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Benchmarking na área da Saúde

Benchmarking na área da Saúde

Falar sobre benchmarking não é algo novo e desconhecido. No entanto, falar sobre benchmarking na saúde, para muitos, ainda é algo que parece não se adequar e não se encaixar dentro do setor. Este conceito surgiu na década de setenta, sendo introduzido na área de negócios pela empresa XEROX e desde então, utilizado com muita frequência empresas na área da saúde (hospitais, clínicas, consultórios, laboratórios, casas de repouso, etc)

Entre as inúmeras definições de benchmarking, a que eu mais considero completa é a definição de Anand e Kodali (2008, p.259). Os autores definem benchmarking como “a contínua análise de estratégias, funções, processos, produtos ou serviços, performance, etc. comparando internamente ou externamente com as empresas de referência, obtendo informação sobre o método apropriado de coleta de dados, com a intenção de obter a informação sobre o estado atual, de forma a atingir uma melhoria através da implementação de alterações que resultarão na obtenção do valor máximo ou mesmo excedendo o benchmark”. Ou seja, os autores relatam nesta definição o quão é importante conhecermos as melhores práticas nos negócios que atuam no mesmo setor ou, de forma mais aprofundada, no segmento em que nossas empresas se encontram, para então, gerar inspiração para que possamos colocar estas “melhores práticas” em ação em nossos negócios.

Quando direcionamos esta visão para o setor da saúde, nós encontramos a definição de Mosel e Gift (1994), os quais publicaram na revista The Joint Commission Journal Quality on Improvement onde benchmarking é uma “disciplina colaborativa e contínua de medição e comparação de resultados de processos chave realizados pelos melhores performers. É aprender como adaptar estas melhores práticas, para atingir melhorias nos processos e criar comunidades mais saudáveis”.

Benchmarking proporciona a capacidade de conhecermos como outra empresa está fazendo algo diferente e colhendo melhores resultados. E nós, quando aprendemos com o outro, podemos colocar em prática ações e tarefas para melhorarmos o desempenho da empresa.

Para apresentar de maneira prática, o Benchmarking no setor da saúde pode ser utilizado de inúmeras formas. Por exemplo: (1) A sua empresa já pesquisou quais são os serviços e produtos oferecidos pelos seus principais concorrentes? (2) Quais são os valores praticados por eles? (3) Quais são as últimas inovações e tecnologias utilizadas? (4) Como é o atendimento que eles oferecem e a estrutura? (5) Como está a qualidade na prestação dos serviços e no atendimento aos pacientes? (6) Como é a forma de gestão praticada? Bem, esses são alguns dos exemplos que o Benchmarking pode proporcionar as empresas que atuam no setor da saúde.

Os métodos de se fazer benchmarking são vários. No entanto, como falado inicialmente, a propagação do termo pela XEROX fez com que a metodologia desenvolvida por ela fosse uma das mais utilizadas nos negócios. Portanto, 4 fases para uma boa implementação de bechmarking são apresentadas sendo o planejar, analisar, integrar e agir, conforme a figura.

Fonte: Modelo de Benchmarking da XEROX (Camp, 1998)

 

Mas, não basta somente escolher o melhor método para fazer benchmarking. Um dos requisitos chaves para o sucesso da implementação é a disponibilidade em aprender. A aprendizagem é o coração do benchmarking e é a capacidade dos líderes da organização proporcionarem a aceleração do processo de implementação. Portanto, há a necessidade do comprometimento com os líderes da empresa e uma preparação para que o processo todo alcance o sucesso.

Por isto, a dica de hoje é: Vamos aprender as melhores práticas com quem está próximo de nós. Só assim será possível melhorar os serviços prestados e a capacidade de gestão para que, então, o desempenho de longo prazo seja gerado.

Elizandra Severgnini

esevergnini@pr.sebrae.com.br

 

Fontes:

Anand, G., & Kodali, R. (2008). Benchmarking the benchmarking models. Benchmarking: An International Journal. 15(3), 257-291.

Camp, R.C. (1989), Benchmarking: The Search for Industry Best Practices that Lead to Superior Performance, ASQC Quality Press, Milwaukee, WI.

Mosel, D., & Gift, B. (1994). Collaborative benchmarking in health care. The Joint Commission Journal on Quality Improvement, 20(5), 239-249.

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Doutora em Administração pela Universidade Federal do Paraná. Mestra em Contabilidade pela Universidade Estadual de Maringá. Especialista em Controladoria e Gestão Financeira e Bacharel em Administração pela Unipar.

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