[ editar artigo]

Como ficam as negociações em período de crise?

Como ficam as negociações em período de crise?

Há pouco menos de um mês assistimos o início de uma mudança completa de comportamento na humanidade por conta da instauração da crise do novo Covid-19. Mas há trinta dias, mal podíamos imaginar o tamanho da mudança que iríamos enfrentar em tão pouco tempo. Naqueles dias, ainda ninguém poderia imaginar que já estaríamos vivenciando hoje uma nova maneira e concepção do que é viver e conviver em comunidade e principalmente, que se instalaria em todo o mundo um comportamento totalmente novo de consumo.

Este último tópico afetou de surpresa e estrondosamente os pequenos e microempreendedores, que mesmo se reinventando para manter os seus negócios em funcionamento em tempos de distanciamento social, ainda seguem sofrendo para se manter “vivos” visto tamanha a queda nas receitas e fluxos de caixa.

No início de 2020, a projeção da ABF - Associação Brasileira de Franschising - era de ascensão para este ano, visto que o setor demonstrava consistência e estabilidade até então, mesmo diante de crescimento econômico moderado no país.

Além disso, em análise dos últimos anos, houve um crescimento no número de novas marcas atuando no mercado e no desenvolvimento de novos formatos e modelos de negócios, o que esperava-se evoluir ainda mais por aqui, caso não houvesse se instalado um cenário de crise mundial.

Tendo isso em vista anteriormente, sem imaginar os grandes impactos que estavam por surgir, muitos empresários foram pegos de surpresa em um momento de investimento ou até mesmo abertura de novos negócios, o que passa a ser ainda mais complicado no momento turbulento em que estamos vivendo.

Por isso, o indicado é estimar o quanto antes o que será necessário para se manter com baixo fluxo de caixa pelo menos pelos próximos 03 meses e buscar realizar todas as renegociações possíveis, seja com fornecedores ou funcionários. Além de, quando necessário, buscar as melhores condições de linhas de crédito que se apliquem ao caso da sua empresa.

 

◾ Negociação de custos fixos

Apesar da restrição de circulação, os vencimentos de muitas contas, além de faturas de cartão de crédito e boletos continuam válidos. Informe-se sobre alternativas de pagamento por telefone e meios digitais. Se tiver dificuldade, procure a empresa e peça uma opção para quitar o débito.

No caso de serviços essenciais, como água, luz, gás e telecomunicações, há a orientação do Governo para que as empresas adiem o pagamento e até parcelem as contas. Isso deve ser feito só em caso de muita necessidade, pois haverá sobreposição de contas, o que pesará no orçamento mais tarde.

 

◾ Negociação com fornecedores

Para cortar as despesas durante o período de fechamento ou interrupção dos negócios, é importante que os empresários busquem uma reengenharia não só nos gastos com mão-de-obra, mas também nos acordos e compromissos assumidos com fornecedores.

Neste momento em que todos estamos passando por cenários turbulentos, o principal requisito para a revisão ou renegociação é o bom senso de ambas as partes, já que contratos que se tornarem desproporcionais e injustamente vantajosos para o fornecedor ou credor precisarão obrigatoriamente ser revisados durante o período de quarentena a fim de serem mantidos.

Na impossibilidade de negociação amigável, a recomendação é que o pequeno empresário se preocupe em cumprir aqueles contratos cujo serviço esteja diretamente ligado à sobrevivência do negócio e sejam essenciais para a manutenção e retomada das atividades, quando a reabertura for autorizada.

 

◾ Negociação de contratos de trabalho

Após decretar estado de calamidade pública, o Governo Federal anunciou uma série de medidas que flexibilizam as leis trabalhistas e que são fundamentais principalmente para os microempreendedores e pequenos negócios atravessarem esse período tão turbulento.

 

HOME OFFICE

Durante esse período o empregador pode alterar o regime de trabalho presencial para o home office, ou seja, o trabalho remoto. Essa é uma medida que está sendo cada vez mais frequente entre as empresas dos mais diversos patamares.  A Medida Provisória publicada pelo governo libera ainda o trabalho remoto também para estagiários e aprendizes.

O empregado que não dispuser de equipamento e a empresa não puder fornecê-lo, o tempo normal da jornada de trabalho será computado como tempo de trabalho à disposição do empregador.

 

ANTECIPAÇÃO DE FÉRIAS INDIVIDUAIS OU CONCESSÃO DE FÉRIAS COLETIVAS

A medida provisória do Governo Federal permite que o empregador antecipe as férias do empregado, exigindo apenas comunicação de 48 horas de antecedência. Podem ser concedidas as férias ainda, desde que o período aquisitivo a elas não tenha transcorrido. Ainda de acordo com a medida, o adicional do 1/3 de férias poderá ser pago após a concessão das férias, até a data de pagamento do 13º salário.

Durante esse período, as empresas também têm a opção de conceder férias coletivas aos seus funcionários, com a mesma exigência de que estes sejam notificados com 48 horas de antecedência.

 

APROVEITAMENTO E ANTECIPAÇÃO DE FERIADOS

Para compensar os dias de fechamento ou suspensão dos negócios, os empresários também poderão antecipar o período de gozo de feriados não religiosos, desde que os funcionários também sejam notificados ao menos 48 horas antes.

Os feriados também poderão ser utilizados na compensação do saldo em banco de horas.

 

AMPLIAÇÃO DO USO DE BANCO DE HORAS

Em caso de interrupção das atividades do empregador, as horas não trabalhadas poderão ser compensadas no futuro pelos trabalhadores, com a prorrogação diária da jornada em até duas horas, sem exceder o total de dez horas corridas trabalhadas.

A compensação poderá ocorrer no prazo de até 18 meses, contados da data de encerramento do estado de calamidade pública.

 

REDUÇÃO DA JORNADA DE TRABALHO COM REDUÇÃO DE SALÁRIO OU SUSPENSÃO DE CONTRATO

Outra medida provisória permite a redução da jornada de trabalho dos funcionários com cortes no valor total dos salários. A redução poderá ser de 25%, 50% ou de 70% e vigorar por até 90 dias.

As empresas podem também suspender os contratos de trabalho por até 60 dias.

O trabalhador que tiver a jornada de trabalho reduzida deverá ser mantido empregado pela empresa por um período igual ao da redução posteriormente. Por exemplo: se o trabalhador e a empresa fizerem um acordo para redução de jornada e salário por dois meses, após esse período ele deve ter estabilidade no emprego por dois meses. O mesmo acontece com a suspensão temporária dos contratos.

Quem tiver a jornada e o salário reduzidos ou o contrato de trabalho suspenso receberá um auxílio do proporcional ao valor do seguro-desemprego.

 

LINHA EMERGENCIAL PARA CUSTEIO DO PAGAMENTO DA FOLHA DE FUNCIONÁRIOS

As pequenas e médias empresas terão à disposição uma linha de crédito emergencial, para financiar o salário dos trabalhadores pelo período de dois meses.

O financiamento estará disponível para empresas com faturamento entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões por ano e o recurso será exclusivo para folha de pagamento.

Pelas regras da linha, o empresário poderá financiar, no máximo, dois salários mínimos por trabalhador por dois meses. A empresa terá 6 meses de carência e 36 meses para pagar o empréstimo.

 

◾ Empréstimos

Diversos bancos, tais quais Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú Unibanco e Santander abriram a possibilidade de prorrogação das datas de vencimento de dívidas de clientes pessoas físicas e micro e pequenas empresas para os contratos que estejam em dia com os pagamentos.

A medida vale para todos os contratos de crédito feitos com o banco, mas não se estende às dívidas no cartão de crédito e no cheque especial, nem às contas de consumo. Cada caso deverá ser analisado, sendo que a negociação pode ser feita por telefone com o gerente ou pelos canais eletrônicos dos bancos.

 

◾ Pagamentos de tributos federais

O governo prorrogou os prazos de pagamentos dos tributos federais para empresas do Simples Nacional. A medida — que faz parte do pacote do governo para tentar reduzir os impactos econômicos da pandemia de coronavírus — beneficia também os Microempreendedores Individuais (MEIs).

Veja como ficam os prazos do pagamento do DAS, no caso dos MEIs:

Período de apuração - março de 2020
Antes - Vencimento original era em 20 de abril de 2020
Agora - Passa a vencer em 20 de outubro de 2020

Período de apuração - abril de 2020
Antes - Vencimento original era em 20 de maio de 2020
Agora - Passa a vencer em 20 de novembro de 2020

Período de apuração - maio de 2020
Antes - vencimento original em 22 de junho de 2020
Agora - Passa a ver em 21 de dezembro de 2020

 

◾ Auxílio emergencial

O Governo Federal está concedendo um auxílio emergencial de R$600,00 para os MEIs, visando ajudar na redução dos impactos causados pela crise econômica.

Lembrando que mesmo o MEI que estiver em atraso com as suas contribuições mensais do DAS - Documento de Arrecadação do Simples Nacional, o qual unifica o recolhimento de impostos para os microempreendedores - poderá sim ter o direito ao auxílio emergencial previsto pelo Governo Federal, desde que o seu CNPJ não tenha sido baixado, já que o texto da Lei não prevê nenhuma restrição desse tipo.

O benefício no valor de R$ 600 que deve ser pago em parcelas, tem como duração prevista de 3 meses, para até duas pessoas do mesmo núcleo familiar.

Para saber mais sobre os pré-requisitos para receber e como solicitar o auxílio emergencial acesse o texto: O que o MEI precisa saber sobre o auxílio emergencial? 

 


🔴 ATENÇÃO:

Infelizmente, criminosos que atuam na internet estão se aproveitando do momento de pandemia, o qual deveria ser acima de tudo de solidariedade,  para aplicar golpes e cometer fraudes. Então muito cuidado e atenção a todo o momento, a orientação é não clicar em links enviados por redes sociais e se informar exclusivamente em páginas oficiais ou das autoridades e dos meios de comunicação.


 

◾ Momento de Solidariedade

Felizmente, o cenário de pandemia mundial tem despertado a solidariedade na maior parte da população. E no setor do empreendedorismo, o ativo da reunião é ingrediente essencial para a que todos nós possamos manter os nossos negócios nesse momento e sobreviver à crise econômica.

Diversas redes de franquias associadas da ABF – Associação Brasileira de Franchising se mobilizaram para amenizar os impactos da pandemia do novo Coronavírus (Covid-19) no Brasil. Acesse o link para acompanhar e refletir de que maneira, nesse momento tão complexo, você e seu negócio (independente do tamanho da sua empresa) também podem fazer a diferença e apoiar todo o nosso setor!

 

Depois que tudo isso passar, não podemos voltar ao normal, porque o normal era exatamente o problema. Precisamos voltar melhores, como pessoas e como empresários. A união faz a força.

 

Juntos seremos muito mais fortes!

 

Se você tiver dúvidas, questionamentos ou quiser direcionamento de como agir no seu negócio, em meio ao Coronavírus, entre em contato com nossa equipe, através dos canais digitais abaixo. 
 

🔵 Atendimento Digital SEBRAE 🔵
WhatsApp / Chat / Facebook / E-mail ou 0800 570 0800 :)

Blog

Comunidade Sebrae
Acea Ratcheva
Acea Ratcheva Seguir

Mãe do Arthur | Co fundadora da empresa Baby Body Co , ecommerce especializado em roupas de bebê | Analista técnica Marketing Digital e Inbound Marketing no Sebrae Paraná | Especialista em Marketing Empresarial e Marketing Intelligence

Ler conteúdo completo
Indicados para você