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“Sociedade Espetáculo”: A economia de consumo

“Sociedade Espetáculo”: A economia de consumo

Estamos vivendo em um mundo hiperconectado, hipermidiático, dispersivo e imediatista. Buscamos pela urgência de respostas e ficamos ligados a tudo que acontece ao nosso redor. A cultura é permeada por uma linguagem universal mediada por imagens e seguimos reproduzindo pequenos espetáculos do nosso cotidiano, configurando a Sociedade Espetáculo.

De acordo com Guy Debord, essa sociedade refere-se ao mundo das pseudo-necessidades, o mundo da economia do consumo, o mundo do espaço-tempo da “monotonia imóvel”, o mundo em que o viver tornou-se uma representação caricata da própria forma-mercadoria, enfim, o mundo em que o valor de troca das mercadorias acabou por dirigir o seu uso.

Para alguns estudiosos, o que nos une é uma abordagem que insiste em afirmar que por meio da análise da cultura de uma sociedade - as formas textuais e as práticas documentadas de uma cultura - é possível reconstituir o comportamento padronizado e as constelações de ideias compartilhadas por todos que produzem e consomem textos e as práticas culturais daquela sociedade.

Essa é uma perspectiva que enfatiza a atividade humana, a produção ativa da cultura ao invés de seu consumo passivo. Estamos vivendo em um momento onde há cada vez mais informações, mensagens, produtos e ofertas, porém, menos significado. Por exemplo, podemos observar que a cada avanço tecnológico, a sociedade muda em um ritmo acelerado, mas a humanidade prevalece entre nós, uma vez que a tecnologia intensificou a necessidade das conexões emocionais e histórias que nos tornam mais humanos.

O espetáculo se deve ao fato de que tudo que era antes vivido diretamente pelas pessoas, tem se tornado uma espécie de representação. Os micro espetáculos são representados por cada um de nós, com fotos, vídeos e compartilhamentos circulando pelos grandes palcos, as redes sociais

Relação entre marca e público

Antes das marcas decidirem contar suas histórias, é preciso que elas escolham um elemento essencial que afete o público. Por exemplo, quando a marca sintoniza a sua verdade com a verdade das pessoas por meio de enredos carregados de valores humanos, ela pode criar valor e evoluir sua relação com seu público a um nível superior.

Utilizar o storytelling apenas como uma ferramenta de persuasão a fim de atrair o público para vendas específicas pode acabar manchando a reputação da empresa.

O consumidor não é mais passivo. Hoje ele é coautor das histórias construídas pelas marcas. Ele produz plenamente em uma cultura participativa e hiperconectada, uma vez que interage com os acontecimentos em tempo real.

A humanização das marcas

Quando boas histórias são maiores que produtos, as marcas se tornam humanizadas. Isso pode ser considerado um diferencial ou legado. Narrativas originais e autênticas geram identificação com o público e estabelecem conexões emocionais. São enredos baseados em histórias reais.

A verdade está na vulnerabilidade, uma vez que as empresas podem promover uma conversa significativa com as pessoas, sem controlar os elementos da história.

Um bom exemplo de marca humanizada é a Dove. A campanha “Retratos da Real Beleza” (no inglês, Dove Real Beauty Sketches) contagiou o público por vários motivos. Focou na audiência, como protagonista e heroína, tocando em uma questão humana e relevante. Em sua narrativa, reuniu a verdade da marca e o seu propósito, transferindo autenticidade, transparência e originalidade para o conteúdo.

A Coca-Cola reinterpretou e reinventou o significado da marca e mercado de atuação do seu negócio. Ela conseguiu redimensionar seu propósito e papel na vida do público, fortalecendo a reputação da sua marca. Além de gerenciar os produtos, a empresa compartilha histórias humanas que visam aproximar as pessoas mais distantes.

Grandes histórias são compartilhadas porque criam vínculos com o público e geram viralização. Além disso, contagiam o ser humano, promovendo várias ideias em sua mente. Isso ocorre porque somos transportados emocionalmente para dentro daquele universo, imersos na narrativa contada.

Em resumo, as empresas podem assumir o compromisso de representar a sociedade, ousando em transformar a cultura. Dessa forma, as campanhas podem ser mais voltadas às pessoas e menos orientada ao produto, contando histórias relevantes em que o protagonista é a audiência, não a marca. Isso é essencial para entrelaçar o propósito da empresa com o que realmente é importante para o público. 






 

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