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OS PROFESSORES A AS NOVAS TECNOLOGIAS

OS PROFESSORES A AS NOVAS TECNOLOGIAS

Nos últimos anos havia uma tendência a valorizar o uso das novas tecnologias em sala de aula. Muitos professores, inclusive os recém formados, não têm informações suficientes para fazer disso uma prática diária. As universidades, salvo maravilhosas exceções, mantêm currículos desatualizados e formam educadores cuja única experiência com posturas inovadoras de ensinar foi a de assistir a aulas chatas com slides projetados por um Datashow sonolento. Esse tipo de tecnologia está a serviço do ensino, pois o professor não precisa anotar nada no quadro negro, mas de que forma interfere na aprendizagem? Os alunos perdem facilmente a atenção e as exposições maçantes acabam fazendo um desserviço ao processo de formação de conceitos, já que esses são apresentados sem profundidade e sem debate. Dessa forma nós professores precisamos “ir atrás” de inovações e novas tecnologias por conta própria, pois as crianças e adolescentes estão cada vez mais demandando novidades.

E para que a gente não repita com nossos alunos o massacre que sofremos nesses cursos de licenciatura ou de educação, precisamos conhecer alguns princípios que tornam um software realmente eficaz.

Há alguns anos participei de uma apresentação de um vendedor de software de matemática. O sujeito, empolgado com a presença dos futuros compradores do seu produto falava incessantemente dos benefícios que seu produto traria para a escola. “Os alunos vão adorar”, “é muito colorido”, “tem barulho de palminhas quando o aluno acerta” e outras frases de efeito. Mas quando lhe perguntei qual era o nível de interação do aluno com o programa, ele ficou desconcertado, pois a única coisa que o aluno faria no tal do “software revolucionário” era clicar com o mouse para que uma página virasse. Então, ironicamente, eu lhe disse que era um livro didático ligado na tomada. Claro que lhe pedi desculpas e lhe fiz entender que um software precisa fazer o aluno interagir a todo momento, senão a falta dessa interação coloca os programas digitais no mesmo patamar de dificuldades de uma aula expositiva ou de uma leitura insossa.

Estamos vivendo uma fase de transição. Sabemos que precisamos de softwares modernos, altamente interativos, com avaliação contínua programada e que provoque no aluno a necessidade de aprofundar ainda mais os conceitos, mas o que temos à disposição no mercado está muito longe disso, salvo poucas exceções, é claro. E tais exceções são na verdade programas defendidos por seus patrocinadores, mas não por professores envolvidos com o ensino e a aprendizagem de forma isenta.

Então o que devemos fazer como professores? Como agir com nossos alunos de forma virtual?

Seguem os princípios:

1 – Inclua em sua aula, gravada ou online, momentos em que o aluno precisa dar uma resposta, construir uma síntese, desenvolver um argumento ou um contra-argumento, resolver uma questão ou quaisquer outras atividades que o tirem da posição passiva.

2 – Coloque nos slides de sua apresentação online apenas frases chave, para que o aluno preste atenção em você, na sua explicação, não na tela. Textos longos cansam e dispersam a atenção.

3 – Em sala de aula o aluno tem vários momentos diferentes: revisão, apresentação do conceito novo, exemplo, exercícios, trabalhos em equipe e assim por diante. Então se puder incluir momentos diferenciados em sua aula online fará com que o aluno sempre volte a atenção para onde é importante.

4 – Monotonia significa “mesmo tom”. Mude o tom de sua voz. Não fale gritando, nem alto demais nem baixo demais. Use um tom agradável e mude-o constantemente! Aumente e diminua o tom, ria, faça a voz ficar mais grave, mais aguda, fale mais rapidamente, mais devagar e assim por diante. Claro, faça isso nos momentos em que você queira enfatizar algo.

5 – Não faça sempre a mesma introdução “fala galera, tudo bem com vocês?” fica tão automático que passa a impressão de que você na verdade nem quer saber nada dos seus alunos.

6 – Sempre que puder, fale dos seus sentimentos em relação ao que está ensinando! “Cara, quando eu aprendi sobre o número pi pela primeira vez eu achava que nunca ia aprender um número que era uma letra” e ria das suas histórias com leveza, sem exageros.

7 – As atividades que você solicitar aos seus alunos devem ser sempre corrigidas, avaliadas e devolvidas em forma de comentários construtivos. Sei que não é fácil, mas os alunos tendem a não levar a sério as solicitações quando o professor nunca dá feedback delas.

8 – Uma dica importante a seguir na apresentação de conteúdos novos é sempre apresentar o conceito exemplificando de formas diferentes e retornando ao conceito quando os alunos compreenderem a ideia central.

Somos fãs das aulas presenciais e desejamos que logo tudo volte ao normal e enquanto isso não acontece, a gente dá o nosso melhor!

Um grande abraço e boas aulas!

 

Marcos Meier. Psicólogo, professor de matemática, escritor e palestrante.

 

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Marcos Meier é psicólogo, educador, escritor e palestrante. Colunista da rede Globo no jornal Bom Dia Paraná desde 2008 e comentarista em rádios desde 2003. Cidadão honorário de Curitiba.

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