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Que tal uma pitada de planejamento no seu negócio? Conheça um pouco sobre modelo e plano de negócios.

Que tal uma pitada de planejamento no seu negócio? Conheça um pouco sobre modelo e plano de negócios.

O brasileiro não está entre os povos que mais planejam no mundo. Nossa cultura é mais voltada para “botar a mão na massa”. Por outro lado, os números de empreendimentos que começam e não sobrevivem são bastante alarmantes. Os motivos para isso são diversos, como crises inesperadas, fatores pessoais inesperados, crises econômicas inesperadas... É lógico que ninguém imaginaria que 2020, que prometia ser um ano de real recomeço para o país, fosse exatamente o contrário, em função da Pandemia do COVID-19. Mas deixando de lados os “inesperados”, tem muito negócio que não caminha e não alcança sucesso, por falta do tão falado planejamento. Até mesmo dentro dos “inesperados”, talvez eles não fossem tão inesperados assim. Talvez o que realmente faltou, foi um bom planejamento.

Ao montar um negócio, muitos tem uma ideia, e em geral, é comum as pessoas “glamourizarem” ela, vendo muito sucesso, muito prestígio, tudo muito fácil. Também tem os pessimistas que a partir da ideia, não saem dali, porque enxergam tantos empecilhos, e não deixam brecha para a coisa vingar. Tanto para uma situação como para outra, existem ferramentas muito interessante que podem auxiliar você que já tem um negócio ou pretende iniciar um novo. A primeira delas é o Modelo de Negócio e a segunda é o Plano de Negócios. Você já ouviu falar neles?

O Modelo de Negócio, como o próprio nome diz, se trata de uma concepção daquilo que você quer montar, das ideias básicas que compõe o seu empreendimento. Como todo modelo, ele serve como referência para aquilo que você irá fazer. Ao elaborar o modelo de negócios, você irá construir as ideias fundamentais do seu futuro empreendimento em alimentação, que pode ser fabricar um produto (indústria), comercializar alimentos (comércio) ou servir eles (food service). Ao elaborarmos o Modelo de Negócios respondemos a algumas perguntas básicas que procuram exatamente saber: O que você oferece (produto ou serviço), como vai vender, quem são seus clientes, como se comunicar com eles, quem são seus fornecedores e parceiros, quais seus custos e quanto e como você irá cobrar por aquilo que oferece. Existe uma metodologia muito interessante para desenvolver o modelo de negócios, chamada de Canvas que facilita muito a organização das suas ideias.

Como mencionado anteriormente, nos diferentes tópicos abordados pelo Modelo de Negócios, você terá uma ideia geral sobre como a sua empresa irá funcionar. A primeira parte é considerar o que você irá oferecer e qual é a proposta de valor que será oferecida. Na área de alimentos, temos basicamente a entrega de um produto alimentício qualquer (pastel, conserva de palmito, uma geléia, etc) para os consumidores, mas temos que entender qual é a proposta de valor que estamos entregando, ou seja, o que faz o seu consumidor comprar o seu produto (praticidade, experiência única, alimentação saudável, etc).

Na segunda etapa do Modelo você precisa definir quem é o seu cliente e como se comunicar com ele. De acordo com a sua proposta de valor, um segmento de clientes será atendido. Se a sua proposta de valor é entregar um produto orgânico, você tem um tipo específico de cliente que valoriza e paga por isso. Mas quem é ele e como você conseguiria se comunicar com ele, informando sobre a solução que você oferece para aquilo que ele quer?

A terceira etapa vai tratar do que você dispõe e como você irá oferecer a sua proposta de valor. Aqui entram questões como quais são os recursos que você irá precisar (equipamentos, local etc.), qual é a sua atividade principal (entregas rápidas e personalizadas de produtos orgânicos certificados), e quais são os parceiros que podem lhe ajudar (fornecedores, associações, participação em feiras etc.).

E por fim, o modelo de negócios, define quais são os principais custos que você terá e quanto você irá cobrar e como. Um produtor de queijos artesanais pode propor, por exemplo, um sistema de assinatura, onde o cliente recebe um queijo diferente por semana para saborear.

Mas como dissemos, o modelo de negócios foca muito nas concepções básicas para que esteja muito bem definido o que é o seu empreendimento. Feito ele, temos mais uma ferramenta que exige um pouco mais de trabalho, mas que é de suma importância: o plano de negócios.

Assim como na ferramenta apresentada anteriormente, o plano de negócios também deve ser documentado e registrado, não pode ser apenas uma conversa informal, ou alguns rabiscos em um caderno velho. O Plano de Negócios procurar abranger vários aspectos do seu empreendimento, levando a um exercício de planejamento útil para iniciar a atividade, com função estratégica e até mesmo utilizado por muitas instituições financeiras ou até mesmo projetos de fomento para se obter recursos financeiros.

Existem várias formas de se estruturar um plano de negócios e nós iremos apresentar uma delas. Você irá notar que algumas são comuns ao modelo de negócios, só que aqui, ela deve ser elaborada com maior precisão de informação.

Ao começarmos, também temos que definir exatamente qual é o produto ou serviço no setor de alimentos que pretendemos montar. Ter claro em que ramos iremos atuar (indústria, comércio ou serviço) e o que iremos oferecer. Aqui definimos por exemplo quais os produtos fabricaremos, se vai ter linha diet, vegana ou convencional; quais as quantidades de sabores, considerando sempre o mercado existente e o que é mais valorizado pelos consumidores no segmento. Papel especial aqui tem a inovação, ou seja, em que o seu produto irá diferenciar-se dos outros.

Junto com a definição do produto/serviço, devem ser levantadas questões de mercado, portanto, eles são trabalhados conjuntamente. Quem consome o que quero oferecer, qual o tamanho desse mercado, qual o perfil do meu consumidor, onde está localizado. Todos esses dados precisam ser levantados para que eu tenha, com precisão, uma noção da viabilidade do meu negócio. Para certos produtos o mercado é bastante amplo, mas em outros casos ele pode ser muito específico e limitado, sem espaço para concorrências.

O plano também exige que se faça um levantamento sobre a concorrência e os fornecedores. Quem oferece serviços ou produtos similares ao seus e conhecer os seus pontos fortes e fracos é importante para que você estabeleça estratégias a fim de conquistar a sua clientela. Já com relação aos fornecedores, o conhecimento de quais são, onde estão localizados e como se dá a relação com eles é fundamental para não ser pego de surpresa. Pode ser que não haja na sua região fornecedor de sua principal matéria-prima ou então o setor seja dominado por apenas uma empresa o que pode colocá-lo em uma situação desvantajosa.

Definidos estes aspectos, então devem ser abordadas questões relativas à estrutura para fazer com que o seu plano seja colocado em prática. Por isso, devem ser coletada uma série de dados sobre a estrutura necessária. Isso envolve a escolha de um local ou ambiente onde vai funcionar o seu negócio, os equipamentos que você irá precisar e o tamanho da sua equipe de trabalho. Tudo isso tem que estar muito bem alinhado com a capacidade de produção ou atendimentos que você pretende atingir em um primeiro momento. Estrutura em excesso gera custos que podem corroer o seu empreendimento e por outro lado, uma estrutura inapropriada e deficiente, emperra a sua capacidade de crescer. Destaque importante para sua equipe, que no início pode até mesmo ser somente você, mas é importante prever profissionais que sejam fundamentais para o sucesso do seu negócio e que sem eles, as coisas não funcionem.

Depois de definir qual a sua estrutura, entra então a necessidade de planejar o investimento. Para criar a sua empresa você precisa de quanto? Aqui é essencial que você consiga listar quanto de recurso financeiro você necessita, qual deverá ser seu capital de giro, a previsão do fluxo de caixa e de lucros. Essa matemática toda faz com que o empreendedor consiga analisar se já tem ou precisa recorrer a algum tipo de fonte de recursos (empréstimos, por exemplo). Também ajuda a ter uma noção mais realista de quanto vai faturar e quanto vai lucrar, o que muitas vezes pode ser decisivo na definição da viabilidade ou não do seu negócio

E por fim, um bom plano de negócios também faz uma avaliação de cenários. Com ela, você pode simular situações favoráveis ou desfavoráveis ao seu negócio. Por exemplo, a previsão de falta de um ingrediente pode levar tudo a perder, seja pelo aumento de custos ou pela completa incapacidade de dar continuidade a atividade. Mas ao prever isso, podem-se criar estoques estratégicos ou o estudo de ingredientes alternativos e mais disponíveis. Prever cenários otimistas, como por exemplo um aumento expressivo das vendas, faz parte do planejamento. Saber como você poderá atendê-los em pouco tempo, também é importante.

Neste texto apresentamos de maneira breve, o modelo e o plano de negócios e como eles podem ajudar o seu empreendimento a ser mais planejado, evitando surpresas desagradáveis. Caso queira mais informações sobre esse assunto, recomendamos a coleção de podcast “Alimento é o meu negócio” que está disponível no Spotify, Google Podcast e Radio Public. Nessa primeira temporada, são apresentadas informações fundamentais para o início de um empreendimento no setor de alimentação e dentre elas, como fazer o modelo e o plano de negócios. Também no site do SEBRAE você encontra informação e ferramentas on line muito práticas para exercitar o planejamento da sua empresa.

 

Do Campo à Mesa

Comunidade Sebrae
PAULO DE TARSO CARVALHO
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Engenheiro agrônomo, Mestre em produção vegetal, Doutor em tecnologia de alimentos. Professor da UTFPR. Coordenador do Núcleo de Extensão Tecnológica em Alimentos e idealizador do podcast "Alimento é o meu negócio"

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