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O mel, os impactos das dinâmicas mundiais no produto e o COVID-19

O mel, os impactos das dinâmicas mundiais no produto e o COVID-19

O Brasil encontra-se entre os grandes produtores e exportadores de mel do mundo, ocupando o sexto lugar no ranking mundial de produção, ficando atrás da China, Estados Unidos, Argentina, México e Canadá. Segundo o último levantamento feito pelo IBGE, em 2017, a produção anual média é de 41.594 toneladas.

O mérito da excelente produção é do nosso terroir – as boas condições ambientais, diversidade vegetal e variação climática, possibilita a produção de mel o ano todo. Para se ter ideia, o Brasil possui reservas florais disponíveis (pasto apícola) que podem produzir mais de 150 mil toneladas anuais de mel de primeira qualidade, aceito pelos mercados internacionais mais exigentes, e tem potencial de conquistar a posição de primeiro produtor de mel do mundo.

Mesmo com todo esse potencial de produção garantido pelo nosso terroir, o consumo anual por brasileiro ainda é pequeno, não passa de 100g - cada europeu consome em média 1,5 kg/ano, o que demonstra o potencial de exportação desse produto. O Rio Grande do Sul, principal estado produtor, exporta mel para 14 países como Estados Unidos, Canadá e China, tendo gerado em 2018 uma receita de R$ 11,9 milhões. O Paraná é o segundo maior produtor de mel do Brasil, ficando atrás apenas do Rio Grande do Sul. Além da forte produção – foram 7,4 mil toneladas produzidas em todo o Estado no ano passado, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) – o mel paranaense também é reconhecido pela qualidade, atestada com o registro de Indicação Geográfica concedido à produção de Ortigueira, nos Campos Gerais, e do Oeste do Estado, o que garante o diferencial do produto.

Em 2017, a exportação brasileira de mel atingiu US$ 121,298 milhões e 27.053 toneladas. No período em questão, o preço médio nacional do mel atingiu o valor de US$ 4,40/Kg, 14,29% a mais que o valor médio de igual período do ano de 2016 (US$ 3,85/Kg), refletindo a qualidade do mel brasileiro e a escassez do produto no mercado internacional.

Em 2018 foram exportadas US$ 95,420 milhões e 28.524 toneladas, mas o preço médio nacional do mel atingiu o valor de US$ 3,35/Kg, 25,22%, a menos que o valor médio de igual período do ano de 2017.

Em 2016, o principal destino do mel brasileiro (81,52% de todo volume exportado no ano), foi os Estados Unidos da América (EUA) com volume de 19.729 toneladas e receita cambial de US$ 75,527 milhões, seguido pelo Canadá (volume: 1.570 toneladas e valor: US$ 8,837 milhões). No ano de 2017 a realidade se repetiu com os Estados Unidos da América (EUA) continuando a ser o principal destino do mel nacional (85,88%): US$ 104,097 milhões, 23.234 toneladas e US$ 4,48/kg. Em 2018, o principal destino para o mel brasileiro (83,58% de todo volume exportado no ano), continuou os Estados Unidos da América (EUA) com volume de 22.612 toneladas e receita cambial de US$ 73,751 milhões), vindo a seguir a Alemanha (volume: 2.920 toneladas e valor: US$ 11,107 milhões).

Em 2019 ocorreu uma desvalorização brusca e impactante nos preços do mel. Até meados de 2015 só o Brasil tinha certificações e produção de mel orgânico e era considerado o único país do mundo com produção de mel livre de qualquer substância contaminante. De 2015 até os dias atuais vários outros países como Argentina, Uruguai, Chile e China se atentaram a este diferencial do Brasil e conseguiram alcançar tais certificações, passando a aquecer o mercado com o produto. Além deste fator, a região Nordeste investiu na atividade, aumentando em cerca de 30% a produção Nacional de 2015 a 2019, acumulando mel no mercado, causando impacto na desvalorização do preço do mel pago ao produtor, em função da lei da oferta e procura.

Sabe-se que o mel é um produto relevante na exportação brasileira e que a apicultura é umas das atividades mais importantes para manutenção da biodiversidade e da vida no planeta. No entanto, estamos vivenciando uma incerteza global que exige muita cautela - a pandemia do Coronavírus tem provocado abalos nos mercados globais, e o mel se enquadra nesse contexto. O avanço do coronavírus tem colocado regiões inteiras em quarentena e confinamento, com diversos países fechando as fronteiras e decidindo ampliar medidas restritivas para tentar frear a disseminação da doença e minimizar os impactos econômicos. A legislação brasileira sobre o mel, diz que se acondicionado de forma adequada pode ser estocado por 2 (dois) anos mantendo todas as suas propriedades, logo neste período de incerteza comercial e de barreiras de entradas e saídas de produtos, o produtor pode aguardar a reabertura das fronteiras e melhoria do mercado para poder comercializar.

Observa-se também a necessidade de acompanhar as tendências de mercado nacional e internacional para planejamento e direcionamento de investimentos e ações de ampliação e melhoria da atividade, mas principalmente conclui-se que é uma atividade economicamente viável, ambientalmente correta, e necessária para a biodiversidade e para manutenção da vida do planeta.

 

(Autores: Alyne Chicocki – Engenheira Agrônoma e Pedagoga, Especialista em Gestão de Agronegócios e Gestão de Pequenas Empresas, consultora do Sebrae/PR, Agronegócios, Alimentos e Bebidas; Wagner Gazziero – Administrador de Empresas com Habilitação em Agronegócios, Consultor em Apicultura, Credenciado ao Sebrae/PR)

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Consultora, Agronegócios/Alimentos e Bebidas, Sebrae/PR, Pato Branco.

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