[ editar artigo]

Agronegócios 4.0: Tecnologia e inovação no agronegócio

Agronegócios 4.0: Tecnologia e inovação no agronegócio

A revolução no campo tem como respaldo tecnológico o uso de drones, inteligência artificial, entre tantas soluções, e oportuniza o agronegócio 4.0. Este conceito vem sendo aplicado pela indústria para relacionar a quarta revolução industrial que vivemos e é pautada nas tecnologias habilitadoras.  O termo ‘4.0’ surgiu na Alemanha e ganhou notoriedade mundial nos últimos quatro anos,  após  ser tema principal do Fórum Econômico Mundial, realizado anualmente em Davos. 

Esse já é um caminho que o agro percorre há tempos, e a cada dia, surgem novas ferramentas que impulsionam os resultados de colheita, plantio e produção. Mais do que suporte, esta nova realidade no campo forneceu um insumo valioso para os produtores e a agroindústria: a informação. E o mapeamento desses dados vem sendo utilizado como recurso, possibilitando uma visão estratégica para os negócios. 

Aqui, pensando que não há crescimento sem sustentabilidade, é importante destacar que o uso da tecnologia representa, além de uma oportunidade lucrativa, um maior aproveitamento e uso consciente dos recursos. Ao exemplo da otimização de processos que podem impactar na redução do consumo de água e representa uma mudança do campo à mesa, literalmente.  

 

O desafio e as soluções:

A consequência dessa integração é a construção de uma cadeia mais sinérgica, considerando que temos um desafio pela frente de alimentar 9,8 bilhões de pessoas até 2050, segundo estimativas da Organização das Nações Unidas para Agricultura (FAO). Para isso, além da contribuição tecnológica, é preciso contar com o apoio da natureza que dá claros indícios de esgotamento.

Diante desta realidade, estratégias como controle biológico de pragas são uma alternativa para a agricultura brasileira e mundial planejarem seus cultivos a partir de uma solução mais saudável, segura, produtiva e sustentável. Verificamos isso acontecer na prática com a popularização do ‘aluguel de abelhas’ para a chamada "polinização assistida", técnica que auxilia na produtividade das lavouras. E também a incorporação de outros microrganismos que reduzem a incidência de pragas e doenças que acometem as plantas, na contrapartida dos agrotóxicos. 

Antes mesmo de pensarmos ou citarmos outros exemplos práticos é preciso lembrar que toda essa tecnologia deriva de diversas pesquisas que monitoram os desafios e mudanças para propor soluções. A tecnologia em si não é o ponto da inovação, ela é o meio que vai nos permitir alcançar voos mais longos e seguros.

Quem faz a solução?

Se falarmos de opções, o mercado está repleto de soluções para identificar doenças, pragas, controlar custos, clima e outros detalhes de gestão, ou seja, gerar informações e dados favoráveis ao impulsionamento dos negócios. De acordo com levantamento feito pela KPMG, das mais de 7 mil startups brasileiras, 135 são voltadas exclusivamente para o agro, e este número encontra-se em franca expansão.

E, por meio destas iniciativas, a cadeia consegue ter ganhos para acelerar e melhorar processos. Como é a proposta da PackID que auxilia empresas de produtos perecíveis a assegurar a qualidade de suas mercadorias utilizando um monitoramento de temperatura online prático e confiável, garantindo resultados precisos que irão impactar diretamente na satisfação e integridade dos clientes. E, no caso da pecuária, o Jetbov que a partir de um software em nuvem de gestão se propõe a integrar a cadeia produtiva, agregando eficiência na gestão da produção e saúde animal. 

Não apenas soluções dentro da cadeia, mas também verificamos o agronegócio contribuindo para o desenvolvimento da comunidade. A empresa SkyDrones desenvolve soluções para a agricultura de precisão, que inclusive podem ser uma alternativa para o combate de focos do mosquito Aedes aegypti, ou seja, uma questão que envolve a saúde pública. 

 

Drone Pelicano SkyDrones:

Outro exemplos da presença da tecnologia no setor são os tratores autônomos desenvolvidos pelo players do mercado como CNH e John Deer que podem agilizar o plantio e colheita. Os modelos contam com tecnologia como a telemetria, acrescidas de sensores, radar e câmeras, aplicativo de controle remoto e sistemas de comunicação com outras máquinas e implementos. Um verdadeiro aparato que precisa de suporte humano, análise e estratégia. 

Comandar máquinas pela palma da mão ainda demandará o conhecimento para direcioná-la exatamente ao ponto que se pretende chegar. Para isso é necessário se aproximar destes dados e segmentá-los, extrair a subjetividade dos números (sim, sem análise são só números) e de fato saber qual a melhor decisão e medida para controle de estoque, fluxo de caixa, e quais são as apostas para o futuro. 

 

Considerações finais

Antes de encerrar, gostaria de citar que as inovações que permeiam outros setores  chegam cada vez mais rapidamente ao agro e impulsionam a revolução citada no início. É a incorporação de recursos que permite a expansão dos negócios. Isso faz com que o conceito de Marketplace, por exemplo, que é uma ferramenta para conectar vendedores e o consumidor final por meio de uma plataforma, já seja uma realidade.

E grandes empresas como a Bayer, no ano passado já aproveitou esta onda,  com um programa de relacionamento com o produtor, o Impulso Bayer, e a Orbia, plataforma que combina marketplace de fidelidade, commodities e insumos. Ambas as frentes têm o objetivo de transformação da experiência de consumo do agricultor.

Há muito mais para explorar sobre este tema e o Brasil é uma vitrine mundial, sendo que o agronegócio representa hoje 23% do nosso PIB, contudo nosso principal desafio se concentra em promovermos um gerenciamento inteligente das propriedades e dos negócios, aproveitando todos estes recursos informacionais, tecnológicos e naturais que dispomos. 

Do Campo à Mesa

Ler conteúdo completo
Indicados para você