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Visualizar antes de fazer: educadores deveriam pensar como designers

Visualizar antes de fazer: educadores deveriam pensar como designers

 

Alguns dias atrás, durante um momento de reflexão sobre pandemia e soluções humanas para as crises da atualidade, voltei no tempo e lembrei-me do primeiro teste avaliativo que fiz na vida acadêmica. Por volta dos oito anos de idade, pleiteando uma vaga direta para a primeira série do Ensino Fundamental, precisei passar por um "teste de criatividade com desenhos" — um tanto incomum para o final da década de 80.

Na prática, o desafio daquela experiência era visualizar as possibilidades, usar a imaginação e criar soluções a partir de cada requisito feito pela professora. Como vim de família humilde e sem condições financeiras, o que eu tinha às mãos era um desgastado lápis preto e metade de uma borracha. Claro, argumentar que era tudo o que eu tinha foi mais difícil do que despertar o olhar de alguns intrigados colegas (com suas coleções de lápis coloridos sobre a mesa). Mas aquele "toco de madeira e grafite" foi a minha principal ferramenta para "pintar" em tons de cinza os desenhos que me dariam o 1º lugar das 5 vagas disputadas pela turma de 50 candidatos.

Se por um lado alguém foi capaz de perceber a subjetividade criativa de um garoto, não é de surpreender que a criatividade até hoje — e cada vez mais relevante como habilidade do futuro no presente — tenha real valor na solução de problemas.

A partir das ferramentas e perspectivas utilizadas por designers, surgiu o conceito de Design Thinking — algo como "pensar com design", em tradução livre. Ou seja, as ferramentas e perspectivas dos criativos podem também ser aplicadas na resolução de conflitos, solução de problemas em qualquer área e como um pilar relevante para o estímulo da própria criatividade.

Empatia, colaboração e experimentação são valores essenciais presentes no Design Thinking. E além disso, a técnica possui passos e ferramentas que apoiam a capacidade humana de acelerar processos de inovação e transformação no mundo. Para tanto, é preciso:

COMPREENDER
A capacidade de analisar o problema por múltiplas perspectivas, desapegando-se de velhas ideias enraizadas e livrando-se de pressupostos, preconceitos ou julgamentos.

OBSERVAR
Para alcançar o sucesso e soluções eficazes, as ações devem ser feitas com foco nas (e das) pessoas. É nessa etapa que isso fica mais evidente, pois a percepção da vida humana (físico, psicológico, sociocultural...) é avaliada com profundidade.

DEFINIR
Com uma quantidade relevante de informações, percebidas nos passos preliminares, a DEFINIÇÃO consiste em convergir os dados e alinhá-los aos propósitos da organização. Isso será a base para a tomada de decisões e definição estratégicas.

IDEAÇÃO OU IDEALIZAÇÃO
Nesta etapa, são imaginadas a maior quantidade possível de soluções para o problema diagnosticado. Embora alguns possam ver absurdo em uma ou outra ideia percebida, todas elas são válidas para um melhor aproveitamento prático.

PROTOTIPAÇÃO
As ideias que mais se aproximam de uma solução viável (e aplicável) avançam para a criação de miniaturas, uma versão minimamente viável, na intenção de pensar realisticamente e tornar todo o projeto real. Storyboards, maquetes, encenações são algumas das técnicas aplicadas nesta etapa.

TESTE
Se existem protótipos, é possível testar. Certo? Então, são colhidas informações e feedbacks diretamente de quem vai utilizar a solução final. Quanto melhor a simulação, melhores os resultados. Os insights e feedbacks se transformam em ajustes e melhorias do produto final.

IMPLEMENTAÇÃO
Por fim, toda ideia bem testada pode ser colocada em prática. Após realizar testes, e com melhorias no protótipo validadas junto ao potencial público-alvo, o projeto entra em execução.

Educadores de mãos dadas com a inovação

Bem, a essa altura acredito que você já percebeu que a essência de educar sempre teve ferramentas criativas como aliadas eficazes. Concorda? Ao considerar a inovação como um sistema aberto e receptivo à colaboração, o Design Thinking possibilita maior criatividade e liberdade em sua aplicação, ao contrário da administração científica que está mais ancorada nos fatores racionais. Isso fica mais evidente na utilização de três ferramentas essenciais ao Design Thinking:

Cartões de Insights — Utilizados para dispor e ordenar as ideias após a realização de pesquisas, entrevistas e observações;
Mapas Conceituais — Conjunto de diagramas distribuídos em sequência lógica, dispostos de forma gráfica e visual para conectar as ideias;
Critérios Norteadores — São os itens que devem ser cumpridos durante a análise dos dados apurados nas primeiras etapas, apontando o caminho mais apropriado para cumprir as necessidades do cliente.

No futuro da educação (onde habilidades comportamentais se tornarão ainda mais indispensáveis dentro e fora da escola), educadores deveriam pensar como designers. Com diversas técnicas, grande uso de colaboração e ferramentas criativas, o Design Thinking desponta como uma das metodologias relevantes e atuais para gerar soluções, alcançar novos rumos e melhores resultados. Visualize isso!

 

Desafios da Educação

Comunidade Sebrae
Marcos Félix
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🎬 Multimedia Storyteller | Mentor de Empreendedorismo Criativo e Negócios Digitais 📢 #Criatividade #EducaçãoDigital #Web 🔎 #Futuros 💡 Percepções cotidianas e experiências para desenvolver profissionais e negócios. 🌎 CEO at Mflix Media™

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