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Trabalho x Resultado

Trabalho x Resultado

 

  Há algum tempo ouvi de um colaborador: “você vai me demitir?”.

 Esta é uma pergunta que nos faz refletir sobre muitas coisas, principalmente no que tange a zona de conforto que vivemos e também do cotidiano que nos faz consumir de tudo e que por conta disso não nos permite mudar de ideia tão facilmente quanto deveríamos. E essa questão, muitas vezes, assombra o ambiente de trabalho.

Respondi a ele, de forma breve, com outra pergunta: “você vai se demitir”?

Este assunto se transformou numa conversa de pelo menos uma hora e meia e me fez refletir sobre alguns pontos importantes, dentre eles:

Se você chegou a pensar que seu chefe poderá dispensar seus serviços é pelo fato de que seu (in)consciente lhe diz que algo deu errado na relação do trabalho, seja no âmbito comportamental ou produtivo.

Eu não costumo contratar pessoas para simplesmente dispensá-las sem razão, visto que há um custo elevado envolvido em cada processo rescisório, fora todo o tempo e recursos dispensados com treinamento e adequação do colaborador para com a empresa.

Por costume, faço longas entrevistas com os candidatos que demostram interesse pela empresa e busco explicar o processo de trabalho com riqueza de detalhes, de maneira franca e principalmente poupando surpresas no futuro para ambos os lados antes de assinar o contrato de trabalho. Entretanto, algumas vezes as coisas não saem conforme o planejado, ou seja, na entrevista é uma conversa, na prática é outra.

Mas qual é o motivo disto acontecer em muitas contratações ou também na criação de um novo negócio? Cada vez mais, vejo que há falhas na definição dos objetivos profissionais e de pessoais de quem está buscando um emprego ou abrindo um novo negócio.

Se uma vaga de emprego ou uma oportunidade de um novo negócio existe, é porque há demanda a ser atendida. Por detrás desta demanda há expectativa(s) ou necessidade(s) de alguém, seja este um cliente ou uma empresa.

Há fatores que auxiliam no processo de suprir estas expectativas ou necessidades e que nos fazem refletir se estamos no caminho certo e alinhados com nossos objetivos, tanto profissionalmente quanto pessoalmente:

  • Empenho

    • Empenho é o compromisso que se tem com o trabalho a ser realizado. Quando surge uma demanda, é preciso entender o que deve ser feito para resolver da melhor forma, ou seja, com eficácia. Empenho não significa fazer horas extras ou criar soluções mirabolantes. Empenho é fazer algo com eficácia, que seja útil, tanto pra ti quanto para quem receberá a sua dedicação.
  • Dedicação

    • Dedicação é o amor e consideração que tem pelo que faz. Se for abrir um negócio, ame-o, pois uma empresa é como um filho e as coisas que realizará para que ela se mantenha viva no mercado demandam de muito amor e carinho pelo que faz. Se entrou em um emprego, ame-o, pois é dele que colherá os resultados que alimentarão seus objetivos profissionais e pessoais. Um profissional que não é dedicado, que não ama o que faz, ganha somente o dinheiro e perde todo o resto.
  • Prazer

    • Prazer são emoções e bons sentimentos pelo que faz. É desumano dedicar oito ou mais horas do seu dia para uma tarefa que não lhe traz o mínimo de emoção ou vontade. A vida precisa de alegria, e boa parte dela passamos dedicando o tempo ao trabalho, portanto, quando definir um objetivo profissional, veja se ele lhe trará alegria.
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  • Dinheiro

    • Dinheiro é algo que deve ser encarado como consequência de um trabalho realizado e não como um objetivo. Na vida há pessoas que contam dinheiro e aquelas que contam histórias, independentemente da quantidade que conseguiram acumular de riquezas, seja muito ou nada. Por outro lado, há pessoas que não tem nada para contar além do dinheiro que possuem, seja pouco ou muito.
  • Estresse

    • Estresse é derivado da pressão sofrida no cotidiano, seja pelos clientes, pelo chefe, colegas de trabalho, família ou de si. Gera desequilíbrio e desgaste do corpo e mente, prejudicando a ti e o ambiente em sua volta. Se há um nível de estresse elevado no que está desempenhando é porque chegou a hora de rever o que está realizando. O que escolhi como profissão ainda me dá prazer? Estou fazendo a coisa certa? É benéfica a relação que tenho com o cliente que está gerando este estresse?
    • Se suas respostas forem negativas, é um alerta de que algo está errado e precisa ser replanejado. Talvez você já não sinta mais prazer, não queira mais se dedicar e se empenhar nas atividades que executa. Converse com as pessoas em sua volta e avalie se seu foco não está voltado apenas para o dinheiro. Ouvi certa vez do meu gerente, quando ainda era estagiário: “Você promove o melhor colaborador da produção, pelo seu empenho e dedicação e acaba ganhando um péssimo gerente e ainda por cima, perde um excelente funcionário”. Um “não” para uma “oportunidade” as vezes faz bem.
  • Perfeccionismo

    • Perfeccionismo não significa eficácia. Fazer de forma perfeita não significa que está bem feito, e isto atrapalha em muito profissionalmente. A busca pela perfeição pode gerar um custo muito alto para o seu negócio ou emprego, principalmente no fator tempo de execução. Não significa também fazer as coisas com displicência e desleixo. Aprimore suas atividades ao longo do tempo, conforme amplia sua experiência no negócio ou emprego e as coisas que executa ficarão melhores a cada dia. O perfeccionismo pode simplesmente “travar” o seu cérebro, jogando sua produtividade no “ralo” e lhe causando um alto nível de estresse.
  • Sociedade

    • Sociedade é o agrupamento de seres humanos que convivem de forma organizada, que tendem a seguir um padrão comum e uma coletividade. Desde o surgimento do Homem, há uma busca pela convivência “harmônica” da sociedade, entretanto somos muitos e cada um com uma opinião divergente em cada aspecto da vida social. Porém há os que se importam com o que a sociedade pensa e há os que vivem e se fazem de exemplo para ela. Quem nasceu na década de 80, possivelmente viu a cultura de que “se não estudar e não fizer uma faculdade, será um ninguém na vida”, ou seja, este era um desejo social daqueles que nasceram em décadas anteriores e tinham dificuldades de ganhar mais por conta dos estudos. É evidente que os estudos colaboram para uma colocação no mercado de trabalho, entretanto não garante nada. A questão é olhara para o que você deseja e não para o que a sociedade espera de você. Não seja um médico que odeia a medicina e que se formou pois alguém queria vê-lo como tal ou pelo dinheiro que ela pode proporcionar. Seja um médico porque ama a profissão e sente-se realizado naquilo que faz e que pela dedicação e empenho pode contribuir com soluções para a sociedade e não apenas subtrair dela o seu lucro.
  • Utilidade

    • Utilidade é a serventia de algo ou de um serviço prestado. Qual a utilidade do que você executa dentro do seu trabalho ou com o seu negócio? O que executa agrega alguma coisa pra ti e para a empresa ou você é apenas um “tapa buraco” de uma rotina que poderia ser executada por uma máquina qualquer, por exemplo? Executar tarefas não úteis pode gerar desgaste emocional e desprazer, portanto é algo a ser muito bem pensado.
  • Qualidade de vida

    • Qualidade de vida são condições básicas do ser humano, como bem-estar psicológico e físico, bom relacionamento com a família, boa saúde e alimentação, espaço de tempo para um lazer social, etc. Seu emprego ou negócio lhe proporcionam qualidade de vida?
  • Estudo

    • Estudo é o processo de aprendizagem através da obtenção de conhecimento de um ou mais assuntos. Um trabalho eficaz demanda de muito conhecimento teórico e aprimoramento pela prática. Atualmente o acesso a informação é amplo por conta da internet e suas diversas plataformas de compartilhamento de conteúdo, portanto estudar é algo que já faz parte do cotidiano e não somente dos bancos escolares. A teoria e a prática andam lado a lado e a evolução de ambas depende da aplicação e aprimoramento das técnicas até então conhecidas sobre determinado assunto. O quanto tem se dedicado a aprimorar seus conhecimentos?
  • Sucesso

    • Sucesso é aquilo que traz êxito, triunfo, reconhecimento. Muito se vê e se mede o sucesso pelo quanto aparece na mídia, pelo número de “likes” ou seguidores. Há influencers para todo o tipo de assunto e tudo vira moda do dia para noite, assim como deixam de ser moda. Sucesso vai além disso tudo. Ter sucesso de fato ou ser uma pessoa de sucesso é olhar para trás e ver que construiu um legado sobre o que se destinou a empenhar seus esforços. Seja reconhecido ou não pela maioria da sociedade, isto é secundário. O importante é saber que seu legado é útil e de alguma forma auxilia ou auxiliará quem virá depois de ti para executar ou melhorar aquilo que se fazia. Sucesso é ser feliz no que faz, é passar por todos os tópicos que levantei anteriormente e ter certeza de que está fazendo a coisa certa para a sua vida. É levantar todas as manhãs e não pensar “que droga, tenho que trabalhar hoje”. Ter sucesso é comemorar a vida, é celebrar cada pequena vitória no seu emprego, no seu trabalho, na vida com a sua família.

Por fim, podemos concluir que qualquer que seja o trabalho sempre haverá um resultado, positivo ou negativo, seja pra ti, para seu cliente ou para seu chefe. A questão principal é o que o trabalho está gerando de resultado pra você. Não se contente apenas com o dinheiro, ele é só uma consequência, contente-se com a alegria de fazer o que gosta. Procure identificar se o que faz hoje é aquilo que realmente lhe traz vida ou se é apenas algo para mostrar pra alguém. Há excelentes bailarinas atuando como péssimas jornalistas, como há bons administradores que seriam brilhantes músicos. Não permita que os rótulos sociais e econômicos façam de ti um profissional infeliz.

É fácil? Com certeza não, mas não é impossível. Permita uma reavaliação da sua vida!

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