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Aprendizagem adaptativa. Como aplicar?

Aprendizagem adaptativa. Como aplicar?

Nos últimos anos uma nova metodologia vem sendo apontada como a geradora de impacto positivo e de transformação na educação e se mostrando extremamente promissora como uma ferramenta de apoio, é a aprendizagem adaptativa.

Desde que iniciamos o período de isolamento social e com isso, a educação à distância, este assunto tornou-se ainda mais discutido nas escolas pelos gestores e professores, pois os estudantes têm menos tempo de aulas, do que haviam no período de aulas presenciais, no entanto, os níveis de qualidade devem ser mantidos, independente da modalidade aplicada.

A situação na educação no momento e a influência direta de tecnologias criadas para o ensino a distância, propiciam à novas necessidades de aprendizado em qualquer idade ou nível escolar. Somado a esses aspectos, as particularidades de cada estudante, colaboram para que a aprendizagem adaptativa ganhe espaço no planejamento de ensino e aprendizagem escolar.

Este tema mostra mais uma oportunidade para escolas empreenderem e inovarem no ensino e na gestão do conhecimento de cada aluno, pois melhora performance e rendimento da aprendizagem do aluno e serve de apoio ao professor. Vale ressaltar que a educação adaptativa, não substitui a educação presencial, ela é mais uma ferramenta complementar de apoio. Porém, estudar ainda mais profundamente a capacidade intelectual de cada aluno e compreender seu potencial, é um trabalho para a escola fazer.

Resgatando a teoria das inteligências múltiplas proposta por Howard Gardner, onde por meio de suas pesquisas defende que “as pessoas manifestam as mais distintas habilidades, mas define 9 inteligências e como elas se caracterizam:

LÓGICO-MATEMÁTICA - Habilidade para raciocínio dedutivo e para solucionar problemas matemáticos. Cientistas possuem esta característica.

LINGUÍSTICA - Caracteriza-se por um domínio e gosto especial pelos idiomas e pelas palavras e por um desejo em os explorar. É predominante em poetas e escritores.

MUSICAL - Identificável pela habilidade para compor e executar padrões musicais, executando pedaços de ouvido, em termos de ritmo e timbre, mas também escutando-os e discernindo-os. Pode estar associada a outras inteligências, como a linguística, espacial ou corporal cinestésica.  Ex.: compositores, maestros e músicos.

ESPACIAL - Expressa-se pela capacidade de compreender o mundo visual com precisão, permitindo transformar, modificar percepções e recriar experiências visuais até mesmo sem estímulos físicos. Ex.: arquitetos, artistas, escultores, etc.

CORPORAL CINESTÉSICA - Traduz-se na maior capacidade de controlar e orquestrar movimentos do corpo. É predominante entre atores, na pratica da dança ou esportes.

INTRAPESSOAL - Expressa na capacidade de se conhecer, é a mais rara inteligência sob domínio do ser humano pois está ligada a capacidade de neutralização dos vícios, entendimento de crenças, limites, preocupações, estilo de vida profissional, autocontrole e domínio dos causadores de estresse.

INTERPESSOAL - Expressa pela habilidade de entender as intenções, motivações e desejos dos outros. Mais desenvolvida em políticos, religiosos e professores.

NATURALISTA - Traduz-se na sensibilidade para compreender e organizar os objetos, fenômenos e padrões da natureza, como reconhecer e classificar plantas, animais, minerais. Ex.: biólogos e geólogos.

EXISTENCIAL - Abrange a capacidade de refletir e ponderar sobre questões fundamentais da existência. Seria característica de líderes espirituais e de pensadores filosóficos."

Gardner, recomenda ainda que, “a maneira mais difundida de aplicar a teoria das inteligências múltiplas, é tentar estimular todas as habilidades potenciais dos alunos, quando se está ensinando um mesmo conteúdo. As melhores estratégias partem da resolução de problemas. O principal desafio da educação é, portanto, entender as diferenças no perfil intelectual dos alunos e formar uma ideia de como desenvolvê-lo.

Na teoria das inteligências múltiplas, percebemos a importância de aprofundar o conhecimento sobre o perfil, potencial e a capacidade do estudante, e que no tempo em sala de aula, nem sempre permite que se faça. Mas, a educação adaptativa pode contribuir para essa lacuna de conhecimentos complementares necessários. E para isso, existem disponíveis ferramentas que podem auxiliar a aplicação da aprendizagem adaptativa.

Vamos imaginar uma sala de aula presencial, ou virtual, um ambiente que produz excesso de informação, mas conhecimento insuficiente, sobrecarregando os estudantes. E essa informação disponível; será que vai ao encontro das necessidades de aprendizagem para o mundo real? As características reportadas produzidas num ambiente de múltiplas distrações e estímulos, não deveriam nos trazer o foco para a entrega de uma aprendizagem mais personalizada?

A aprendizagem adaptativa ou personalizada, como é chamada, trará subsídios para elucidar essas respostas das questões, por meio de três pilares de suma importância na aplicação da metodologia na educação:

Aprendizagem personalizada – O conteúdo educacional do estudante pode ser personalizado por meio de um levantamento de características comportamentais e de sua capacidade de aprendizagem. Através desta análise, é preciso definir um perfil de desempenho, demonstrando suas lacunas de conhecimentos necessários, assim como recomendações de atividades para suprir essas necessidades de aprendizagem do estudante. A personalização, é trazer essas informações individuais relevantes com a devida orientação e acompanhamento do professor e gestores da escola para com cada aluno. 

Autoaprendizagem – Outro pilar precisa ser construído com o aluno, primeiro conhecendo o seu perfil, sua capacidade e anseios, para gradativamente desenvolver o domínio de aprender sem a presença física do professor, complementando o conhecimento recebido em sala de aula. Para tanto hoje, “ferramentas tecnológicas educacionais dotadas de inteligência artificial podem contribuir para esse processo ser mais fácil, pois mapeiam o perfil do aluno, a partir do seu comportamento de uso e acesso aos conteúdos, para depois auxiliá-lo na criação de seu caminho de autoaprendizagem e de forma personalizada” (2020EaDucativa – Desenvolvimento por Marketing Objetivo).

Automação -  Após essa experiência de educação a distância em que estamos vivendo, a grande maioria das escolas já experimentam alguma plataforma ou sistema de acesso à educação a distância, o que encurta a distância pois, deve ser uma prática tecnológica presente nos ambientes virtuais de aprendizagem a partir de agora. “A infraestrutura tecnológica deve ser pensada na medida em que favoreça a construção de sistemas ou conjunto de ferramentas que ajustam os métodos de aprendizagem ao destinatário dela, gerando, assim, maior objetividade no processo individual de cada aluno” (Segundo o site da - 2020EaDucativa – Desenvolvimento por Marketing Objetivo).

PRÓS E CONTRAS NA ADOÇÃO DO MODELO

Segundo Mariana Silva – da empresa NeritEduca “O que favorece o uso de plataforma adaptativa no atual ambiente de estudos?

  • As turmas são compostas de pessoas com habilidades diversas e mistas;
  • Um design de conteúdo mais apropriado às necessidades individuais dos alunos permite que o sistema avalie a capacidade deste e atribua tarefas dentro dessa capacidade;
  • O sistema ajuda o professor a identificar os talentos e habilidades naturais dos alunos;
  • Os alunos podem absorver conteúdo educacional através de diferentes caminhos educacionais personalizados;
  • O sistema ajuda a melhorar as habilidades dos alunos mais fracos, bem como desenvolver e reforçar os talentos naturais dos mais talentosos;
  • Torna possível que o professor monitore o progresso de cada aluno, geralmente em tempo real.

Quais seriam os principais desafios a serem superados no uso de uma plataforma adaptativa?

  • Dificuldade em ensinar fatos ou fornecer informações sujeitas a interpretações;
  • Os computadores nunca poderão substituir um professor em todos os seus papéis;
  • Técnicas adaptativas são menos apropriadas em certos campos da educação, como a sociologia e a filosofia;
  • Ela não é uma cura milagrosa para problemas na educação, e a aplicação desta tecnologia, se não alinhada a um projeto educacional consistente, pode não entregar os resultados desejados no desempenho dos estudantes;
  • Custos elevados de desenvolvimento de conteúdos diversos;
  • Alterações no material podem representar certo problema na aplicação do método adaptativo cada vez que o aluno evolui em sua trajetória educacional.” 

APLICAÇÃO PRÁTICA

Na Educação da Saúde:

O Hospital Albert Einstein - Felipe Spinelli - Introduziu uma plataforma de conhecimentos complementares, analisando a grande demanda de conhecimentos necessários no dia a dia dos profissionais (estudantes ou profissionais) que não recebem no programa curricular e tampouco, reconhece o potencial dos profissionais.

Este exemplo, segundo Felipe Spinelli, “é preciso seguir algumas etapas muito importantes:

  1. Identificar os gaps de conhecimento do profissional ou do aluno,
  2. Disponibilizar conteúdos rapidamente. As vezes o robô (inteligência artificial), faz essa busca e disponibiliza, lembrando o aluno do conteúdo novo que chegou.  
  3. Cobrir o que o profissional ou estudante deveria saber no dia a dia que ele não aprende na formação da faculdade. Reduz a quantidade de conteúdo em sala, mas cada aluno busca o seu gap de conhecimento focado para o setor e conhecimento específico dele.”

Abaixo podemos observar as etapas percorridas na estruturação do case citado do Hospital Albert Einstein, contemplando as etapas do estudante e da organização:

Fonte: Felipe Spinelli – Hospital Albert Einstein - 

Na Educação – Prefeitura de Curitiba:

Existem disponíveis na internet plataformas com ferramentas de apoio à aprendizagem adaptativa, assim como em alguns sites de secretarias de educação. Um exemplo é o site da Secretaria de Educação do Estado do Paraná (com conteúdo para o Ensino Fundamental 2 e Ensino Médio). Neste link, vamos encontrar a Galeria de Imagens e Técnicas/tecnologia aplicada na educação. Demonstram o modelo do funcionamento de uma plataforma e os recursos utilizados pelo aluno (feedback, meta de aprendizagem e recomendações sobre o que o aluno deve explorar), assim como para o professor (diferentes dados sobre o progresso do aluno e suporte para tomar decisões pedagógicas) - http://www.gestaoescolar.diaadia.pr.gov.br/modules/galeria/detalhe.php?foto=563&evento=4 [S2]

A aprendizagem adaptativa é uma excelente oportunidade para disseminar a cultura empreendedora, pois fortalece o protagonismo do estudante, além de flexibilizar o seu tempo de estudos. Ao professor, reduz e otimiza seu tempo gasto com o aluno, aumentando o entendimento de cada aluno. Por isso, esse é o momento para a escola ousar e avançar na aprendizagem com maior resultado.

Contem com o apoio da Educação Empreendedora do Sebrae, que pode contribuir neste processo de transformação. Comente suas percepções sobre esses temas.

Começar com pequenas ações é o primeiro passo! Sucesso!

Fale com o Sebrae pelo e-mail da Juliana - jsouza@pr.sebrae.com.br.

 

Irene Hoffelder Vioti - Consultora, palestrante e escritora nas áreas: Estratégia empresarial, sustentabilidade, inovação e storytelling empresarial.

 

Desafios da Educação

Comunidade Sebrae
Irene Hoffelder Vioti
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Mestranda em Administração Estratégica de Negócios pela UNAM - Universidad Nacional de Misiones - Argentina. Consultora, palestrante, instrutora e escritora nas áreas: Estratégia empresarial, sustentabilidade, inovação e storytelling empresarial.

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