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Saiba como as APLs estão movimentando a economia paranaense

Saiba como as APLs estão movimentando a economia paranaense

O que você acha da ideia de se aliar a um concorrente para trocar informações a fim de desenvolver a economia do seu estado? Há duas décadas, no Paraná, essa estratégia vem sendo adotada pelos Arranjos Produtivos Locais (APLs).

APLs

Essas aglomerações de empreendimentos e empresas que apresentam especialização produtiva mantêm vínculos de articulação, cooperação, interação e aprendizagem com o governo, instituições de crédito, associações empresariais, ensino e pesquisa. No Brasil, o grupo de trabalho permanente para as APLs é coordenado pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. Já no Paraná, em 2004, foi criada a Rede APL do Paraná pela Secretaria de Planejamento do Governo do Paraná que visa o desenvolvimento equilibrado e sustentável no setor produtivo estadual.

Ainda, em 2008, por iniciativa do Sebrae-PR, Assespro-Paraná e da Secretaria de Planejamento foi fundada a Rede APL de TIC do Paraná. Tal iniciativa foi desenvolvida para apoiar as ações específicas do setor de tecnologia e inovação.

Simplificando, as APLs são empresas produtoras de bens e serviços, revendedoras, fornecedoras de equipamentos e outros insumos, prestadoras de serviços, clientes, associações, representações e demais organizações voltadas ao treinamento de recursos humanos, desenvolvimento da informação, pesquisa etc. Podem ser formadas por fábricas, lojas, artesãos, entre outros. É importante salientar que para fazer parte de uma APL, a empresa deve estar situada na área de atuação do arranjo produtivo. Para isso, é feito uma análise das gestoras regionais das APLs, que podem ser instituições públicas ou privadas.

A iniciativa de cooperação entre as empresas é uma estratégia que permite o alcance de vantagens competitivas que dificilmente seriam desenvolvidas se elas trabalhassem isoladas de seus parceiros-concorrentes. Além disso, a relação entre essas empresas pode ser de forma horizontal ou vertical.

Estrutura horizontal

Neste tipo de estrutura, os funcionários  possuem autonomia para tomar suas próprias decisões, que são relatadas a apenas um gerente, ou seja, é um sistema mais informal, muito comum em empresas menores. Esse modelo tem um custo menor, pois não há  necessidade de contratar vários gerentes. Além disso, como a burocracia é menor, os funcionários podem se sentir mais motivados na realização das tarefas. Porém, a medida que a empresa cresce, a relação horizontal pode tornar alguns processos mais difíceis de gerir. Por exemplo, em empresas muito grandes, os funcionários que se dirigem a apenas um gerente geral podem se sentir perdidos a respeito de suas responsabilidades, por isso, é bom contar com gerentes setoriais a fim de delegar essas tarefas mais específicas.

Estrutura vertical

A estrutura vertical é aquela que representa a gestão clássica de uma empresa. Ou seja, a organização é hierárquica, com topo, meio e base. Esse modelo tem uma alta cadeia de comando e organograma fixo.

O organograma da estrutura vertical tem vários níveis administrativos e hierárquicos. No topo do organograma está o presidente da empresa e, depois, cada divisão é composta por uma série de funções intermediárias e supervisores, que são responsáveis por vários departamentos. Dessa forma, os cargos e funções são bem definidos. Os gestores de cada setor controlam as informações estratégicas e os funcionários apenas cumprem as ordens superiores. 

Nesse modelo, as tarefas são melhor designadas aos departamentos e funcionários, uma vez que cada um tem responsabilidades bem definidas. Contudo, eles são dependentes de um forte líder no topo. Por exemplo, se o presidente da empresa tomar uma decisão equivocada, toda a estrutura pode ser prejudicada.

Vantagens das APLs

A concentração no mesmo local geográfico das empresas que operam no mesmo setor traz muitas vantagens econômicas à medida que promove competitividade e a inovação.

A integração nas APLs, muitas vezes, é um meio para que as pequenas e médias empresas alcancem economias de escala que de outra maneira não seria possível. Essa integração é consistente, uma vez que a formação de alianças entre  empresas que exercem a sua atividade no mesmo setor, reduz as incertezas do negócio, o que pode significar ganhos comuns maiores do que os ganhos individuais que poderiam conseguir. 

Como a formação das APLs podem ocorrer por meio de relações verticais, em que são destacadas as alianças estratégicas sob a ótica fornecedor-cliente, ou entre pares (relações horizontais), a concentração geográfica dessas “competidoras” permite o desenvolvimento de estratégias de cooperação entre si, com destaque para a cooperação no setor tecnológico.

As vantagens competitivas desses aglomerados de empreendimentos e empresas estão relacionadas com o fácil acesso a fornecedores, à captação de mão-de-obra especializada, ao desenvolvimento dos canais de informação, ao desenvolvimento e acesso à tecnologia e também ao desenvolvimento de curvas de aprendizagem mais simplificadas.

Além disso, os participantes das APLs podem dividir maquinário, organizar treinamentos e capacitação de mão-de-obra com custos reduzidos, pois podem ser divididos entre elas.

Case de sucesso APL Moda Bebê

A cidade de Terra Roxa, localizada no oeste do Paraná, possui mais de 40 fábricas de confecção, sendo reconhecida nacionalmente pela produção da moda bebê, o que corresponde a 35% da arrecadação do município.

Dessa forma, a  APL Moda Bebê, localizada nessa cidade, é conhecida por desenvolver ações para a identificação de novos mercados. Um exemplo de sucesso nesse ramo é o da empresa Paraíso Moda Bebê. Recentemente, a  empresa começou a fazer exportações para o mercado americano. Isso se deve ao fato da empresa ter participado de um projeto em parceria com a Small Business Development Center (SBDC) que estimulava a exportação de pequenas empresas brasileiras a diversos países.

Assim, como o case de Terra Roxa, a formação de APLs possibilitam o aumento do nível gerencial das empresas, a captação de recursos para a viabilização de projetos, competitividade das empresas participantes por meio do conhecimento e uso de ferramentas e modelos de gestão. Além disso, a capacitação de recursos humanos é melhorada por meio de parcerias com as instituições de ensino regionais, contribuindo para a melhora da qualidade de produtos e serviços, desenvolvimento de novos produtos e tecnologias e, consequentemente, possibilitando o acesso das empresas aos mercados internos e externos.

 


 

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