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Para ter sucesso, admita a incerteza!

Cada vez mais me convenço de que a coisa mais inútil do mundo é a certeza. Esse mundo de respostas prontas, que não permite dúvidas, cheio de verdades e conclusões é absolutamente cansativo – e, inclusive, torna as pessoas cheias de certeza igualmente cansativas, uma companhia chata, que a gente vai perdendo o prazer em ter por perto.

As pessoas cheias de certezas transbordam julgamentos. São as primeiras a tirar conclusões sobre situações que veem, sobre fatos e sobre o comportamentos dos outros, como se soubessem de pronto todas as causas e motivações que todas as pessoas têm para agir. As pessoas que admitem a incerteza podem ter um pensamento a respeito de uma situação, mas vão sempre admitir que podem estar enganadas e, assim, não julgarão. Buscarão saber melhor. Talvez “achem” que compreendem, talvez possam sugerir motivações, mas nunca tirarão conclusões precipitadas sobre algo que não podem, como o comportamento do outro.

Pessoas cheias de certeza são finitas. As conversas com essas pessoas simplesmente não acontecem, acabam se tornando monólogos entediantes. Para qualquer coisa que se diga a elas, terão belas frases prontas, lições, ensinamentos. Pensam que já aprenderam tudo e por isso se acham prontas para ensinar tudo. Assim, não há troca: qualquer assunto que se inicie será logo finalizado com o ensinamento XXXX de YYYY; só haverá continuidade para um diálogo com essas pessoas se o outro estiver realmente interessado em ouvir, ouvir, ouvir… e não em trocar.

Estou quase convencida de que a certeza é a coisa mais inútil: ela nos anula, nos põe um ponto final. Quando você tem certeza, sua busca é encerrada – você pensa que sabe o suficiente e, assim, parte para novas buscas. É um engano! Na verdade, pensar que está certo nos deixa na superfície de todas as buscas, porque não nos permite a única coisa que nos leva a chegar perto de compreender um pouco mais do que está no fundo: a dúvida permanente.

A certeza também mata os relacionamentos: no início, no momento da incerteza, quando estamos inseguros, precisamos provar o que temos de melhor, queremos oferecer o melhor, satisfazer as necessidades do outro, e por isso buscamos conhecê-lo cada vez mais. Há uma troca. Horóscopo, prato preferido, cor, música, número do sapato – é tão grande a lista! Todo bom relacionamento é, na verdade, fruto de uma incerteza. Com o passar do tempo, a certeza da conquista vai gerando uma zona de conforto e pensamos que não precisamos mais aprender – afinal, já sabemos tudo do outro! Já fizemos tudo, já garantimos a companhia, temos certeza de que somos amados, pensamos que seremos para sempre. Mas esquecemos que as pessoas estão sempre em transformação, e que a pessoa com quem vivemos há dez anos não é mais a mesma pessoa de dez anos atrás! Já parou para se permitir a incerteza sobre essa pessoa agora, dez anos depois, ou tem certeza de que já sabe tudo sobre ela?

Isso acontece em todos os aspectos da nossa vida. Quando aprendemos a dirigir, quando assumimos um novo trabalho, quando conhecemos novos amigos. No começo, a incerteza nos leva a buscar a troca, o aprendizado; com o tempo, caímos no conforto e deixamos que a certeza nos cegue. Adoecemos.

Nossas verdades, ao fim das contas, simplesmente não existem. Todas as vezes que julgamos alguma coisa, o fracasso é inevitável! Já desfiz amizades, já magoei pessoas, já falei coisas que não deviam ser ditas, simplesmente porque entendi verdades que não existiam. Em todos esses casos, somente quando me abri ao diálogo compreendi motivações dos outros, que me provaram o que eu já devia saber: eu não sabia nada. Acredite: eu não sei, você não sabe, ninguém sabe. Você não sabe o que quis dizer o olhar do rapaz para a mesa ao lado. Você não sabe o motivo que levou uma pessoa a contar uma mentira. Não sabe o que o colega quis dizer com o “bom dia” mal pronunciado. Você não sabe nem mesmo o que motiva suas próprias ações! E se você sente mesmo a necessidade de ter certeza, aceite o fato de que o primeiro ponto a compreender é você mesmo, porque provavelmente você não sabe nem mesmo o que motiva suas próprias decisões. Somos movidos por mensagens que recebemos em épocas que nem tínhamos consciência, por traumas, por padrões de comportamento que vivenciamos, e nada disso é transparente para nós.

Quando assumimos a incerteza, na verdade, estamos admitindo um risco – e aí sim, o maravilhoso acontece. Quando há um risco, como o risco de perder o namorado ou o emprego, o risco de bater o carro, de faltar dinheiro, de chegar atrasado, sobre isso é que evoluímos: buscamos alternativas, estamos preparados, estamos aptos a perceber oportunidades, encantamos as pessoas. O pensamento baseado em risco é que nos leva a evoluir, nunca a certeza.

A incerteza é, na minha opinião, uma das coisas mais grandiosas que existe. Admitir “não sei” é um ato de coragem e de humildade, não torna você menor, e sim maior; é a alternativa mais certa para quem se importa com os relacionamentos e tem alguma intenção, por menor que seja, de expandir seu universo. Permita-se!

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Patrícia Moresco
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Poeta e cronista, analista de sistemas especialista em web design, apaixonada por cores e por comunicação. Estudiosa incansável de planejamento e estratégia. Adepta da inovação. Movida por desafios.

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