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Docente empreendedor - Formação continuada

Docente empreendedor - Formação continuada

O ato de ensinar é uma atividade complexa que busca constantemente a adaptação a situações diferentes. Consequentemente, é necessário entender cada situação, sendo que cada uma se mostra única em seu contexto. Assim, é conveniente levar em conta os limites da situação de ensino e as características da ação do docente, tendo em vista a análise do saber-ensinar. Para tanto a avaliação processual das ações docentes é fundamental. Mas, não se pode avaliar se não se observa o valor da forma como está apresentado, sua complexidade e suas características, nesse sentido reafirmam a importância de o docente incorporar o empreendedorismo como processo de formação, lembrando que esse processo não é acabado, é alimentado constantemente e cresce e se alimenta cada vez mais por meio de uma avaliação processual e auto avaliação, de planejamento e de estabelecimento de metas para tudo que se vai realizar.

Freire (1996) explica que por isso é que, na formação permanente dos professores, o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática. É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática. O próprio discurso teórico, necessário à reflexão crítica, tem de ser de tal modo concreto que quase se confunda com a prática.

Essa postura esperada do professor não é construída de forma espontânea, tal transformação no ofício se dará por meio de tempo exclusivo de dedicação, uma auto avaliação imparcial, reflexão sobre a própria prática e formação continuada, realizada por meio de cursos e treinamento para aperfeiçoamento profissional e que proporcionaram uma formação suficiente às necessidades exigidas pelo mercado de trabalho; contudo, é necessário, ainda, desenvolver uma responsabilidade ética.

Explicar com bases científicas as interações realizadas no ofício docente é complexo, Gauthier (1998) escreve sobre as relações estatísticas entre a prática de ensino e o rendimento do estudante no que dizem respeito aos objetivos educacionais ligados aos conhecimentos, à compreensão, às atitudes e ao comportamento. Aplicar esta base científica à efervescência da interação da sala de aula ainda é principalmente uma questão de arte. Mas o conhecimento de relações significativas possibilita aos professores basearem sua arte em algo mais que o pressentimento, a emoção, a intuição, o insight ou a experiência bruta.

Assim o ensino e as práticas docentes são uma arte, no sentido que requer de o docente ir além das fórmulas prontas, das receitas preparadas, exige improvisação e naturalidade interligadas aos conhecimentos científicos que constroem a educação, precisam ser alimentadas por um conhecimento anterior formal que servirá de eixo norteador para essas inovações. Mas não há como falar da arte sem antes falar da ética e da ética sem falar da arte, sendo que uma não vive sem a outra, pois no caso da ação do docente, são indissociáveis.

Buscar a superação da prática individual, embasada em conceitos capitalistas e neoliberais, que manifesta a redução da formação ao caráter técnico-profissionalizante, de competitividade e avaliação quantitativa, que por sua vez visa à adequação da educação e da instituição de ensino às transformações para o âmbito do trabalho produtivo. Para uma prática e avaliação formativa, que priorize as competências.

Freire (1996) constata a importância do respeito ao educando e a reflexão avaliativa do docente em relação trazendo uma fala muito relevante, ele apresenta essa ideia mais ou menos assim: o docente ao pensar sobre o dever que tem, como professor, de respeitar a dignidade do educando, sua autonomia, sua identidade em processo, deve pensar também em como ter uma prática educativa em que aquele respeito, que deve ter ao educando, se realize em lugar de ser negado. Isso exige uma reflexão crítica permanente sobre a prática através da qual vamos fazendo avaliação do nosso próprio fazer com os educandos. O ideal é que, cedo ou tarde, se invente uma fórmula pela quais os educandos possam participar da avaliação. É que o trabalho do professor é o trabalho do professor com os alunos, e não do professor consigo mesmo. Essa avaliação crítica da prática vai revelando a necessidade de uma série de virtudes ou qualidades sem as quais não é possível nem ela, a avaliação, nem tampouco o respeito do educando. Essas qualidades ou essas virtudes absolutamente indispensáveis e postas em prática deste outro saber à experiência educativa – saber que devemos respeitar a autonomia, a dignidade e a identidade do educando – não são regalos que recebemos por bom comportamento. As qualidades ou virtudes são construídas por nós, que nos impomos para diminuir a distância entre o que dizemos e o que fazemos. Esse esforço, o de diminuir a distância entre o discurso e a prática, é já uma dessas virtudes indispensáveis – a da coerência.

Essas virtudes e qualidades se traduzem em habilidades, competências, postura ética em relação ao outro, se colocar no lugar do outro para diminuir a distância física, mas também entre a teoria e a prática educativa, são expressões do perfil do docente, de sua formação e também são resultados que demonstram a reflexão sobre a própria maneira de ensinar.

Existem vários modelos de ensino pedagógico, muitos resultados das práticas dos próprios professores (Montessori, Frenet, etc.). Esses modelos provêm da ação que realizavam em sala de aula. A princípio esses modelos buscam a mudança da prática docente, embora não caiba aqui salientar qual o melhor modelo que o docente usa, ou o melhor padrão pedagógico, mas as várias atividades que possibilitam a ação dele.

Começar por refletir sobre algumas das qualidades que o docente precisa ter em suas relações com os estudantes é ponto determinante para expressar essa relação. Freire (1996) comenta sobre os conteúdos ministrados e a metodologia da ação do docente dizendo que não devemos pensar apenas sobre o conteúdo programático que vêm sendo exposto ou discutido pelos professores das diferentes disciplinas, mas, ao mesmo tempo, a maneira mais aberta, dialógica, ou mais fechada, autoritária, com que este ou aquele professor ensina.

O ato de tomar conhecimento se completa com o de formar, cujo desafio é de ampliar os caminhos do professor como orientador embasado por uma metodologia que possibilite os saberes da prática docente. Não há prática docente sem um conjunto de saberes formais capazes de orientar essa prática. Assim, para o professor empenhado em promover a aprendizagem empreendedora do aluno, essas “qualidades indispensáveis” citadas por Freire, “amorosidade, respeito aos outros, tolerância, humildade, gosto pela alegria, gosto pela vida, abertura ao novo, disponibilidade à mudança, persistência na luta, recusa aos fatalismos, identificação com a esperança, abertura à justiça” antecede tudo e, por isso mesmo, dirige a escolha dos modos de ensinar, pois sabe o professor que os métodos são eficazes somente quando estão de alguma forma, coordenados com os modos de pensar do aluno, ou seja, qualidades que vão sendo fundadas na ação do docente a partir do ato de observar como o estudante aprende.

 

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Desafios da Educação

Comunidade Sebrae
Sheila Cristina Mocellin
Sheila Cristina Mocellin Seguir

Graduada em Pedagogia e Mestre em Educação pela PUCPR. Possui experiência na área de gestão e administração de IE, docência presencial e em EaD, Gerenciamento Design Instrucional de material impresso para EaD para o diversos níveis de ensino.

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