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Resumo do Relatório Deloitte-Terracota: Construção do Amanhã

Resumo do Relatório Deloitte-Terracota: Construção do Amanhã

Foi publicado em junho de 2020 o relatório Construção do Amanhã: Panorama de inovação nos setores imobiliário e de construção do Brasil, realizado pela Deloitte e a Terracotta Ventures.

Eu sou o Tiago Campestrini, fundador da Campestrini em 2006, da startup Tecza em 2016 e da Cinco Incubadora de Startups de Construção em 2019, criador do Vale do Pinhão, programa de fomento do ecossistema de inovação de Curitiba em 2017, e do fundador do Ecossistema de Inovação de Construtechs, Proptechs e Greentechs de Curitiba, em uma iniciativa do SEBRAE-PR, em 2019.

Além da participar no conselho destas empresas e de outras 12 startups de propriedade da Cinco Incubadora, atuo com consultoria em inovação nas empresas de construção civil, construtoras, empresas de projeto e incorporadoras, com um único objetivo: colocar as empresas no mundo da inovação.

Lendo o material cheguei a uma conclusão clara: Existe uma oportunidade muito grande na construção civil, e quem souber aproveitá-lo, vai crescer muito.

O objetivo deste artigo não é substituir a leitura do material, pois o mesmo é muito completo e traz insights importantes sobre cada dado levantado na pesquisa. Meu objetivo aqui é trazer o ponto de vista da oportunidade trazida pela pequisa. Assim, trarei apenas o dado que considero o mais importante e farei meus comentários sobre esse ponto de vista, o da oportunidade. No final, faço uma conclusão.

A pesquisa foi realizada com 270 empresas de construção do Brasil, 241 corporações e 29 startups. Mais de 75% das empresas tem mais de 10 anos de mercado e 66% dos que responderam tem cargos de presidência e diretoria.

Análise: Acredito que o espaço amostral de fato possa representar a leitura do mercado da construção, assim, daqui para frente generalizarei o nosso mercado de acordo com os resultados desta pesquisa.

O Dado:

Quando perguntados sobre se possuem uma estratégia de inovação, 54% disseram que sim, 41% disseram que não e 5% não sabem dizer. 

Análise: Ou seja, metade da indústria ainda não vê a inovação como algo estratégico, a ser definido junto à estratégia da empresa. Talvez nem todas elas tenham estratégias empresariais formais, resultados de um processo de definição de estratégia, mas certamente todas tem uma estratégia empresarial, ainda que partindo apenas da visão de um dos sócios, sendo este um outro problema, muito mais grave.

A estratégia é a maneira mais inteligente para que uma empresa atinja seus objetivos, e deve receber recursos para sua criação na mesma proporção da ousadia dos seus oobjetivos. Quanto mais ousados forem os objetivos da empresa, mais se deve investir em estratégia. A Arte da Guerra ainda é considerado a essência da criação de estratégias.

A inovação hoje é elemento tão essencial quanto disponibilidade financeira da empresa durante a definição da estratégia empresarial. Quanto a empresa tem em caixa, quanto busca de lucro e faturamento são tão importantes quanto as visões de inovação de como a empresa vai se manter competitiva no mercado, ou, com os ativos que possui, como pode criar novos mercados, nichos, ou ainda modelos de negócio.

Ainda acreditar em manter sua vantagem competitiva por possuir melhores terrenos, melhor produto e/ou melhor eficiência é algo bastante arriscado, sobretudo pela entrada de players de outras áreas na Construção Civil. Hoje isto já acontece com as fintechs através do fornecimento de crédito, das plataformas de aluguel por temporada, como Airbnb, Housi e Loft, uma empresa de engenharia que faz reformas de apartamentos. Todas estas emrpesas são startups, ou seja, estão sempre buscando entregar novo valor para o mercado, e podem a qualquer momento entregar um valor melhor que o entregue hoje por nós.

Nossa indústria oferece muitas oportunidades de melhoria, por três conceitos principais: A inovação, onde tudo é possível e nos disponbiliza nvoas ferramentas para tal, o BIM, ainda com uma visão limitada no Brasil a visualização 3D, compatibilização e quantitativos, mas que como modelagem computacional oferece infinatas possibilidades, e o Lean Construction, conceitos já aplicados em praticamente todas as demais indústrias, e ainda engatinhando na Construção Civil. Estes três conceitos estão acontecendo juntos, e não é possível calcular o poder de uma nova empresa de engenharia que nasça baseada nestes três conceitos, ou ainda, de empresas existentes que baseiem suas estratégias nelas.

A oportuniddade:

Eu divido o mundo dos negócios entre empresas que buscam estar à frente criando novos mercados, e empresas correndo atrás para manterem-se vivas com suas margens e suas forma de atuar no mercado.

A diferença entre estas empresas sempre existiu, mas com a inovação aumenterá rapidamente e sistematicamente a diferença entre estes dois tipos, e agora, cada vez ficará mais complexo e difícil para as que estão correndo atrás atingirem as que estão na frente. Por exemplo, nos lugares do mundo onde o UBER ou o Airbnb chegaram antes, dificilmente serão batidos por novos entrantes, seja pelo efeito da escala, seja pelo poder de investimento e a cada dia melhor se posicionar no seu mercado. Outro exemplo é a QuintoAndar, dificilmente uma empresa e/ou startup conseguirá estar à frente desta, não só por ser um unicórnio (valendo mais de 1 bilhão de dólares) e todo o seu poder de investimento, mas também pela referência e novos modelos de negócio sendo desenvolvidos pela empresa.

Assim, a oportunidade aqui é bem clara. As empresas de construção civil de maneira geral ainda não enxergam a inovação como algo importante (pois não está na sua estratégia). É como em algum momento da 1a Revolução Industrial, onde algumas empresas texteis estavam crescendo usando máquinas a vapor, mas a maioria ainda criava seus tecidos através de artesãos. 

Os primeiros que entenderem inovação como a principal matéria prima para atuarem no mercado sairão na frente e ganharão o mercado daquelas ainda preocupadas em evitar erros de compatibilidades nas suas obras, ou cortar custos na execução das obras. Você está buscando melhorar a compatibilização dos projetos e cortas custo de obras? E acredita estar certo? Então cuidado, já tem gente usando máquinas texteis a vapor.

CONSTRUTECH - Tecnologias da construção civil e inovações para o mercado imobiliário.

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