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A Construção Civil no Novo Mundo.

A Construção Civil no Novo Mundo.

"Coisa de mulherzinha"

"Está de TPM, é?"

"Não sou preconceituoso, tenho até amigo negro e viado."

"Ela tem cabelo ruim"

"Fulana, tem um pé na cozinha" 

Expressões como essa são comuns no cotidiano brasileiro. De norte a sul, de leste a oeste, acostumamos e relativizamos este comportamento como algo comum, rotineiro, aceitável e até, em alguns casos, sinônimo de poder - remetendo o comportamento Casa Grande/Senzala.

Na construção civil, comportamentos destes são extremamente comuns. Por um lado, historicamente, é um setor composto por homens (do escritório a execução) - e, dessa maneira, acentuando ainda mais as idiocrassias brasileiras. Por outro, devido ao próprio preconceito social que a construção civil enfrenta como atividade (Sugiro ler: Ser Operário da Construção Civil é Viver a Discriminação Social - Livia de Oliveira Borges, Tamara Palmieri Peixoto)

Porém, esse comportamento histórico apresenta consequências claras ao setor.

Primeiro, é um comportamento inaceitável - é uma forma de pensar intrínseca do autor, inegociável, e sem compromisso algum com responsabilidade técnica na elaboração do artigo (com respeito, mas faço este parágrafo licença poética para me expressar pessoalmente).

Segundo, comportamentos como descritos acima geram enorme antipatia social nos tempos atuais, diminuindo em muito a percepção de valor do setor, principalmente para as gerações mais novas. Segundo estudo da McKinsey a geração Z apresenta 6 características básicas: Pragmáticos, Selfies reais, Meme Thinkers, Comunaholics, Conversadores e Indefinidos. Os últimos quatro itens em negrito, todos impactam em nossos negócios. Possuem indefinições de gênero, idade, classe ou religião, quebrando e contestando estereótipos, e entendo as diferenças. Paralelamente, divulgam, comunicam (se mostram, sem filtros), conversam (são ativistas) e geram Memes (fatal para uma empresa ou companhia). Vivemos numa época onde mais do que ser, tem que parecer. Imagem é fundamental.

Terceiro, a geração Z é quem vai comprar as casas do futuro. Não devido a conceitos antiquados e retrógrados (olha eu ai, novamente, utilizando minha "licença poética"), do tipo "quem casa, quer casa", mas sim porque são pessoas que entendem a relação com a casa diferente de outras gerações. Pessoas que se relacionam com a cidade de forma única: são previstos para os próximos 15 anos, 130 bilhões de reais para adequar as cidades a um modelo inteligente e millenium. Pessoas que buscam andar conectadas (sugiro lerem artigos do meu amigo e pensador, Renato Castro). Isso tem que estar explicitado nos produtos imobiliários e, com a forma de pensar das frases acima, torna-se muito difícil (Sugiro lerem meu artigo publica aqui, nesta comunidade: Será possível um ecossistema de Deep Tech na Construção brasileira?)

Por fim, vocês, empresários, gestores, profissionais da construção civil que leram este artigo,  já pensaram a quantidade de profissionais de ponta, pessoas qualificadas, quadros diferentes, etc, suas empresas perderam ao não entenderem suas formas de pensar e, principalmente, por comportamentos sociais que não são mais aceitáveis? Cogitaram medir esse impacto?

Creio que devemos refletir. E muito.

Afinal, não existe mais espaço para frases como do início do texto.

Não acham?

"Trabalhar no espírito para primeiro mudar a si mesmos e depois agir com a integração, cooperação e o amor. Esse é o caminho."

Eduardo Marinho

CONSTRUTECH - Tecnologias da construção civil e inovações para o mercado imobiliário.

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