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Agroflorestas: O Brasil por uma cultura mais sustentável

Agroflorestas: O Brasil por uma cultura mais sustentável

A agrossilvicultura é o manejo e a integração de árvores, culturas e/ou gado no mesmo lote de terra, podendo ser um componente integral da agricultura produtiva. As agroflorestas abrangem tanto a mata nativa quanto espécies estabelecidas pelos proprietários das terras. 

É um conceito flexível com  práticas que envolvem a integração de árvores e outras grandes plantas perenes lenhosas em sistemas agrícolas por meio da conservação das árvores existentes, do plantio e cultivo ativo de outras espécies.

Cientificamente, essa cultura sustentável é derivada da ecologia e é uma das três principais ciências do uso da terra, as outras duas correspondem a agricultura e a silvicultura. No entanto, ela difere dos últimos dois princípios, uma vez que enfatiza a integração e as interações entre uma combinação de elementos em vez de focar individualmente em cada um.

No conceito geral de sistemas agroflorestais complexos, existem sistemas diferentes que copiam padrões naturais (estruturais e funcionais). Em termos de biodiversidade, alguns sistemas são compostos por poucas espécies, enquanto outros podem conter até 50 exemplares. Um sistema agroflorestal simples é uma combinação de duas ou três plantas, como feijões cultivados entre as linhas de laranjeiras. Já o sistema agroflorestal simples, abrange a técnica de consorciação, que consiste na plantação de espécies diferentes próximas umas das outras. Em um sistema agroflorestal complexo, não vemos esse padrão "organizado". As variedades de árvores são mais altas e a distribuição das plantas na paisagem é mais caótica, seguindo padrões naturais.

 

O espectro de perspectivas sobre agroflorestas

A agrofloresta deve ser considerada juntamente com uma série de outras atividades potenciais que podem ser feitas para atender as necessidades da população e de outras espécies de paisagens particulares. Ela é uma maneira de combinar vários objetivos na mesma terra. Porém, existem culturas que não podem ser cultivadas no mesmo espaço. Por exemplo, existem muitas espécies que não se desenvolvem nem mesmo nos sistemas florestais mais complexos. Dessa forma, a agrossilvicultura pode fornecer alguns recursos úteis, mas deve, no mínimo, ser aumentada pela proteção das florestas naturais.

Essa ciência multidisciplinar se baseia na Revolução Verde, uma vez que aumenta os rendimentos das variedades modernas de culturas e raças de gado, reduz  a diferença de rendimento (a diferença entre o rendimento potencial de uma variedade de cultivo e o rendimento realmente alcançado pelos agricultores) e aumenta os retornos do investimento baseados nesse conceito. A multiplicidade de resultados produtivos, ambientais, sociais e econômicos dessa abordagem é a expressão da intensificação sustentável na agricultura convencional.

 

Os benefícios das agroflorestas

Nas últimas duas décadas, várias pesquisas foram realizadas sobre a viabilidade desta técnica. As agroflorestas podem trazer resultados substanciais tanto à economia quanto ao meio ambiente, pois a produção é mais sustentável do que as monoculturas florestais ou agrícolas. Esse sistema adotado em várias partes do mundo traz os seguintes benefícios:

  • Controle do escoamento superficial e da erosão do solo, reduzindo a perda de água, de matéria orgânica e de nutrientes;

  • Manter a atividade biológica do solo em níveis satisfatórios. Porém, isso depende de uma proporção adequada de árvores no sistema - é necessário pelo menos 20% da cobertura com copas de árvores para manter a matéria orgânica no sistema como um todo;

  • Manter as propriedades físicas do solo mais favoráveis que a agricultura por meio da manutenção da matéria orgânica e dos efeitos das raízes das árvores;

  • Aumentar a ciclagem de nutrientes mais fechada do que na agricultura, ou seja, possibilita um uso mais eficiente desses compostos;

  • Verificar o desenvolvimento de toxicidade do solo ou reduzir as toxicidades existentes - a acidificação e a salinização do solo podem ser mensuradas e as árvores podem ser utilizadas na recuperação de solos poluídos;

  • Utilizar a energia solar com mais eficiência do que os sistemas monoculturais, pois a diferença na altura, forma e alinhamento das plantas contribuem para isso;

  • Reduzir pragas e, consequentemente, doenças associadas a elas;

  • Recuperar terras erodidas e degradadas;

  • Aumentar a disponibilidade de água no solo para os sistemas de uso da terra. No entanto, nas regiões secas, a competição entre árvores e culturas pode ser um grande problema.

Além disso, as árvores provavelmente podem aumentar a entrada de nutrientes nos sistemas agroflorestais, recuperando as partes mais internas do solo. A decomposição ou poda dessas árvores pode contribuir para a manutenção da fertilidade desse solo. Quando há liberação dos nutrientes provenientes dessa decomposição, as culturas associadas podem absorvê-los, aumentando os resultados do sistema.

Para a economia, as agroflorestas proporcionam culturas mais diversificadas, estimulando os produtores rurais, o que torna a produção das fazendas e comunidades mais estáveis. Os riscos econômicos são reduzidos quando esses sistemas produzem vários produtos.
 

Santa Catarina e o pioneirismo  na extração de açaí da Palmeira-Juçara

A Palmeira-Juçara é uma árvore nativa da Mata Atlântica e está presente em 30% do território catarinense. Ela é fundamental para o equilíbrio ecológico do bioma e tem extrema importância econômica para a região. Porém, a extração do palmito - prática considerada crime ambiental desde 1998 pela Lei 9.605 - fez com que os produtores desenvolvessem novas técnicas de manejo para a extração do palmito-juçara.

Com isso, descobriu-se a importância nutritiva do açaí, fruto da Palmeira-Juçara, e do seu valor econômico. Assim, o estado vem trabalhando na inserção do açaí no contexto econômico de pequenos produtores rurais e de tribos indígenas que possuem a coleta de espécies nativas  e o cultivo agrícola como modo de vida. Dessa forma, Santa Catarina encontrou uma alternativa sustentável para a comercialização do produto nas regiões Sul e Sudeste.

Além de gerar emprego e renda para as comunidades locais, a prática reduz os impactos ambientais do transporte do fruto desde a região Norte.

Em resumo, estes sistemas de produção permitem o uso prolongado da terra, uma vez que sua capacidade produtiva é mantida. Contudo, sua implantação e manejo nos primeiros anos, requerem muita força de trabalho e paciência, mas trazem uma significativa estabilidade e fonte de renda.

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Do Campo à Mesa

Comunidade Sebrae
Mabel Guimaraes
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Pós graduada em Empreendedorismo. Trabalha no Sebrae na área de Agronegócios há 10 anos. Participou de missões técnicas para conhecer experiencias no Agronegócios em países como Holanda, Alemanha, Itália, França, Argentina, Chicago, NZ e Austrália.

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