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Que caminho seguir depois do isolamento com aulas ONLINE? (2ª. Parte)

Que caminho seguir depois do isolamento com aulas ONLINE? (2ª. Parte)

O que pensam professores com as mudanças na educação?

 No artigo anterior QUE CAMINHOS SEGUIR DEPOIS DO ISOLAMENTO COM AULAS ON LINE? (1ª. Parte), apresentamos o resultado da pesquisa realizada com os estudantes, neste traremos os dados levantados a partir da opinião dos professores.

Lembrando que o nosso objetivo é falar de aprimoramento e desenvolvimento pessoal, buscando antes, entender como estão pensando hoje, professores e estudantes em relação a vida escolar e seus impactos imediatos.

PESQUISA COM OS PROFESSORES

O que mudou no comportamento/atitude dos estudantes com as aulas on line?

Avaliação dos professores de Escola Pública – Afirmam que, “há uma disparidade no acesso as mídias por parte dos estudantes, por um lado aqueles que tem acesso buscam realizar as atividades e entregar a contento, por outro lado alguns alunos nem conseguem acessar o sistema de aulas”, outra percepção é que, “a maioria dos alunos não estão dando importância para as aulas on line. Muitos pensam que estão em férias. Os estudantes que realmente se importam são os que tem família participativa e atuante na vida dos filhos.” Também percebem que, “muitos estão preocupados e pouco confortáveis com as aulas a distância. Algumas cidades do entorno de Curitiba, não aderiram as aulas on line. Trabalhando apenas com indicação de conteúdo, jogos, exercícios. Mas, não é considerado reposição de aula.”

Professores de Escola Privada - “Para estudantes do ensino fundamental, todo este processo de usar conhecimento on line, é novidade. Foi um back em conhecer, como lidar e como assistir aula, porém após as orientações, a maioria consegue ter uma boa interação, apenas os mais tímidos não acham espaço para se expressar e isso dificulta para avaliar o nível de aprendizagem. Após 2 meses, já estão familiarizados.

Percebemos que mudou alguma coisa para melhor com estudantes mais comprometidos e que já se interessavam antes nas aulas presenciais. Estes, tem ido sempre além, perguntando mais sobre os assuntos e outras fontes para pesquisas e estudos e trazem para a aula, se desenvolveram e amadureceram mais. Porém, os estudantes que já não eram comprometidos, ficaram menos comprometidos com os estudos. Já alguns alunos que antes eram tímidos na sala, agora on line, estão se sentindo a vontade para participar mais. É uma mescla do avanço dos dois perfis.

Os estudantes inicialmente acharam que era opcional e que as aulas seriam repostas depois da volta. Então, criamos uma estratégia de envolver as famílias no processo e conversamos para fazer essa aproximação, onde os pais disseram que as crianças estavam assistindo as aulas gravadas e não ao vivo. Os estudantes, sentem falta das aulas presenciais e a falta da afetividade. Mas, aos poucos foram acessando as salas e começaram a participar ao vivo. Fizemos um trabalho forte de acolher os estudantes para que eles mudassem e agora já percebemos os resultados positivos.”

Comentário:  É percebido nesta pesquisa segundo os depoimentos, a diferença das condições da escola pública para a escola privada. As opiniões do que se faz na escola privada exemplifica essa diferença.

Quais conhecimentos lhe faltam para poder lidar com as diferenças de comportamento dos adolescentes e jovens estudantes neste momento e na volta as aulas presenciais?

Avaliação dos professores de Escola Pública – “Acredito que falta preparo no encaminhamento das aulas e do próprio conhecimento para lidar com a tecnologia e conseguir inovar na prática, o que também, dificulta é o preparo para a retomada das aulas. Ninguém estava preparado para lidar com essa situação. Vários professores têm dificuldades em acessar as plataformas, pois foi algo imposto sem treinamento e/ou capacitação. Os estudantes mais carentes não conseguem acompanhar a aula. Além da falta de conhecimento das tecnologias teremos que saber lidar com as demandas do retorno as aulas presenciais, talvez tenhamos que retomar esses conteúdos “vistos” on line.” Já em determinadas escolas públicas, a diferença é ainda maior, pois por não receberem aulas on line, terão que retomar todo este conteúdo na volta as aulas. A resiliência e preparo do professor será ainda mais importante. 

Professores de Escola Privada: “Falta um trabalho mais integrado entre a escola e os pais, pois muitos não aceitaram esse formato on line de aulas. Alguns pais pediram até para os pequenos alunos, porém a maioria, não aceitam esse formato de ensino e repassam para os alunos que manifestam isso em desinteresse. O tempo de concentração para menores, é mais difícil que alunos maiores. A resistência de alguns pais, é um fator que dificulta muito e solicitam que faça a reposição quando voltar.

Com relação aos estudantes, é desafiador fazer com que todos estejam comprometidos e que agora a sala é virtual, e se esta entrega não acontecer, não poderemos comprovar que o estudante conseguiu assimilar a aprendizagem que necessita e que tenha atingido o nível necessário. Ainda há muita reclamação dos pais, que não conseguem a mesma disciplina em casa para os estudos, como deveria ser na escola.

O domínio da tecnologia com certeza, faz falta para estudantes e nós professores, mas também os pais, pois quando eles não entendem, não conseguem ajudar e apoiar os estudantes. Sinto que deveria interagir mais com a tecnologia e fazer esse acompanhando mais emocional aos estudantes, também no virtual, como fazemos na aula presencial. Tivemos que nos reinventar muito para assimilar tudo isso, mas estamos felizes com os resultados que começam a aparecer.”

Comentário: Todos os professores afirmam que falta conhecimento e domínio para lidar com a tecnologia, somada a aplicação do conhecimento que precisa passar para os estudantes, ainda não se sentem seguros. Alguns alunos não acessam e não acompanham, e o professor se sente despreparado para lidar com esse desafio tão rapidamente como deveria.  

Além do conteúdo trabalhado on line, você aborda outros fatores com os seus alunos, como: percepções que estudantes tem sobre a educação on line e Aprendizagem assimilada neste método?

Avaliação dos professores de Escola Pública “No meu caso especificamente quase não abordo outros temas, além do conteúdo, busco esclarecer dúvidas sobre a aprendizagem quando perguntado. As questões pessoais dependem do vínculo professor/estudante. Os discentes com maior afinidade acabam conversando via chat sobre esses assuntos. Outros, mal sabem utilizar essas ferramentas. Para os alunos que já mostravam interesse nas aulas presenciais não houve grandes mudanças. Acompanham as aulas na TV aberta e fazem as atividades no Google sala de aula. Porém, uma minoria, manifesta a dificuldade de acompanhar alguns conteúdos no formato on line. É um momento difícil que precisamos dialogar e incentivar os alunos. Dúvidas sempre vão existir, mas esse momento é único, vivemos sobre pressão e medo. Pais muito despreparados e sem condições de dar apoio aos filhos na educação a distância em escolas de ensino fundamental, impossibilitando executar este formato de educação.”

Professores de Escola Privada “Trabalho as habilidades emocionais em todas as turmas. Hoje o professor tem que encantar os alunos nas aulas, e as plataformas podem dar conhecimento, mas não trabalham as emoções. Então, o professor é o interlocutar, atento e receptivo para tudo o que a criança de forma pura manifesta. Mesmo para estudantes entre 8/10 anos é possível observar, a necessidade da presença do professor. Deixo também alguns minutos para os estudantes, mesmo on line para que cada um participe e fale o que está sentindo.  Eles falam mesmo sobre os problemas que estão ocorrendo.

Sempre abro espaço para outros assuntos além do pedagógico, pois trabalhar idioma, trabalhamos com cultura e assuntos do dia a dia, tem sido muito discutido e muito rico em aulas todas as vezes que abordamos. Então, alguns se sentem estranho falando com a máquina, mas as conversas tem sido muito legal, porque é crescente a assimilação. Alguns relatam que estão aprendendo melhor, alguns relatam que tem mais dificuldade. Tem ocorrido a manifestação da dificuldade e que precisam superar.  Não temos o controle se o estudante assistiu ao vivo e aprendeu ou não. No Brasil é mais quantitativo do que qualitativo o ensino. Espero que esse novo sistema reformule isso. Os projetos integradores, como higiene e bem estar, são projetos da escola, que trabalhamos nas aulas de inglês, incluindo os temas que estamos vivendo e os alunos puderam participar e apresentar as pesquisas, foram aulas de vida e não aula de inglês.

Na nossa escola, assisti muitas aulas dos professores e todos trabalharam em vários momentos assuntos sobre o que eles estavam vivendo em casa. Os assuntos aos poucos foram surgindo e os alunos tiveram oportunidades de aprender muito, respeitar e aprender a ouvir, além de falar um por vez e não todos juntos. Em alguns momentos as aulas precisavam parar e o professor tratar os assuntos emocionais para depois voltar a matéria.”

Comentário: Os professores preocupados e focados no momento das aulas on line, em dar conta do uso da tecnologia, não falam sobre qualquer outro assunto que não seja, o conteúdo da disciplina à ser dado. Portanto, não é realizado um acompanhamento emocional ou outras necessidades adicionais com os estudantes, demandado para este momento.

Que aspecto negativo é percebido nos estudantes à ser trabalhado pela escola?

Avaliação dos Professores de Escola Pública“Acredito que é um momento de aprendizagem a todos, mas os estudantes sentem muita falta da presença física do professor. Não se sentem confortáveis com outros professores (no caso da rede estadual) e lamentam a falta de explicações de acordo com as dificuldades deles. As aulas são robotizadas sem levar em consideração as especificidades dos conteúdos. Por isso, normalmente a conversa é sobre o conteúdo e sobre ficar tranquilo durante a pandemia. Percebi em alguns poucos alunos a questão da ansiedade e expectativa de como será, quando forem retomadas as atividades normalmente. Será importante trabalhar a motivação para encorajar e participar com interesse juto aos alunos. Desenvolver uma aprendizagem significativa.  Trabalhar a parte psicológica dos estudantes para amenizar o medo, a insegurança e a falta de compreensão deste momento.”

Professores de Escola Privada“Acredito que o corona vírus, é um vírus do egoísmo e as crianças demonstram muito isso nas manifestações delas nas aulas on line. Esse assunto e a empatia para tratar dos problemas dos outros, é preciso desenvolver nos estudantes, como preparação psicossocial para a vida. É preciso que eles aprendam mais em pensar no bem coletivo. Mesmo as crianças pequenas. A maioria são egoístas e não se colocam no lugar do outro.

Percebo que muitos alunos, reproduzem parâmetros dos pais, sem uma análise crítica. Porém, alguns tem uma análise diferente dos pais e percebem quando o pai faz algo e fala outra. Nossa escola tem feito um trabalho grande neste sentido, mas precisamos trabalhar mais: o que são fake news, o que são pré-conceitos, o que são coisas certas e as fontes corretas para se conseguir dados corretos. É preciso trabalhar a ética com a escola e a família, pois é um tema urgente. Alguns estão avançando nas aulas on line. Porém, alguns estão manifestando que os pais ainda poupam eles. Falta ainda muito trabalhar essa parte integrada: escola, pais e estudantes para desenvolver a resiliência, bom senso e senso crítico, equilíbrio. O que é o negacionismo, o que é alarmismo. Enfim, deve ser trabalhado - Ética, resiliência, crescer com a adversidade, de persistir o que deve ser feito, porque é o correto a ser feito.

A questão do desenvolvimento pessoal, a questão da gestão das emoções, eu preciso dar conta das minhas responsabilidades. Os estudantes precisam ser mais independentes e construírem sua própria rotina. Os relatos das famílias, é que a maioria não conseguiam assistir as aulas cedo (as 8h da manhã). Se organizar, encontrar uma estratégia nos momentos da adversidades. As famílias que trabalharem esses assuntos, vão crescer muito com seus filhos.

O compromisso do estudante quando senta à frente do computador, é algo que precisa ser trabalhado. No padrão de pensamento dos pais e dos próprios filhos, aos poucos estamos vendo uma reação. Mas, eles precisam sair da zona de conforto e ser protagonista da própria vida. Dar utilidade ao tempo em casa. Foram estratégias que fizemos, aos poucos com nossos alunos e deu certo. Sair da zona de conforto dói, mas é importante. Precisamos trabalhar com os alunos a inteligência emocional, ser gestor da própria vida, buscar qualidade nas informações. Momentos de crise são momentos de grande aprendizagem. Enfim, a escola precisa alinhar que é na diversidade e na dificuldade, que nós nos superamos.”

Comentário: Desconforto de alguns estudantes nas aulas on line, falta de participação mais ativa, ansiedade e incompreensão dos conteúdos, são alguns dos pontos que preocupam os professores. Pontos estes, que deverão ser foco de atenção primária dos gestores e professores, na volta da quarentena.

Qual o estado emocional de seus estudantes - pessimistas ou otimistas, tristes ou alegres neste momento?

Avaliação dos professores de Escola Pública “Cada estudante tem um comportamento distinto. Alguns estão preocupados em relação aos conteúdos e ao andamento do ano letivo. Outros não estão nem um pouco preocupados, e felizes por não terem que ir à escola. São sentimentos variados de acordo com a realidade social de cada educando. Na maioria estão otimistas e com vontade de voltar a rotina de aulas presenciais. A maioria dos estudantes estão tristes por não compreender o momento e alguns que não gostam de estudar, alegres, acredito eu. Já os pais estão apavorados.”

Professores de Escola Privada – “Percebo que os que tem uma estrutura familiar boa, demonstram estarem muito bem. Mas, aqueles que estão isolados neste momento e não tem contatos físicos com pessoas importantes da família, estão com mais dificuldades e tristes. As crianças são muito emocionais e tem a coisa do contato físico e o presencial da escola para elas, é fundamental. Umas com bastante dificuldade e outras não. Essas, procuramos falar na aula on line e partilhamos os problemas similares, e aí o estudante se sente igual e consegue colocar o que está acontecendo. O professor deve ser sempre um mediador.

Alguns estão pessimistas, mas percebo que são estudantes que estavam preocupados já na escola, porque os pais estavam muito alarmados e pessimistas com a situação. É visível o desequilíbrio emocional dos pais que passa para os filhos. Alguns manifestam a falta de responsabilidade e são facilmente influenciáveis pelas opiniões dos pais. Com isso, estudamos as pandemias da história, porque e como isso aconteceu e ajudou acalmar. Mas, os estudantes ainda estão muito egoístas, com falas como: eu quero, eu não quero, eu quero agora e pronto. Tem mais vontade, do que responsabilidades. Sentem falta dos amigos, mas não é muito. Para alguns, as aulas virtuais, gostam, mas não perceberam a responsabilidade disso tudo. Alguns acreditam que está tudo bem. Não tem alegre ou triste, mas uma gangorra emocional para pais e alunos.

Percebo oscilações naturais de momento, com euforia no começo e momentos tristes em outros. Primeira semana, foi festa. De repente começaram chegar as atividades e isso quebrou aquele estado de férias. Começou o compromisso e os alunos que um dia estão dispostos, outro não mais. Há momentos de descrença no que realmente está acontecendo e ficam muito mais com verdades fragmentadas e isso mexe com o emocional deles, por causa do que os pais manifestam em casa. Alguns querem voltar e sentem falta de compartilhar as emoções. Acho que nós somos emoção e não cognição. A cognição a gente consegue recuperar, mas a emoção, não. A união dos professores foi maravilhoso, porque todos se ajudaram muito e eles estão mais unidos do que nunca e para nossa equipe e está sendo muito positivo essa experiência toda.”

Comentário: De modo geral, todos os professores manifestaram que não perceberam nada muito diferente nos estudantes, pois o foco de atenção é somente a aula e não observar outros fatores que não sejam do conteúdo. Apenas um professor comentou que observa e acompanha essas manifestações com mais atenção.

ANÁLISE DAS RESPOSTAS DOS PROFESSORES:

 

Percebemos que se faz necessários cada vez mais, criar projetos nas escolas para desenvolver os estudantes para serem, mais independentes e gestores das suas rotinas, tarefas e compromissos.

Assim, concluímos a pesquisa aplicada, agradecendo a cada contribuição de estudantes e professores para este trabalho. No próximo artigo, vamos trabalhar as necessidades demonstradas na pesquisa, analisando por meio dos conceitos essenciais de grandes mestres, como sugestão do que devemos fazer, de onde empreender, atendendo as novas necessidades deste momento e do futuro próximo - Artigo “QUE CAMINHOS PODEMOS PERCORRER?  AGORA SABEMOS! (3ª. parte).”

Comente esta pesquisa com os professores e aguardo você lá!

 

Fale com o Sebrae pelo e-mail da Juliana - jsouza@pr.sebrae.com.br.

Irene Hoffelder Vioti - Consultora, palestrante e escritora nas áreas: Estratégia empresarial, sustentabilidade, inovação e storytelling empresarial.

 

Desafios da Educação

Comunidade Sebrae
Irene Hoffelder Vioti
Irene Hoffelder Vioti Seguir

Mestranda em Administração Estratégica de Negócios pela UNAM - Universidad Nacional de Misiones - Argentina. Consultora, palestrante, instrutora e escritora nas áreas: Estratégia empresarial, sustentabilidade, inovação e storytelling empresarial.

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