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Das ruas de São Paulo para o conforto do meu quarto

Das ruas de São Paulo para o conforto do meu quarto

Nossas vidas são feitas de fases. Nenhuma novidade até aqui. Isso significa que não viveremos apenas de momentos bons, na verdade, muitas fases ruins virão e se mostrarão gigantes, ou nem tanto assim. Mas como se trata de momentos difíceis que não gostamos e que nos causam tristeza, acaba que a duração parece ser interminável.

Há aproximadamente 4 anos eu me encontrava num desses momentos que consideremos os piores das nossas vidas. Foi difícil. Chorei tanto quanto troquei de roupa. Foi tenso!

O ano era 2016, eu estava desempregado e com muitas contas vencidas - e isso nem era o pior. Ainda tinha o casamento marcado e todas as contas que esse momento especial na vida de um casal traria.

Correr? Queria, mas nem sabia pra qual direção. Eu estava perdido dentro de mim.

E agora, como prosseguir? Era o questionamento que eu me fazia todos os dias, incessantemente. Mesmo quando eu não queria pensar à respeito, ali estavam todos os meus sentimentos juntos e misturados descendo ladeira abaixo. - "É o fim", foi o que eu ouvi ligeiramente no vazio da minha alma. Com certeza uma criação da minha mente desesperada.

A oportunidade da minha vida

Foi então que apareceu na timeline do meu Facebook um post do grupo Uber Depressão, do qual até hoje eu não faço a menor ideia de como estava participando. O título do post, publicado pelo site Motorista Elite, dizia: "Ainda vale a pena ser Uber?"... Eu nem sabia o que era Uber, mas instantemente pensei: será mesmo que vale a pena? rsrs

Decidi entrar na matéria para entender pelo menos do que se tratava. Era uma profissão informal, tudo o que eu menos queria naquele momento, especialmente por ter sido doutrinado a minha vida inteira de que eu deveria entrar numa empresa grande e trabalhar nela no mínimo 30 anos.

Como aquela ideia não batia com o que eu tinha sido ensinado, obviamente abandonei a página e segui minha vida. Mas antes, salvei a página nos favoritos apenas por uma questão de "e se for uma boa ideia trabalhar com isso?".

Duas semanas depois meus pensamentos voltaram a se perturbar dentro de mim. Eu precisava urgentemente de dinheiro. Havia contas para pagar e um casamento para acontecer. Ou eu dava um jeito de ganhar dinheiro ou eu dava um jeito de ganhar dinheiro. Essas eram minhas opções.

A atitude que eu deveria tomar

Quer saber de uma coisa? Vou ver se esse negócio de Uber realmente dá certo! Pensei eu.

Voltei na mesma página e comecei a buscar mais informações a respeito e acabei ficando maravilhado com a ideia de que eu não precisaria de nenhum curso preparatório nem carro no meu nome para começar a trabalhar. Tudo o que eu precisaria seria uma CNH - que felizmente já tinha - e um carro alugado.

Duas semanas depois estava eu nas ruas de São Paulo dirigindo no meu trabalho informal. Basicamente, eu estava quebrando um gigantesco tabu dentro da minha família de que trabalho certo era aquele que estava registrado na minha Carteira de Trabalho.

E eu só demorei duas semanas pra começar porque o meu cadastro na Uber ficou praticamente 8 dias em revisão, se não certamente eu já estaria completando minhas 100 viagens muito antes do que eu imaginava.

Minhas primeiras conquistas

Eu gostei muito daquele tipo de trabalho, especialmente porque tinha a oportunidade de conhecer lugares novos todos os dias e também de conversar e trocar experiência com muitos passageiros.

Nunca tive o que reclamar de quanto ganhava, porque eu era bastante empenhado e trabalhava no mínimo 10 horas por dia, exceto nos sábados e domingos - dias que eu tirava para descansar e curtir a família.

A parte mais importante desse trabalho foi que com o tempo eu comecei a honrar com minhas contas e aos poucos levantava o dinheiro necessário para realizar meu casamento. E não deu outra: nos primeiros dois anos eu consegui colocar toda a minha vida financeira no lugar.

No terceiro e último ano que eu trabalhei como motorista de aplicativo, eu comecei a usar parte do dinheiro que ganhava nas ruas para pagar alguns cursos de programação que eu tinha encontrado - e amado - na Internet. Ao todo, comprei 33 cursos na área de desenvolvimento de sistemas rsrs.

Após concluir cinco cursos relacionados a mesma linguagem de programação - JavaScript -, eu consegui conquistar alguns clientes e fazer meus primeiros trabalhos. Hoje, 4 anos depois, eu vivo apenas disso.

A ponte para um lugar melhor

Se fosse para descrever o tempo que eu trabalhei como motorista de aplicativo na Uber, hoje eu diria: foi a ponte que me possibilitou chegar em um lugar que eu sempre quis e viver algo novo.

Não sei porque decidi compartilhar isso agora, mas sei que poderá servir de incentivo para milhões de microempreendedores que frequentam esse site do Sebrae em busca de uma luz.

Haverá oportunidades em nossas vidas que não serão necessariamente para trabalhar com aquilo que gostamos ou planejamos, mas, certamente nos levarão até esse objetivo muito mais preparados do que um dia pensamos.

Por curiosidade - neste momento em que escrevo - eu fui até o site que deu uma luz à minha vida e sabe qual a matéria que está no topo da página? Cadastro na Uber. Se quiser, acesse o link, se não pode ignorar. De todo modo, a matéria explica como você pode fazer para se cadastrar na plataforma e ser um motorista.

Quando eu experimentei essa profissão pela primeira vez em 2016 só tinha a Uber, mas poucos meses depois chegou o Cabify, a 99 e diversas outras empresas.

Hoje você tem a possibilidade de trabalhar para todas elas ao mesmo tempo! Pode não ser o plano que você traçou para sua vida, mas é como eu disse: pode ser a ponte que você precisa atravessar para chegar no lugar que tanto deseja.

Isso vale não apenas para essa profissão, mas para qualquer outra que você possa começar hoje e juntar o dinheiro e as experiências para um dia ter as condições necessárias para trabalhar com aquilo que tanto deseja.

Sucesso!

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Lucas Monteiro
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Apaixonado por tecnologia, trabalha com internet desde os 14 anos e não se vê em qualquer outro tipo de profissão. Nas horas vagas se dedica a aprender linguagens de programação.

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