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Precisamos de tecnologias incríveis ou de professores motivados?

Precisamos de tecnologias incríveis ou de professores motivados?

No mundo interconectado e de rápidas mudanças de hoje, há que se pensar urgentemente o papel e, principalmente, um modelo de escola que dê conta da formação das novas gerações. A escola tal qual temos hoje, não atende às necessidades de nossas crianças e jovens que vivem, utilizam e respiram tecnologia, ou seja, se relacionam, pensam e aprendem de maneira diferente.

O aprendizado vai muito além da sala de aula, e o sistema educacional do Brasil precisa reconhecer que a forma de aprender mudou e que o local de trabalho para o qual estamos preparando nossos alunos também mudou. É preciso abraçar essa oportunidade de mudança.

O grande desafio é que, embora o discurso inovador esteja presente nos projetos pedagógicos das instituições, as práticas em sala de aula conversam, em sua maioria, com um modelo de ensino e aprendizagem do século XIX, de pouco sentido para as crianças e jovens de hoje.

Os professores sentem que a escola em que atuam não é, e não pode ser mais, a mesma da qual fizeram parte como alunos. Assim, levanta-se uma nova questão: qual seria o fator que levaria um professor a implementar novas práticas? A busca por essa resposta talvez esteja na motivação para inovar. É preciso encontrar caminhos para motivar o professor a ousar, a buscar novas e criativas formas de fazer da sala de aula, seja ela física ou virtual, um espaço de aprender e de ensinar que atenda às demandas da escola do século XXI .

Atualmente todo o setor educacional vive um dilema: ao mesmo tempo em que as escolas sentem a pressão por mudar a forma como ensinam, precisam aprender a maneira mais eficaz de utilizar a tecnologia na sala de aula.

A forma como nós compartilhamos ideias e conhecimentos mudou e é aí que o sistema educacional precisa se adaptar. A questão toda é como criar novas experiências na sala de aula. No Brasil essa mudança vira algo negativo nas escolas, cria uma pressão em cima dos professores, eles se sentem desconfortáveis, sentem que seu papel diminuiu ou que a tecnologia ameaça seus valores e, frequentemente, seu trabalho. Mas para que os recursos tecnológicos sejam efetivamente utilizados nas salas de aula, é justamente o oposto. Os professores são agora mais necessários e protagonistas do que nunca. Antes, o trabalho deles era ensinar uma lição de um capítulo de um livro didático, transmitir o conteúdo do livro para o cérebro dos alunos. Agora, a oportunidade para eles inovarem no aprendizado é muito maior. Eles podem focar no desenvolvimento das habilidades dos alunos – porque o conteúdo em si já está disponível na internet.

O ambiente de aprendizado precisa ter um propósito de existir. Já que o conteúdo está disponível em todo lugar, a maneira como pensamos no sistema educacional precisa estar conectada ao que os alunos desejam, ao que querem fazer depois que saírem da escola. E aí a tecnologia pode ajudar como ferramenta, para os alunos criarem e compartilharem ideias.

Embora haja a consciência de que a tecnologia aplicada à educação possa proporcionar o uso de diferentes recursos, favorecendo a conectividade e colaboração e promovendo novas formas de ensinar e de aprender, se a implementação de qualquer projeto não for bem planejado e estruturado, pode significar apenas uma vitrine de modernidade, de alto apelo mercadológico, mas de pouco impacto em inovação. Por isso, deve ser dada extrema importância na formação e preparação adequada do professor. Caso contrário, todo seu potencial pode se reduzir a antigas práticas com modernos recursos.

Pois a simples presença dos objetos tecnológicos em sala de aula não significa necessariamente inovação. Pode até ser um grande retrocesso. O computador sozinho não faz nada. As inovações tecnológicas na área da educação deverão sobretudo integrar pessoas. Para usar as tecnologias digitais de forma inovadora nas práticas docentes precisaremos primeiramente solucionar problemas como melhorar a infraestrutura tecnológica nas escolas, melhorar o acesso à rede e formar adequadamente os professores para a cultura digital.

Mas para que essa transformação realmente aconteça, é um comprometimento que toda escola deve ter e, para isto, precisamos primeiramente e bons profissionais na direção delas. De gente que estimule uma cultura onde o professor não tenha medo de errar, que esteja aberta a novas ideias, que celebre as conquistas e mudanças. A realidade é que nós não precisamos de tecnologias incríveis, nós precisamos de professores animados em inspirar estudantes e que os deixem confortáveis em usar as tecnologias. É preciso criar esse novo ambiente de aprendizado focado em desenvolver mais características como a criatividade, a comunicação, a colaboração e pensamento crítico.

O professor não pode ser mais aquele que transmite um determinado saber pronto. Ser professor na cultura digital implica coordenar, orientar, incentivar a aprendizagem colaborativa e cada vez mais personalizada, e isto só funciona onde encontramos professores e alunos engajados, motivados e prontos para enfrentar os desafios de hoje e do futuro.

É por estas razões que precisamos sobretudo encontrar formas de motivar o professor. Se considerarmos que a educação é o motor para uma sociedade melhor, seja social economicamente, os professores são o combustível deste motor. E precisamos garantir que colocamos o melhor combustível.

Desafios da Educação

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