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O Valor da Floresta em Pé

O Valor da Floresta em Pé

Manter a floresta em pé é o melhor negócio

Texto de Erick Caldas Xavier e Narliane Martins

Você sabia que um dos melhores e mais inteligentes investimentos no agronegócio é a recuperação ou manutenção da floresta em pé? Isto mesmo. A floresta é um componente importante das paisagens e tem influência direta na produtividade e resiliência dos sistemas agrícolas, por isso iniciativas que consideram esta relação estão cada vez mais comuns.

O valor da floresta em pé vai além do valor da madeira e dos minérios que estão abaixo do solo. “A floresta é um conjunto de seres vivos cujos serviços ecossistêmicos essenciais à sobrevivência humana são difíceis de mensurar” explica o professor doutor Marcelo Limont, coordenador do projeto Corredores de Biodiversidade.

De acordo com o Mestre em Geografia, Joaquim Freitas, coordenador de projetos do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (CEPAN), é fundamental ampliar as áreas florestadas pois “com a restauração aumenta a provisão de polinização, melhora o microclima da região e aumenta a percolação, a disponibilidade e a qualidade de água”. Considerando todo o esforço empreendido e o custo dispendido para a trazer de volta as florestas que foram derrubadas, fica claro para Marcelo Limont que “quanto mais se trabalha com a restauração, mais damos valor na floresta que ainda está em pé”.

Iniciativas em rede são capazes de unir elos para atender demandas para a conservação e a restauração da biodiversidade de forma mais democrática e inclusiva. As oportunidades de negócio geradas pela floresta vão além dos dos seus serviços ambientais e do valor se sua madeira. O ecoturismo e a comercialização de mudas e sementes são algumas das atividades econômicas desenvolvidas a partir do reconhecimento do valor da floresta em pé.

Infelizmente não tem sido poucas as áreas devastadas no Brasil e no mundo. O prejuízo ambiental e econômico é enorme. O ano de 2020 traz números especialmente preocupantes para a biodiversidade e o patrimônio natural brasileiro. Segundo dados emitidos pelo Sistema Deter, do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), houve um amento de 34% dos alertas de corte raso no mês de maio em relação a abril, mês que já havia registrado o maior desmatamento em 10 anos. Na mata atlântica, que vinha tendo seu desmatamento contido nos últimos anos, houve um aumento de 27,2% no desmatamento, principalmente nos estados de Minas Gerais (5.000 hectares), Bahia (3.532 hectares) e Paraná (2.767 hectares).

Há de um lado, portanto, uma leviana intenção em exaurir os recursos naturais motivada por uma falsa dicotomia entre conservação e desenvolvimento. Felizmente, em oposição há um esforço coletivo para conservar estes biomas, conter o desmatamento e mais, recompor parte daquilo que foi perdido, mostrando que é possível agregar valor, gerar oportunidade de negócios e promover o desenvolvimento com ações de restauração.

Duas iniciativas merecem especial destaque: uma no rio Paraná e outra no Rio Doce. Ambas as bacias têm em sua história um longo período de uso insustentável dos recursos naturais, por conta do desmatamento e da construção de barragens, levando à completa desconexão de ambientes aquáticos e florestais. Como resposta, surge a Rede Gestora do Corredor de Biodiversidade do Rio Paraná e a Rede de Sementes e Mudas, que reúne pessoas e instituições ao redor do desafio de recompor nossas florestas.

A Rede Gestora do Corredor de Biodiversidade do Rio Paraná completou 10 anos em 2020. Teve como ponto de partida o esforço coletivo de desenhar um território de 8,5 milhões de hectares ao longo de 7 estados, onde foram indicadas áreas prioritárias para a conexão de habitats. As ações da rede, reúnem mais de 40 instituições que atuam no território e são alicerçadas em três eixos: estratégias de restauração propriamente dita, segurança alimentar e integração institucional. O projeto mais recente, financiado pelo BNDES prevê a restauração de 351 hectares em 4 anos. De acordo com Marcelo o projeto tem um custo de 11 a 12 mil reais por hectare, porém, em outras projetos este valor pode chegar a até 50 mil reais. No Corredor de Biodiversidade do Rio Paraná os custos só foram minimizados graças à atuação em rede. Como exemplo, 300 mil mudas foram obtidas totalmente com os parceiros.

De acordo com Joaquim Freitas, há uma demanda de 21 milhões de hectares a serem restaurados no Brasil, caso se cumpra minimamente aquilo que está previsto no Código Florestal. Só no rio Doce há uma demanda de 40 mil hectares a serem restaurados em decorrência do rompimento da Barragem do Fundão em 2015. Porém, segundo Joaquim, há uma desconexão entre quem precisa restaurar áreas degradadas e quem pode colocar essa restauração em prática. As redes de sementes são redes de pessoas, que atuam em diversas áreas e que se organizam em uma cadeia de negócios para prover os principais insumos e serviços para atender as demandas de restauração. A Rede de Sementes e Mudas do rio Doce congrega cerca de 160 pessoas entre indígenas (especialmente mulheres), pequenos agricultores e viveiristas, um público que na maior parte das vezes fica alheio ao ramo da restauração, mas que desejam ingressar na atividade. Há treinamento e mobilização para lidar com sementes mudas e técnicas de restauração.

Iniciativas como estas mostram que colocar a floresta em pé trazem oportunidades e vão além dos benefícios econômicos, trazendo consigo importantes benefícios ambientais e o despertar de uma cultura de cooperação pelo bem de todos.

Veja no vídeo acima o debate com especialistas convidados sobre o Valor da Floresta em Pé!

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Do Campo à Mesa

Comunidade Sebrae
Narliane de Melo Martins
Narliane de Melo Martins Seguir

Bióloga, mestranda em Sustentabilidade, especialista em Gestão Integrada de Territórios e Gerenciamento de Projetos.

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