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Biofilia e o momento em que vivemos

Biofilia e o momento em que vivemos

 

A pouco fui convidada a participar desta comunidade e compartilhar conteúdos que estudo e palestro.  Foi uma grata satisfação uma vez que o tema que abordo é tão atual quanto necessário e compartilhar o que pesquisamos nos faz aprofundarmos ainda mais nossos estudos e torná-los práticos e ativos.  Minha escolha foi descrever de forma prática, simples e familiar a minha paixão por este tema que, desde que tomei conhecimento, venho acompanhando e aprofundando pesquisas: Biofilia e Design Biofílico.

Convido você a pensar neste breve relato:

Sabe quando você pensa em suas férias de descanso, de relaxamento?

Normalmente vêm a mente, imagens de praias com nuances de azul, parques com vegetação em diversos tons de verde (de plantas e árvores), visuais incríveis do topo de montanhas ou ainda lembranças de paisagens exóticas.

Esse desejo inato* do ser humano de estar em contato com elementos naturais é o que nos faz buscar uma casa com vista para aquele parque, espaços de trabalho mais agradáveis com iluminação e ventilação naturais ou, ainda que estejamos em contato com elementos que nos remetam a este estado relaxante que a natureza nos promove e inspira. 

Por outro lado, a crescente urbanização e suas consequências, somadas à ação humana de utilização e consumo de recursos naturais, nos últimos 50 anos, acabou por nos afastar desse “instinto” de proximidade com o natural.

Hoje nos deparamos com crises ambientais sem precedentes e males de cunho psico- social cada vez mais recorrentes. 

De acordo com as teorias científicas e psicológicas sobre a necessidade intrínseca dos seres humanos pela exposição a ambientes naturais, o design biofílico, em seus padrões e características, pretende reconectar as pessoas à natureza. Esta reconexão possibilita que os ambientes respondam com mais qualidade as demandas de bem-estar do ser humano. 

Se somarmos a essas características, as transformações de comportamentos aceleradas pelo distanciamento social proveniente do momento pandêmico que atravessamos, percebe-se ainda mais a necessidade de revitalizarmos nossos espaços, sejam estes de trabalho ou domicílio, para que estes possam ser considerados lugares que atendam as nossas demandas não apenas biológicas quanto culturais.

Uma atitude imprescindível e necessária, é repensarmos a forma com que projetamos, com que consumimos, com que trabalhamos, nos relacionamos e enfim, de que forma estamos vivendo. Ao empregarmos conceitos do design biofílico em nossos projetos e ambientes, estaremos também mais alinhados com construções, projetos e ações mais sustentáveis pois, ao se estar em contato direta ou indiretamente com elementos naturais ou que nos remetam a elementos naturais promovendo um consumo consciente de tais recursos, conseguiremos alterar positivamente nossas práticas diárias e projetuais.

Além do encantamento, a pesquisa do design biofílico sugere a adoção de compromisso sustentável: conosco mesmo, com o mundo e com a qualidade de vida que desejamos para nós, para a natureza e para o mundo atual e futuro.


* Biofilia: Significa " amor à vida". Este conceito foi defendido pelo biólogo americano Edward Wilson ( livro Biophilia, ano 1984), no qual descreve como inata a necessidade de conexão do ser humano com a natureza. 

 

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Comunidade Sebrae
Luize Andreazza Bussi
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Arquiteta e Urbanista, atuante há 23 anos com Arquitetura e Arquitetura de Interiores, Mestranda em Arquitetura UFSC estuda relação Pessoa-Ambiente; Professora convidada em cursos de Pós Graduação; Palestra sobre Biofilia e Design Biofílico

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