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Uma análise Microeconômica

Uma análise Microeconômica

Uma certeza: o formato dos negócios está passando por grandes alterações e grande parte do funcionamento dos empreendimentos precisará ser revista. A análise Microeconômica, busca mostrar as tendências que devem ser notadas, para repensar as atividades dos negócios. De acordo com Drucker (1987), nem sempre os empreendimentos surgem tendo por fruto atitudes empreendedoras, mas estes assim se tornam quando em situações de riscos, seus empreendedores são capazes de se reinventar!

As mudanças empresariais frente às situações, que até então eram consideradas habituais, não mais serão possíveis (KAMLOT, 2017). E é neste aspecto que surge a resiliência! Fato que exprime o perfil dos empresários brasileiros, sua capacidade de se reinventar diante de situações desfavoráveis ou traumáticas (TEIXEIRA; SANTANA, 2015). Caso como o que está acontecendo neste momento – o caos gerado pela pandemia COVID-19 ou COVID-19. Explicá-lo não é o objetivo deste post, antes sim, tenciona gerar um contributo à classe empresarial que se sente impotente diante da situação atual.

O momento pelo qual o País estava se encaminhando, repercutia em avanços econômicos, sociais e ambientais. Novas demandas movimentavam a economia, inclusive a de ocorrer um ano de produção agrícola excelente, mercado que movimenta o comércio local, estadual e nacional. Mas, e agora? É fato que muitos problemas estão se gerando a partir da realidade do COVID-19. Porém, a superação de adversidades é um dos atributos observados na classe empresarial, momento propício para o teste destas habilidades. As mudanças mundiais são iminentes, mas compreender como elas podem ser adaptadas para a realidade que está desenhada, torna-se importantes.

ANÁLISE MICROECONÔMICA

Um dos impactos da pandemia tem sido a alteração dos padrões de consumo dos indivíduos: a quarentena fez com que os brasileiros deixassem bares, restaurantes, supermercados e outros estabelecimentos para consumirem em suas casas, com alguns toques na tela do celular ou cliques no computador. As famílias têm feito suas refeições em casa: isso elevou o preço dos itens da cesta básica em quase todas as capitais pesquisadas pelo DIEESE (2020) e IBRE/FGV(2020).

Outra forma de se alimentar, que está em alta, nesse período, é através de aplicativos de delivery: os consumidores fazem seus pedidos pela internet e recebem os alimentos na porta de suas casas. Essa mudança de comportamento tende a ser duradoura, uma vez que as pessoas que têm contato com familiares do grupo de risco evitarão se expor a aglomerações mesmo que passada a quarentena. Se, por um lado há um aumento do consumo de bens e serviços externos, existe uma situação, um pouco mais adversa que é a das famílias que, por conta da diminuição da oferta de trabalho, enfrentam restrição de renda, de modo que o consumo tem se voltado para o essencial.

Desse modo, a compra de bens duráveis como eletrodomésticos ou carros está comprometida, pois há um cenário de incerteza relativa aos empregos e ao recebimento dos salários. Quanto às empresas, muitas estão fechadas ou com trabalho reduzido. Na busca de não parar e de atender às demandas dos clientes, algumas adotaram formas alternativas de trabalho, como o home office. A maior preocupação é a redução do fluxo de caixa, que compromete o pagamento de trabalhadores e fornecedores. Nesse sentido, aquelas firmas que têm um planejamento estratégico para emergências e/ou, ainda, possibilidade de adaptação de sua estrutura produtiva, estão apresentando melhores respostas para esse momento de crise.

ANÁLISE DE MERCADO

Analisar a estrutura do mercado em que a empresa está inserida é fundamental para sua manutenção. É preciso saber: quantos e quem são meus concorrentes? São "grandes", ou seja, têm uma estrutura de custos que permite trabalhar com um preço menor? Os produtos da minha empresa têm algum diferencial, como qualidade, oferta em localização estratégica, tradição no mercado, reputação com os consumidores? Essas perguntas são fundamentais para se começar a avaliar o mercado de atuação e entender qual é a demanda e a oferta.

A demanda ou procura indica uma relação entre a quantidade de um bem ou serviço e o preço do produto, a renda dos consumidores, os outros semelhantes ou complementares a ele, além das próprias preferências dos consumidores. De modo geral: se o preço de um produto é reduzido, aumentasse a demanda por ele. Se há dois produtos muito semelhantes, de modo que um possa ser substituído pelo outro, e o preço de um deles aumenta, a tendência é que a demanda pelo outro aumente, isto é, como os produtos são semelhantes, as pessoas preferem aquele que tem o menor preço. Se a renda do consumidor aumenta, a tendência é que mais produtos sejam consumidos; se dois produtos são complementares, como pão e margarina, se o preço do pão sobe (e as pessoas compram menos pão), a tendência é que o consumo de margarina caia também. Além de tudo isso, a procura pelos bens e serviços de uma empresa, ainda dependem das preferências e gostos do consumidor, da propaganda que a empresa faz, da localização e de outros fatores que, algumas vezes, são subjetivos.

Assim, entender a demanda do seu negócio perpassa por responder perguntas como:

  • qual é o preço do meu produto ou serviço e como ele se compara ao das outras empresas da minha região?
  • O meu produto tem algum substituto?
  • O meu produto é consumido, geralmente, com algum outro?
  • Qual é a renda da pessoa que consome o meu produto ou serviço?
  • Qual é o perfil desse consumidor; jovem, idoso, tem acesso às redes sociais, mora com a família, consome com frequência?

É importante que toda a empresa tenha clareza sobre o que está produzindo, para quem e por quê. Isso faz muita diferença nesse momento porque indica qual o impacto da crise no negócio e qual deve ser o foco para enfrentá-la. A oferta é uma relação da quantidade que o produtor (seja comerciante, industrial ou prestador de serviços) está disposto a oferecer em função do preço do produto e seus custos de produção.

De modo geral,

i) se o preço do mercado aumento, a quantidade ofertada aumenta;

ii) se os custos de produção são reduzidos, a tendência é que se aumente a oferta.

Nesse sentido, os fatores que podem afetar a oferta, podem ser os preços dos insumos, a tecnologia empregada, os impostos, entre outros fatores que alteram as expectativas dos produtores.

Desta forma, para entender o comportamento da oferta de sua empresa, deve-se refletir:

  • Qual é o comportamento da minha empresa quando os preços sobem ou caem?
  • Quais são os custos da minha empresa?
  • Quais são fixos e quais são variáveis?
  • Qual o impacto na minha produção se o custo de um insumo importante aumentar?
  • Como as tecnologias que eu emprego reduzem os meus custos?
  • Qual é o peso dos impostos no meu custo?

Em momentos como esses, a empresa que conhece sua estrutura de custos e sua oferta pode traçar com mais clareza as medidas para readaptar a sua linha de produção, reduzindo custos e vendo até que ponto é possível manter a empresa funcionando.

 

 - Baseado no Ebook - Resiliência das Empresas  - análise de Mercado e Organização Empresarial em período de crise para uma retomada segura.

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