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FOMO de quê?

FOMO de quê?

A sigla FOMO (fear of missing out) foi descrita pela primeira vez nos anos 2000 por Dan Herman (estrategista de marketing) e atualmente, traduz o medo de perder ou ficar fora de algo principalmente nas redes sociais. 

FOMO é uma patologia psicológica e atinge dois terços dos usuários das redes no mundo. 

O hábito de se manter atualizado é proporcional ao medo que as pessoas que sofrem da síndrome tem, de perder algo. A grande questão que se coloca é que jamais poderemos acompanhar o mesmo ritmo em que a tecnologia se desenvolve e dissemina suas informações e conteúdo. 

O fato de não compreender essa questão, gera a patologia porque o sentimento de que a pessoa deveria estar vivendo, sentindo e tendo é constante e gera angústia e ansiedade exatamente por ela não viver, sentir ou ter. E, o alto consumo de informações nas redes agrava de forma severa essa percepção. 

Apesar da depressão e ansiedade não serem sintomas exclusivos de quem sofre com a síndrome FOMO, elas são bastante comuns nas pessoas que têm dependência de internet. São muitos os casos de pessoas que deixam de viver sua realidade e passam a consumir a vida de celebridades, influenciadores ou de pessoas do seu ciclo social.

Usar diária e ininterruptamente as redes para trabalhar, ler notícias, conversar, buscar informações, estudar e porque não dizer, se entreter, nos torna altamente ansiosos. Porque é incrível a sensação de que precisamos consumir todos os conteúdos e todos ao mesmo tempo naqueles infindáveis feeds de empresas, marcas e pessoas pelos quais estamos ou não, conectados. 

Costumo dizer que quando acessamos, vamos fazendo uma teia de conexões sem fim. E, muitas vezes você pode estar se perguntando: “Mas por que essa pessoa está fazendo um boomerang da roupa da academia”? “Mas por que essa pessoa fez esse vídeo mostrando essa dancinha ridícula”? Porque eles têm público para ver seus conteúdos e porque a nossa forma de se comunicar mudou. 

Acontece, que o filtro e as perguntas certas sobre o motivo que nos leva a perder ou investir tempo em determinados conteúdos, somos nós quem devemos fazer. 

A revista Época Negócios publicou um artigo muito interessante sobre como a publicidade de eventos, usa a expressão: “você não pode ficar de fora” e como isso potencializa o FOMO. Leia a matéria aqui. 

Se você quiser identificar se está com a síndrome FOMO, faça um teste de dependência da internet que está disponível no site do Hospital das Clinicas de SP, clica aqui.

O site também traz diversos artigos e dicas de livros super interessantes sobre o tema. Para acessar, é só clicar nos nomes abaixo:

ARTIGOS

LIVROS

Recentemente compreendi que nem mesmo uma mulher segura de si e com tanta informação sobre os cuidados que devemos ter, como eu, está isenta de viver uma síndrome como essa. Até porque, minha vida profissional está 100% pautada em leituras, pesquisas, buscas e muitas delas, feitas via computador e celular.

Me percebi ansiosa e logo entendi qual era o motivo. Analisei o peso do impacto que esse consumo estava exercendo sobre mim e então, comecei a dedicar mais tempo ao meu ócio*. Algo que tanto aprecio e defendo. 

Não estou dizendo aqui, que devemos parar de buscar, nos informar ou socializar nas redes, pelo contrário. Se nossa forma de comunicação é essa, que possamos usá-la da melhor forma. Mas, infelizmente não nos prepararam pra isso. 

Segundo a OMS, o Brasil é o país mais ansioso do mundo. E essa estatística também traz problemas que prejudicam a nossa saúde, criatividade, produtividade e raciocínio, além de prejuízos à saúde e bem estar.

Não precisamos estar a par de tudo (volto a dizer: não conseguiremos nunca) e devemos ter nossos momentos de silêncio e de escuta. 

Também precisamos analisar o nosso comportamento e fazer algo para e por nós mesmos!

Chris Corcino

Consultora de Varejo, Administradora e Especialista em Negócios de Moda. Atua com foco em estratégias de aprimoramento sobre comportamento e consumo, gestão visual de lojas e treinamentos para equipes.

*Ócio:

substantivo masculino - 1. cessação do trabalho; folga, repouso, quietação, vagar. 2. espaço de tempo em que se descansa.

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Consultora de negócios de moda Mentoria, cursos e palestras com temas sobre o varejo de moda, consumo e comportamento.

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