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Como a diversidade pode ajudar a sua empresa a crescer?

Como a diversidade pode ajudar a sua empresa a crescer?

Pero Vaz de Caminha afirmava em 1500 que "nesta terra, em se plantando, tudo dá". Ele reconhecia, já naquela época, a maior riqueza brasileira: sua diversidade.

Com sua vasta extensão territorial, que abarca muitas variações no clima, vegetação, espécies animais e acidentes geográficos, nada mais natural que a variedade de culturas, crenças, ancestralidade e cor de pele. O Brasil é um país plural, naturalmente dotado para preencher as necessidades de um mundo cada vez mais voltado para a multiplicidade.

Estudos recentes mostram que as empresas que investem numa visão mais global e inclusiva apresentam um índice maior de criatividade. Isso acaba gerando um aumento no valor do empreendimento e nos seus lucros.

Fica bem claro que esta não é uma solução mágica, que vai render frutos instantaneamente, mas uma política que, se implantada corretamente, com os devidos cuidados, trará inúmeros benefícios a médio e longo prazo.

Para se manter competitiva num mundo em crescente evolução, a empresa precisa, antes de tudo, repensar seus valores e sua declaração de missão. Mais do que preencher cotas para receber benefícios fiscais, a adoção de uma postura que defende a diversidade visa um posicionamento mais responsável, que leva em conta o impacto social da implantação destas medidas. Afinal, nenhuma empresa existe num vácuo, e cada uma, por menor que seja, tem sua influência na sociedade em que está inserida.

Adotar uma política mais diversificada implica no reconhecimento do valor do ser humano, ao invés de percebê-lo apenas como uma peça na estrutura da companhia.

Significa perceber e respeitar as diferentes necessidades e aptidões dos funcionários, fornecendo infraestrutura, espaço e incentivo para que eles possam desenvolver seu potencial. Significa romper com padrões e conceitos preestabelecidos, ousando ver além de rótulos e limitações artificiais.

Ter pessoas de diversas classes sociais, cores, gêneros, idades, condições físicas e formações culturais enriquece o cotidiano empresarial, trazendo grandes benefícios para a empresa como um todo e para cada uma das pessoas envolvidas. A premissa básica num negócio que prima pela diversidade é o respeito pela individualidade e identidade cultural e de gênero. E este respeito afeta a dinâmica entre gestores, funcionários e clientes.

A implantação dessa política não é difícil, mas envolve um olhar atento a detalhes e um cuidadoso planejamento. Todos os processos e procedimentos da empresa devem ser revistos. É preciso observar com novos olhos - desde os formulários básicos para os candidatos a uma vaga, as entrevistas, o cadastro de funcionários, enfim, toda a parte formal que vai do anúncio da vaga à contratação - e além.

Adotar benefícios com uma maior abertura, garantir a acessibilidade a todas as instalações e recursos, rever sites e toda comunicação interna e externa também são passos essenciais neste processo.

Paralelo a todo o esforço de reestruturação burocrática e material, é necessário um trabalho de conscientização junto aos próprios funcionários, em todos os níveis. Algumas pessoas nunca conviveram com a diferença e precisam de auxílio para compreender, aceitar e incorporar a nova realidade da empresa.

A adoção de uma política de diversidade não significa ausência de conflitos, mas sim, que qualquer embate é abordado respeitosamente e de maneira ética. As empresas que investem nesta opção observam uma melhora significativa no seu diálogo com diferentes públicos, no enfrentamento de crises e na apresentação de ideias e soluções.

A coerência entre o discurso e a prática também é relevante. De nada vale um departamento de marketing focado numa postura mais aberta, se a realidade cotidiana da empresa não reflete os valores apregoados.

É fundamental manter as linhas de comunicação sempre abertas, facilitando a apresentação de críticas e sugestões e evitando a postura do "não fale dos problemas, e sim apresente soluções". Nem sempre um funcionário que detecta um problema em seu cotidiano tem a capacidade para resolvê-lo. E, para o empreendedor disposto a ouvir, nenhuma sugestão é considerada trivial.

Um exemplo simples de diversidade e inclusão: recentemente, uma empresa conhecida por sua postura aberta a sugestões, recebeu uma reclamação referente aos espelhos nos banheiros femininos - que eram muito pequenos e foram colocados muito alto, o que dificultava a visão das funcionárias mais baixas e, obviamente, não permitia a visualização do corpo inteiro. Em pouco tempo, espelhos maiores foram instalados em todos os banheiros (inclusive nos masculinos). O resultado? Maior autoconfiança dos colaboradores quanto à sua apresentação, e uma maior confiança na preocupação da empresa com seu bem-estar e conforto. E, você pode apostar, os clientes desta empresa percebem isso, e reagem de acordo.

Com um quadro de profissionais diversificado, há mais probabilidade de sugestões criativas e originais, não só para melhorar o desempenho cotidiano, mas também para aprimorar os produtos, as embalagens, os serviços prestados, o atendimentos aos clientes, enfim, melhorar toda a cadeia de atividades da empresa. O que, com o tempo, gera mais negócios e um lucro maior.

Investir na capacitação e aprimoramento constante da equipe como um todo faz parte do processo. Os funcionários que sentem que são respeitados e valorizados por sua contribuição são mais engajados, trabalham com mais afinco e dedicação, faltam menos ao serviço, e são os maiores e mais entusiasmados divulgadores da empresa.

É importante também, periodicamente, rever e reavaliar todos os processos, metodologias e objetivos. Paradoxalmente, esta atitude auxilia na identificação e prevenção de possíveis desvios e, ao mesmo tempo, permite uma flexibilidade maior nos meios e recursos utilizados na implantação de uma nova política.

Os líderes de empresas que abraçam a diversidade não possuem qualificações especiais, mas sim uma mentalidade diferenciada, que valoriza o potencial humano e estimula o seu desenvolvimento. Os funcionários reconhecem esta postura e agem de acordo, gerando uma reação em cadeia que afeta o cliente ou consumidor final. E, numa abordagem ainda mais ampla, afeta a sociedade, alterando, aos poucos, os paradigmas que ditam o comportamento.

Eliminar barreiras artificiais e promover o acesso de todos à educação e ao mercado de trabalho é um esforço de formiguinha, que requer visão ampla, capacidade de liderança, coragem e determinação para perseguir seus objetivos. Os gestores que investiram nesta prática já estão colhendo seus benefícios. E você, está disposto a se juntar ao século XXI? Deixe sua opinião nos comentários!

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