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Pesquisa trimestral das condições de crédito – Jan-Mar/2020

Pesquisa trimestral das condições de crédito – Jan-Mar/2020

O Banco Central disponibilizou os novos dados relativos à sua Pesquisa Trimestral das Condições de Crédito na economia brasileira. Os novos dados abrangem o primeiro trimestre de 2020.

Esta é uma das pesquisas mais técnicas e pouco conhecidas do Banco Central e tem o importante objetivo de criar e difundir indicadores de tendência do mercado de crédito, tanto do lado da oferta como da demanda, medindo a percepção dos agentes econômicos sobre as perspectivas do mercado, a exemplo do que já é feito em outros países, como Estados Unidos da América (Senior Loan Officer Opinion Survey on Bank Lending Pratices), Inglaterra (Credit Conditions Survey), Japão (Senior Loan Officer Opinion Survey on Bank Lending Pratices), Chile (Estándares de Aprobación en el Mercado del Crédito Bancario), além da União Europeia (Bank Lending Survey for the Euro Area).

A pesquisa é baseada em respostas qualitativas obtidas a partir da aplicação de questionários com periodicidade trimestral enviados para as Instituições Financeiras reguladas pelo Banco Central.

A análise dos resultados de pesquisas desse tipo permite uma melhor compreensão da dinâmica do mercado de crédito, uma vez que dados agregados sobre a evolução do crédito bancário não permitem identificar se o comportamento da tendência recente está associado à demanda ou à oferta de crédito.

Conforme observado pelo Bank of England (2007)[1], se as mudanças no volume de crédito estiverem relacionadas com mudanças na demanda dos tomadores, as implicações para a atividade econômica e para a inflação podem ser diferentes de quando essas mudanças estão relacionadas à oferta de crédito por parte das instituições financeiras. Além disso, mudanças nos fatores que afetam o crédito podem ser de curta ou longa duração com diferentes implicações na atividade econômica.

No Brasil, os questionários foram elaborados procurando observar a segmentação mais comum do mercado de crédito. Assim, foram definidos quatro segmentos distintos, dois para pessoas jurídicas e dois para pessoas físicas, quais sejam: grandes empresas; micro, pequenas e médias empresas; crédito voltado ao consumo para pessoas físicas e crédito habitacional – pessoas físicas.

Os indicadores apresentados nessa NOTA, tanto os esperados quanto os efetivamente observados, referem-se somente ao crédito para empresas.

Os indicadores para Demanda, Oferta e Aprovações de Crédito possuem a seguinte escala de mensuração:

  • O Indicador de Demanda de Crédito varia de -2 (substancialmente mais fraca) a +2 (substancialmente mais forte);
  • O Indicador de Oferta de Crédito varia de -2 (consideravelmente mais restritivo) a +2 (consideravelmente mais flexível);
  • O Indicador de Aprovação Crédito varia de -2 (consideravelmente inferior) a +2 (consideravelmente superior).

I – DEMANDA POR CRÉDITO

Os dados mostram que, ainda em terreno positivo, isto é, suficientemente forte, houve uma pequena desaceleração da demanda por crédito tanto por parte das grandes empresas (Gráfico 1) quanto pelas micro, pequenas e médias empresas (Gráfico 2), mesmo que as demandas efetivamente observadas estando um pouco maiores que as esperadas pelas instituições financeiras. Deve-se salientar que os dados se referem ao primeiro trimestre de 2020, portanto, antes do início da pandemia do coronavirus.

Gráfico 1

Gráfico 2

II – OFERTA DE CRÉDITO

Os dados ilustram bem uma das características do mercado de crédito no Brasil: a oferta de crédito é muito restritiva. Isso ajuda a explicar, por exemplo, o nível das taxas de juros e as dificuldades enfrentadas pelas empresas, sobretudo as de menores portes, no acesso ao crédito e serviços financeiros de uma forma geral.

Nota-se que em poucos momentos durante a série histórica, os indicadores de oferta ficaram em terreno positivo, isto é, sinalizando uma oferta mais flexível de crédito por parte das instituições financeiras. Depois da grande queda da oferta de crédito durante a crise de 2014 a 2017, a oferta de crédito ficou mais flexível para as grandes empresas já em 2018 (Gráfico 3), enquanto que o indicador só passou a terreno positivo em 2019 para as micro, pequenas e médias empresas (Gráfico 4). Observa-se que enquanto a oferta para as grandes empresas ficou mais flexível, houve uma queda na oferta para as empresas de menor porte entre o final de 2019 e março de 2020, indicando maior restrição observada de crédito para essas empresas, maior do que estava sendo esperado.

Gráfico 3

Gráfico 4

III – APROVAÇÕES DE SOLICITAÇÕES DE CRÉDITO

O indicador de Aprovações de Crédito reflete a porcentagem de aprovação de novas operações de créditos e tem a função de indicar o encontro efetivo entre a oferta e demanda no mercado de crédito. Os indicadores mostram que ainda estão positivos, mas apresentaram uma ligeira queda entre dezembro de 2019 e março de 2020, indicando uma menor porcentagem das aprovações de crédito tanto para as grandes (Gráfico 5) quanto para as micro, pequenas e médias empresas (Gráfico 6).

Gráfico 5

Gráfico 6

Os dados mostram que já havia uma pequena deterioração do mercado de crédito no primeiro trimestre, revertendo as tendências positivas observadas no final de 2019. Com os novos dados a serem divulgados em agosto poderemos observar como se comportaram esses indicadores durante a pandemia do coronavirus.

 


[1] BANK OF ENGLAND (BofE). The Bank of England Credit Conditions Survey. Quarterly Bulletin, 2007

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GIOVANNI BEVILÁQUA
GIOVANNI BEVILÁQUA Seguir

Doutor em Economia pela Universidade de Brasília - UnB. Analista Técnico do Sebrae Nacional

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