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Conheça a startup curitibana que ajuda projetos de escolas públicas

Conheça a startup curitibana que ajuda projetos de escolas públicas

Uma ideia que pode transformar o mercado e criar novos modelos de negócio. É assim que, normalmente, são criadas as startups, que chegaram para revolucionar o mercado por meio da tecnologia e inovação. Provavelmente você deve conhecer ou ser impactado de alguma forma pelos serviços ou produtos oferecidos por, pelo menos, uma delas. Essas startups têm influenciado cada vez mais nossas atividades diárias.

E não é à toa que as startups estão por toda parte: o número de empresas desse tipo no Brasil dobrou em apenas um ano. Segundo um estudo feito pela Associação Brasileira de Startups (ABStartups), ao final do ano passado, o país contava com 10 mil startups, o dobro do número contabilizado no fim de 2017. Os números contribuem para a posição de destaque do Brasil, que hoje é considerado o terceiro maior país em número de empreendedores.

O cenário positivo reflete também em solo paranaense. Nosso estado aumentou o número de startups em 122% em apenas um ano. Curitiba tem sido o grande destaque, o que rendeu à capital paranaense a intitulação de Vale do Pinhão. Criado pela Prefeitura por meio da Agência Curitiba de Desenvolvimento S/A, esse movimento ficou nacionalmente conhecido por ser um ecossistema que envolve quaisquer atores cujo objetivo é o desenvolvimento de inovação. Assim, fazem parte do Vale do Pinhão as universidades, startups, aceleradoras e incubadoras, por exemplo. Sendo assim, a cidade virou o berço de ideias de diferentes setores. Um exemplo disso são as startups sociais, que além de trazer inovação, buscam gerar algum impacto positivo na sociedade.   

Transformando a educação

Foi com base nisso e com a missão de transformar a educação em escolas públicas que surgiu o A+ Educação. A startup curitibana é uma plataforma educacional que auxilia no financiamento de projetos de professores de escolas públicas de todo o Brasil. Por meio da plataforma, os professores podem inscrever e explicar seus projetos e receber doações. A partir dos recursos arrecadados, o grupo compra os materiais necessários e envia ao professor ou à escola. Pelo financiamento coletivo, foram mais de 100 projetos beneficiados pela iniciativa.

A iniciativa busca ajudar um dos grandes problemas da educação pública do país: a falta de infraestrutura. Segundo um levantamento feito pelo Todos pela Educação, apenas 4,5% das escolas públicas do país têm os itens de infraestrutura previstos em lei pelo Plano Nacional de Educação (PNE). O estudo revela ainda que entre os itens mais críticos estão os laboratórios de ciências (presente em 8,6% das escolas públicas de ensino público e 43,9% de ensino médio) e a quadra esportiva (presente em 31% das escolas públicas). Outros fatores essenciais como saneamento básico, por exemplo, ainda são raros em muitas escolas pelo Brasil. Esses itens são determinados pela Lei 13005/2014, no PNE, que estabelece estratégias e metas a serem cumpridas desde a educação infantil à pós-graduação. 

As deficiências quanto à infraestrutura também foram abordadas no Censo Escolar de 2017, feito pelo Ministério da Educação (MEC). Entre as escolas de ensino fundamental, apenas 41,6% contam com rede de esgoto, e 52,3% apenas com fossa. Em 6,1% delas, não há sistema de esgotamento sanitário.

Como funciona

As doações para os projetos são feitas pela plataforma no site www.amaiseducacao.org. Assim que a meta de arrecadação é alcançada, o doador recebe uma carta de agradecimento do professor e fotos do projeto, fazendo com que a pessoa que doou consiga saber sobre o desenvolvimento do projeto e se sinta parte da iniciativa. Já o cadastro de projetos pode ser feito por qualquer professor diretamente pelo site.

Os projetos passam por avaliação da equipe, de modo a evitar que sejam cadastradas iniciativas falsas ou mal intencionadas.

Apoio ao professor

 

Uma das recentes iniciativas do projeto tem como objetivo auxiliar e dar suporte ao desenvolvimento dos professores. Dessa forma, os fundadores do projeto estiveram em eventos da ONU, em diferentes universidades pelo mundo e visitaram colégios públicos e particulares de mais de 12 estados brasileiros, compilando ferramentas que podem transformar a sala de aula. O resultado foi a criação de curso voltado para professores que estão em contato direto com os alunos, seja da educação básica, de escolas de inglês ou de ensino superior. São oito módulos que trabalham o professor de forma completa, dentro e fora de sala de aula.

O curso conta com mais de 140 vídeos gravados pela equipe da A+ Educação, sendo as aulas divididas em vídeos rápidos e diretos. Ele é 100% online e possui conteúdos práticos. Além disso, a plataforma disponibiliza uma comunidade exclusiva de professores para a troca de ideias e projetos.

O material aborda temas como motivação, produtividade, oratória e storytelling, criatividade, engajamento dos alunos, novas tecnologia para transformar a sala de aula, novas formas de sala aula e os sete saberes da educação do futuro. O projeto busca ajudar professores a transformarem suas aulas em conteúdos interessantes, utilizando as novas ferramentas e tecnologia a seu favor.

Reconhecimento

As iniciativas do A+ Educação já renderam frutos. Em 2018, a startup foi premiada no Laureate Global Fellows, em Washington D.C., nos Estados Unidos. O programa é pioneiro e reconhece o empreendedorismo social por meio de jovens que lideram a mudança. Além disso, a startup também participou do livro "Empreendedorismo Social e Políticas Públicas na Educação: possibilidades e limites", dos autores Gabriel Cardoso e Julio Gomes Almeida. A partir de entrevistas com organizações educacionais e profissionais pedagógicos em todo o Brasil, os autores buscam alternativas para enfrentar os problemas educacionais no país.

Empreendedorismo social

A motivação social e o desejo de transformar a sociedade tem sido um propósito cada vez mais comum entre os empreendedores brasileiros. Isso faz parte do empreendedorismo social, que tem como base a inovação e tecnologia e que conjuga os resultados financeiros à geração de benefícios para comunidades. Entre as principais áreas de desenvolvimento do empreendedorismo social estão: educação, alfabetização e inclusão digital, moradia de baixo custo, reciclagem, indústrias limpas e energias alternativas, agricultura e uso de água, saúde e nutrição, diversidade e multiculturalismo, oportunidades para deficientes, serviços em geral, apoio ao empreendedorismo e microcrédito, direitos humanos, entre outros.

De acordo com uma pesquisa do Sebrae em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Brasil conta com mais de 800 negócios que têm como base o impacto social no país. A maior parte deste número é de startups que prestam serviços sociais e geram desenvolvimento econômico. Sem contar as iniciativas que ainda estão em fase de planejamento e ideias.

Quando calculado a nível global, o resultado é ainda maior. Segundo um levantamento da Ande Brasil (Aspen Network of Development Entrepreneurs), uma rede de empreendedores de países em desenvolvimento, os negócios de impacto social movimentam cerca de US$ 60 bilhões em nível global. O número tem um aumento de aproximadamente 7% ao ano.

Mesmo com o impacto visível e os resultados notados, o empreendedorismo social ainda lida com desafios no Brasil. Entre eles estão a definição de modelo de negócio, a falta de um marco legal voltado especialmente para negócios de impacto social, além da captação de recursos. Outro ponto a ser considerado é quanto ao índice de mortalidade de startups, que é o maior quando comparado a qualquer outra atividade econômica. Segundo estudos, 74% das startups fecham após cinco anos de funcionamento, 18% antes mesmo de completar dois anos. Isso mostra que nem todas as atividades seguem em frente, e os motivos são inúmeros.

Em relação a “mortalidade” de startups, um dos “fatores de risco” é o número de sócios envolvidos: quando há mais de um desde o início, há mais riscos de descontinuidade, segundo estudo realizado pelo Núcleo de Inovação de Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral em 2015. No caso, o problema é quando os sócios não conseguem se relacionar de maneira produtiva e organizada. Outro índice de insucesso é quando os gestores não conseguem se adaptar a mudanças no mercado.

Quando a startup conta com o apoio de uma aceleradora, incubadora ou parque tecnológico, por outro lado, as chances de sucesso aumentam consideravelmente.

Por isso, a importância do incentivo e da divulgação de iniciativas com cunho social. Mais do que apoiar, é preciso mostrar resultados e o impacto que atividades como essas podem causar em comunidades.

Comunidade Sebrae
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