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Fome de Que? Baby Boomer a Geração Z - Diferenças que impactam nos negócios

Fome de Que? Baby Boomer a Geração Z - Diferenças que impactam nos negócios

Tive a oportunidade de participar da 9ª edição do BHB (Building Healthier Brands) FOOD, no espaço de coworking, Cubo Itaú, localizado na Vila Olimpia, São Paulo. Sem dúvida um dos principais eventos de tendências e inovações do mercado e este ano, o tema foi “A Revolução da Comida”. E discutiu o papel da tecnologia na transformação do cultivo, produção e consumo, considerando como as formações culturais e comportamentais dos seus consumidores podem construir uma nova era na alimentação. 

Dentre os temas, palestras e empresas participantes, destaco nesse artigo "O Caos na Identidade e a Comida como Resgate" apresentado por Michel Alcoforado antropólogo, sócio-diretor da Consumoteca e colunista do UOL.

Para o antropólogo, as “etiquetas culinárias ainda falam muito sobre nós” porque
elas determinam as estratificações sociais de cada público e dá as marcas formas de
compreender o que pode ser trabalhado para vender seus produtos. Além das etiquetas, é válido ressaltar que as gerações também influenciam na construção de visões diferentes sobre a relação entre produtos, alimentos e a forma que isso é composto em sua identidade.

A geração Baby boomer, de pessoas nascidas entre 1946 a 1964, visa manter os
tradicionalismos sociais, que visa a fartura, seja financeira ou alimentícia. É uma
geração que gosta da comida caseira e gosta, principalmente, de ostentar a quantidade de comida que ingere ou possuí. Suas relações pessoais sempre agregam um momento para alimentação. Um café, um almoço de domingo ou um encontro de amigos. A comida passa a ter um valor social para aproximar as pessoas e assim, passam suas receitas caseiras de ‘geração em geração’ porque acreditam na força e o poder da alimentação.

Já a geração X, nascidos entre 1965 a 1979, é marcada, por uma sociedade em que as “mulheres foram trabalhar e precisam dar conta de tudo”. Essa geração tem como objetivo de vida a praticidade. As marcas passaram a ganhar um novo status para esse grupo, elas não eram simplesmente a produtora, elas eram a simbologia de um compromisso social. Para essa geração não existe leite condensado, existe o “Leite Moça”. “A comida é marca, é praticidade”.

Nesse tempo, as mulheres tinham que ser grandes ícones no mercado de trabalho, donas de casa, esposas e boas cidadãs. Não muito diferente de hoje, mas elas sofriam com a pressão de uma sociedade tradicional condicionada na outra geração, assim, elas se sentiam desacreditadas e por muitas vezes, culpadas por não estarem presentes no momento de preparo de alimentos para a família. Assim, a praticidade de produtos congelados, multiprocessados e outros ganharam os armários de cozinhas e tiraram um pouco deste peso dessas mulheres.

Os Millennials, ou a geração Y é composta por pessoas nascidas entre 1980 a
1994, que são os proponentes da Era da Internet. Para essa geração, a comida vai muito além da ideia de suprir as necessidades do corpo. A comida agrega o valor de
experiência e ainda adiciona um estilo de vida. Os millenials não gostam de cozinhar,
mas amam receber informações sobre o que comer e como comer. A comida é um ato
público, que representa o seu método de vida e caracteriza elementos primordiais da sua identidade. Michel aponta que essa geração é a propulsora da “gourmetização dos alimentos”. É brigadeiro gourmet, é hot-dog gourmet, é um universo gourmet.

Essa configuração altera as estratificações de relações sociais, em que a informação é
primordial, mas a praticidade ainda é um fator preponderante para o consumo. É a
geração que se apropria de programas culinários, que agregam valor à comida e às
marcas que produzem estes alimentos.

E para a geração Z, dos nascidos entre 1995 a 2015, chegou em uma fase em que
esperavam um mundo totalmente diferente. É a geração Smart, que têm internet, redes sociais e configurações de última tecnologia como ferramentas para encarar o mundo moderno. É uma geração que não teve o sucesso tradicional sobre recursos financeiros como à boomber, e que com o cenário atual de crise financeira mundial, sem grandes ascensões financeiras e profissionais, acaba por “ostentar comida”. Os jovens dessa geração pensam fora da caixa. Eles são, muitas vezes ansiosos, fãs de comidas rápidas e de marcas que representem suas identidades.

Conhecer as diferentes formas de relacionamento com a comida para elaborar estratégias que atendam as necessidades dos clientes, considerando sua geração, é primordial para empresas competitivas do segmento de alimentos e bebidas. 

Do Campo à Mesa

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Comida

Comunidade Sebrae
Andréia Claudino
Andréia Claudino Seguir

Engenheira química atualmente coordenadora de agronegócios, alimentos e bebidas do Sebrae Pr.

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