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PSI nas organizações - cultura, motivos, caminhos e impactos

PSI nas organizações - cultura, motivos, caminhos e impactos

 

INTRODUÇÃO

O mundo é outro, as relações mudaram e a organização do trabalho também. Este século está marcado por novos desafios que em grande medida estão relacionados à saúde mental. Um cenário envolto de questões que precisam ir além do corpo, e avançar sobre a mente.

O trabalho hoje, enlouquece e provoca sofrimentos intangíveis e muitas vezes percebidos tarde demais: burnout, estresse, ansiedade, angústia, medo, insatisfação, somatizações, suicídio. Fato é, que todos estamos em sofrimento psíquico em algum grau.

De acordo com dados recentes da “International Stress Management Association” (ISMA-BR), o Brasil é o segundo país no mundo com o maior número de pessoas afetadas pela Síndrome de Burnout – distúrbio caracterizado pelo estado de tensão emocional e estresse, provocados por condições de trabalho desgastantes.

Pesquisa Gallup demarca que em todo o mundo, apenas 13% dos trabalhadores estão engajados em suas empresas e entre os colaboradores brasileiros, apenas 27%. Vemos profissionais cada vez mais ansiosos, estressados, doentes e, consequentemente, improdutivos, suscetíveis a espalhar negatividade na organização. Um levantamento do Conference Board apresentou que apenas 45% dos colaboradores entrevistados estavam felizes com seu trabalho.

 

RESUMO

Partindo de uma visão de mundo baseada na ideia de que se nós estivermos mais abertos ao debate sobre a nossa saúde mental, então a nossa sociedade será mais capaz de produzir uma vida com maior bem-estar psíquico e emocional para todos; o objetivo deste artigo é contextualizar a relevância e urgência da necessidade de uma cultura Psi nas organizações, que valorize e fomente a Felicidade no Trabalho.

O que está em jogo é o bem-estar, a paz de espírito, a relação consigo mesmo, com as pessoas que ama, trabalha ou convive, é a nossa felicidade. Também está em jogo o nosso futuro, pois sem o desenvolvimento de uma produtividade empática, compassiva e sustentável estamos envenenando o planeta e as nossas relações. Cuidar do psiquismo é cuidar da vida e da força produtiva. Esses fatores tornam imprescindível o trabalho da Felicidade Corporativa e a implantação de uma cultura PSI na empresa.

 

CULTURA PSI E FELICIDADE ORGANIZACIONAL

A forma como vivemos experiências cada vez mais personalizadas em nossas vidas como consumidores gerou, nos últimos anos, um movimento em que colaboradores querem a mesma vivência que tem como consumidores. As pessoas querem ser felizes no trabalho e na vida pessoal, pois não separam mais uma coisa da outra.

Aos poucos, as organizações estão se dando conta que pessoas mais felizes geram mais resultados e menos custos. Pessoas mais felizes são melhores colaboradores, faltam menos, são mais criativas e inovadoras, prestam melhor serviço ao cliente, têm laços sociais mais estreitos, têm menos acidentes, são mais comprometidas, melhor avaliadas por seus líderes, experimentam menos burnout e têm uma vida com significado.

Ser mais feliz no trabalho está diretamente relacionado a uma melhor saúde e bem-estar integral, a tornar-se mais criativo, inovador, produtivo e eficiente em solução de problemas. Comportamentos como maior autenticidade, comprometimento e engajamento, que fazem com que as pessoas estejam mais dispostas a contribuir além de suas atribuições, também são exemplos de benefícios que uma cultura Psi e uma política de Felicidade no Trabalho pode agregar.

De acordo com Timothy Sharp, fundador e Chief Happiness Officer do The Happiness Institute, na Austrália, “colaboradores felizes são melhores colaboradores”.

Locais de trabalho positivos têm níveis mais elevados de envolvimento e isso tem um impacto direto no desempenho e produtividade, na inovação e criatividade, no trabalho em equipe e na colaboração. Organizações positivas atraem e retêm talentos de forma mais eficiente e, em última análise, tudo isso se traduz em melhores resultados e maior lucro.

Os estudos de Dejours, doutor em Medicina e especialista em medicina do trabalho, mostram que o sofrimento do trabalhador é expresso por sentimentos de insatisfação e ansiedade, decorrentes da falta de significado do conteúdo do trabalho para o sujeito, da fadiga, do conteúdo ergonômico e das cargas de trabalho.

Portanto, questões físicas como a qualidade das cadeiras, temperatura do escritório e condições gerais das instalações e saúde clínica dos colaboradores são básicas, mas não se apresentam suficientes. O conceito de Felicidade no trabalho vai muito além e está diretamente relacionado a capacidade da organização em fomentar uma cultura de bem-estar subjetivo, propósito, valores, virtudes e forças.

Fazendo com que sua equipe sinta que está realizando um trabalho importante para sociedade e alinhado sua realização pessoal, promovendo um ambiente inspirador, com experiências incríveis que sejam lembradas em todos os momentos da vida, e não só quando se está trabalhando.

A felicidade no local de trabalho não é um conceito abstrato, é sim um objetivo tangível para qualquer empresa e que deve estar entre as suas prioridades. Se analisarmos algumas das organizações mais bem-sucedidas, eles tendem a ter uma cultura baseada em valores que priorizam a felicidade e o bem-estar amplo dos funcionários.

Quando tratamos de políticas de Felicidade Corporativa é importante saber que existe uma metodologia, multidisciplinar, cientificamente testada e comprovada, baseada na psicologia positiva e em métodos europeus desenvolvidos ao longo dos últimos anos, onde a felicidade pode ser mensurada. Estamos falando de pesquisas que vão além da satisfação e do clima organizacional.

Para entender a felicidade dos indivíduos, das equipes e também da empresa como todo, é necessário medir aspectos emocionais e motivacionais, que a psicologia positiva apresenta através de 5 pilares:

  1. emoções positivas;
  2. engajamento;
  3. relacionamentos;
  4. sentido e;
  5. realização.

Felicidade organizacional é um estado de realização e emoções positivas associadas à atividade profissional exercida, é subjetiva e por isso varia conforme a experiência, expectativa e motivação de cada indivíduo.

Para Martin Seligman, psicólogo PHd da Universidade da Pensilvânia - EUA, a felicidade no trabalho só é possível com o reconhecimento pleno das emoções positivas, virtudes e forças pessoais. Ou seja, mais do que um momento de alegria, essa sensação ou sentimento, diz respeito a algo como um estado de espírito abrangente e completo, que não se modifica nem se altera, independente dos obstáculos e frustrações que podem surgir em um dia de trabalho.

Além disso, essa felicidade também está ligada de forma direta à autorealização e a sensação de trabalhar com um propósito, podendo aproveitar ao máximo o potencial individual e enxergar esse resultado nos impactos positivos da empresa.

 

CAMINHOS

A pandemia causou impactos profundos não só na sociedade, mas também na forma como as pessoas trabalham. É chegada a hora das empresas se preocuparem ainda mais com seus colaboradores, sua felicidade e a sua saúde mental, através de um planejamento que irá guiá-las em uma jornada, sem volta, de crescimento e desenvolvimento.

As pesquisas recentes mostram que está mais do que na hora das empresas se preocuparem com a saúde mental de seus colaboradores. A situação de crise causada pela pandemia se soma à sobrecarga de trabalho, à falta de recursos e às equipes reduzidas em um contexto que pode colocar em risco a saúde mental de profissionais ao redor de todo o mundo.

A frase “colaborador feliz é mais produtivo” pode ser comprovada por diversas pesquisas ao redor do mundo e, por isso, tem se tornado pauta definitiva nas empresas. O ranking 100 Best Companies to Work For da Fortune, por exemplo, surgiu em 1998 com o objetivo de medir os níveis de felicidade dos colaboradores e selecionar as melhores empresas para se trabalhar no mundo.

E de acordo com uma pesquisa realizada pela Forbes, as empresas que fazem parte desta lista, tiveram um crescimento de 14% em suas ações e contam com mais de 20% de colaboradores mais produtivos. Podemos claramente perceber que felicidade no trabalho = produtividade + lucratividade + sustentabilidade = resultados. Estudos Gallup comprovam 37% menos absenteísmo e 25% menos turn-over, além de 61% de aumento na produtividade e resultados financeiros (Deloite 2018).

As recentes correntes de gestão de pessoas promovem a manutenção de um ambiente físico, psicológico e social de trabalho saudáveis, ao contrário das práticas convencionais baseadas na padronização genérica, desprezando as características individuais dos colaboradores, e que promoviam um modelo de ordem e obediência hierárquica e de disciplina por meio de regulamentos impostos.

É fundamental dar autonomia e alguma liberdade ao ativo humano da organização, privilegiar as características individuais e promover condições para a sua autorealização e satisfação. Agindo em prol da melhor relação trabalhador-organização-trabalho, que seja marcada pela boa gestão dos fatores psicossociais, de forma a promover saúde e bem-estar integral, prevenir o adoecimento e contribuir para que o trabalho seja um espaço de realização das pessoas.

A necessidade da cultura PSI emerge nas organizações, impacta as lideranças e se torna cada vez mais prioritária e urgente. Por isso, uma cultura PSI não deve ser vista apenas como um discurso de preocupação com a subjetividade e a mente, mas também como uma prática associadas a este discurso e diferentes formas de recepção, circulação e disseminação na organização.

É preciso superar os estigmas, derrubar os tabus e falar sobre o mundo interno. Cuidar do equilíbrio psicológico porque todos nós temos sofrimentos. Cuidar e trabalhar para que haja o pleno desenvolvimento das pessoas e a harmonia no ambiente de trabalho são algumas das funções da cultura Psi organizacional.

Lidar de forma acurada com seres humanos, suas questões e conflitos subjetivos dentro de uma organização exige alguns conhecimentos específicos. Um plano de Felicidade no Trabalho pode proporcionar muitos avanços positivos e representa um bom começo na implantação de cultura PSI na organização.

Os saberes PSI e suas aplicações constituem sim um universo amplo e complexo, mas também se apresentam de forma plural e multidisciplinar, permeando as culturas locais. Exige profundo e genuíno engajamento das lideranças, mas possibilita a atuação direta, desde que responsável e direcionada.

Desta forma, o movimento da Felicidade Corporativa se torna factível em plenitude com cursos, consultorias e programas internos, que possam contaminar positivamente todas as áreas da organização com a Pedagogia das Felicidades.

A prática da Felicidade Organizacional é um claro sinal do desenvolvimento das organizações, faz parte de uma visão atual e diferenciada, com o poder de acelerar o crescimento sustentável das organizações, influenciando no aumento da produtividade, criatividade, satisfação e flexibilidade dos colaboradores. Contribui para a redução do absentismo e da rotatividade dos recursos humanos. Amplia e fortalece a confiança na marca, bem como planta nos colaboradores um maior sentimento de compromisso.

São as pessoas que tornam possíveis os processos e o alcance dos resultados. Entender e aprimorar a relação entre os trabalhadores, o comportamento humano, os fenômenos psicológicos e suas implicações é essencial para o sucesso da empresa. A Felicidade Corporativa em convergência com a cultura PSI é um assunto sério e deve ser desenvolvida de forma assertiva, responsável e coletiva. Só isso fará com que os profissionais parem de esperar eternamente pelas sextas-feiras e pelas férias; criando ambientes de trabalho mais felizes, além de culturas mais saudáveis e com mais significado.

 

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REFERÊNCIAS

· DEJOURS, C. Loucura do trabalho. São Paulo: Cortez-Oboré.

· DEJOURS, C. Psicodinâmica do Trabalho: Contribuições da escola Dejouriana à Análise da Relação Prazer, Sofrimento e Trabalho. São Paulo: Atlas.

· GONDIM, S. et al. Psicologia do Trabalho e das Organizações: Produção Científica e Desafios Metodológicos. Disponível em http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1982-12472010000200002

· PLOTKIN, M.B; RUSSO, J. Culturas psi: psicanálise, subjetividade e política. Disponível em https://doi.org/10.1590/S0104-59702017000400001

· RELAÇÕES SIMPLIFICADAS. Manifesto pela Cultura Psi. Disponível em https://www.relacoessimplificadas.com.br/manifesto

· RIVETTI, R. Afinal, o que é felicidade corporativa e por que é tão essencial que entendamos isso? Disponível em https://www.reconnecthappinessatwork.com/post/afinal-o-que-%C3%A9-felicidade-corporativa-e-por-que-%C3%A9-t%C3%A3o-essencial-que-entendamos-isso

· SELIGMAN, M. Florescer: Uma nova e visionária interpretação da felicidade e do bem-estar. São Paulo: Objetiva. 2012.

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