, diversidade vegetal de seu território e variação climática, possibilitando a produção do mel durante todo o ano. No Paraná, em especial a região sudoeste do estado, a apicultura mostra-se promissora, tendo destaque a criação de abelhas do tipo africanizada e jataí.

 Este líquido aromático e doce é produzido a partir do néctar das flores (mel floral) ou secreções de insetos que se alimentam de partes vivas da planta (mel de melato) e tem por finalidade nutrir as abelhas em períodos de escassez. Para nós, o mel faz maravilhas! Caracteriza-se como um alimento com grande concentração de açúcares, principalmente glicose e frutose, bem como ácidos orgânicos, minerais, aminoácidos, fenóis e outros compostos. É consumido puro (podendo ser diluído em solução aquosa) ou associado a extratos vegetais (romã, copaíba, gengibre, dentre outras plantas medicinais) destinados a combater infecções. Além disso, são conhecidas as suas propriedades antioxidantes, inclusive seu uso como conservante natural dos alimentos: contra a oxidação lipídica de carnes e na inibição do escurecimento enzimático de frutas, vegetais e sucos. Possui também ação terapêutica antimicrobiana, anti-úlcera, antitumoral, anti-inflamatória e antiviral.

O Brasil é, atualmente, o sexto maior produtor de mel (ficando atrás somente da China, Estados Unidos, Argentina, México e Canadá). Para atingirmos um patamar de líder na produção mundial, o desafio é grande. É necessário organizar e profissionalizar a cadeia produtiva, o apicultor precisa conhecer em profundidade o negócio apícola. Hoje não existe mais espaço para amadorismo na atividade, e precisamos ser cada vez mais assertivos na parte gerencial e técnica para garantir a qualidade do produto, o aumento da produção e a exploração da atividade de forma adequada.

Na apicultura, pode-se produzir mel agregando-se muito valor. Na atividade são comercializados diversos produtos como geleia real, pólen, própolis, cera, apitoxina (veneno de abelha), além de estimular a agricultura em geral nos serviços de polinização.

A tendência do setor de alimentos hoje é realidade - a demanda por alimentos seguros e saudáveis aumentou nos últimos anos. As tecnologias disponíveis têm uma função importante para a cadeia produtiva do mel, pois permitem aumentar a produtividade, além de passar credibilidade aos consumidores. Algumas informações relevantes observadas pelo consumidor e que proporcionam grande impacto é a disponibilização de informações sobre a florada predominante, origem/procedência (apicultor), localização do apiário e período de produção, além da boa apresentação do produto, com uma boa embalagem - com certeza são diferenciais para o consumidor final.

Para se alcançar a profissionalização e adquirir inovação, o produtor precisa adotar práticas adequadas, como o “Tripé da Alta Produtividade", que exige conhecimento pleno do cotidiano das abelhas e se atentar às suas necessidades.

O Sebrae desenvolveu nos municípios de Capanema e Planalto, região lindeira ao Parque Nacional do Iguaçu - região com fauna e flora riquíssima, um projeto inspirado neste “Tripé”, que em sua concepção, consiste em realizar manutenção no ninho de forma adequada, manter o enxame alimentado de forma sequenciada durante todo ano e realizar periodicamente a troca de rainhas nos enxames. Ao realizar estes processos através de orientação técnica especializada, o apicultor surpreendeu as médias nacionais de produção, que registra aproximadamente 22 kg/colmeia e passaram a produzir até 100 kg/colmeia. 

A “Manutenção no Ninho”,  consiste na revisão anual dos quadros de família no ninho, ou seja, quando as operárias faxineiras realizam a higienização dos alvéolos para a rainha colocar os ovos de novas crias, ambas utilizam da própolis que é um antisséptico natural para fazer este processo de higienização em cada célula. Com o tempo, realizando este processo, esses alvéolos/células vão ficando mais estreitos, fazendo com que as abelhas nasçam menores, e em consequência disso, não conseguem ter produtividade na coleta de pólen e néctar para colmeia, diminuindo a produção e deixando estes indivíduos mais agressivos. Devido a isto, este processo de troca de 2 a 4 favos do ninho todos os anos se faz de extrema importância para que as abelhas ao nascer tenham tamanho natural para poder realizar seu trabalho e alcançar sua própria produtividade. Na linguagem popular, é deixar a casa sempre limpa e renovada. 

A “Alimentação Continuada” - A alimentação das abelhas é basicamente mel e pólen, sendo o mel o principal alimento delas, que tem como principal substância o açúcar que transforma em energia e o pólen como suplementos minerais, vitaminas e proteínas. A geleia real é um alimento especial da abelha rainha e das larvas da futura rainha.

O tempo necessário para que a colmeia atinja o seu ponto de produção, seguindo os critérios da natureza, é de aproximadamente 50 dias, coincidindo com o fim de várias floradas. Portanto, para não perder tempo e produção, é importante que o produtor dê às colmeias condições de crescerem antes das floradas nativas e não apenas durante elas. No período das floradas, o ideal é colher e estocar mel e não esperar pelo crescimento da colmeia. Ao comparar o crescimento natural de um enxame e o crescimento induzido, observa-se que enquanto o enxame do campo está crescendo (durante a florada), o induzido já está grande e produzindo mel.

A prática de Alimentação Continuada consiste em conhecer as necessidades fisiológicas das abelhas e a época ou meses do ano com e sem disponibilidade de floradas ou pasto apícola para abelhas se alimentar. No processo de manutenção e renovação das abelhas nas colmeias, as abelhas coletam o néctar das flores para sua alimentação diária e para a renovação das abelhas, pois as operárias vivem apenas 43 dias e sem este componente não tem novas abelhas na colmeia.

Sabe-se que um enxame de abelhas tem em média 80.000 (oitenta mil) operárias, 400 (quatrocentos) zangões e 1 (uma) rainha e para alcançar esta população de operárias precisa ter 60 dias de florada plena, oferecendo néctar e pólen para estruturação do enxame e assim produzir mel em excedente para o apicultor se beneficiar da atividade. 

Contudo, em determinadas épocas ou meses do ano, devido a condições climáticas ou estações do ano com temperaturas muito baixas não ocorre a disponibilidade destes componentes tão essenciais para a vida das abelhas. Entra aí o trabalho do apicultor profissional, que entende as necessidades das abelhas, fornece uma Alimentação Continuada para quando chegar a florada plena este enxame esteja com a população adequada para produzir em excedente e o apicultor poder usufruir da atividade. Na alimentação continuada a regra é quando não tem pólen na floresta o apicultor deve fornecer uma pasta proteica com ingredientes que venham a suprir esta necessidade, e quando não tiver néctar o apicultor deve fornecer xarope ou açúcar apropriado para suprir a energia que está em falta no pasto apícola.

Troca de Rainhas - A reprodução de uma rainha oferece ao apicultor uma oportunidade singularmente favorável para influenciar o futuro comportamento e desempenho produtivo da colônia de abelhas. Por essa razão, há séculos vêm sendo desenvolvidos e praticados métodos destinados ao controle da produção de rainhas, número de rainhas fecundadas, épocas de fecundação, e características das rainhas produzidas. Para manter o apiário sempre com grande capacidade produtiva, deve-se controlar periodicamente, a idade da rainha, ou seja, trocá-la em intervalos regulares.

Nos municípios de Capanema e Planalto a troca de rainhas ocorre regularmente uma vez ao ano, rainhas provenientes de fornecedores legais e com genética apurada, prática esta que determinou um aumento de produção das colmeias trabalhadas no projeto na faixa dos 80%. 

Diante disso, a exploração da abelha melífera é considerada uma atividade que possui relativa facilidade de execução, com grandes possibilidades de comercialização, dede que o apicultor se profissionalize, adote práticas inovadoras, bem como, pela busca constante de informações e novas técnicas de produção.


Autores: Alyne Chicocki – Engenheira Agrônoma e Pedagoga, Especialista em Gestão de Agronegócios e Gestão de Pequenas Empresas, consultora do Sebrae/PR em Agronegócio, Alimentos e Bebidas; Wagner Gazziero – Administrador de Empresas com Habilitação em Agronegócios, Consultor em Apicultura, Credenciado ao Sebrae/PR.

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Consultora, Agronegócios/Alimentos e Bebidas, Sebrae/PR, Pato Branco.

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