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Quanto Vale 1/3? Uma reflexão ambiental, social e econômica da perda e do desperdício de alimentos

Quanto Vale 1/3? Uma reflexão ambiental, social e econômica da perda e do desperdício de alimentos

“Quanto Vale 1/3?” é um documentário ambiental produzido na Universidade de Brasília (UnB), pelos então alunos de Ciências Ambientais Lucas Gayoso e Camila Nogueira. No média-metragem, os idealizadores e produtores não dizem que 1/3 vale 0,333... Ele apresenta dados e argumentos que nos levam a pensar sobre os desequilíbrios que a perda e o desperdício de alimentos ocasionam.

Para sobreviver, precisamos consumir alimentos. Para produzir alimentos, precisamos consumir recursos. Mas será que esses recursos estão sendo bem utilizados? Tudo indica que não, já que, segundo dados da FAO, 1/3 (a-há!) dos alimentos produzidos no mundo simplesmente nem chegam até o consumidor final. Com isso, além de não virar comida, essa quantidade enorme de alimento carrega consigo o desperdício de água, de energia e de todos os outros recursos utilizados ao longo da cadeia.

O documentário é amador, nos melhores sentidos do dicionário, que traz que amador é quem ama ou exerce uma arte por gosto. É perceptível que foi necessário muito carinho pelo tema para organizar, em “Quanto Vale “1/3”, tantas informações relevantes e uma dezena de entrevistas de maneira bem concatenada.

Ainda que o documentário no Youtube já tenha mais de 11 mil visualizações, o conteúdo merece ser visto por muitas outras pessoas.

  Os analistas ambientais nos alertam para dados tais como o da Embrapa, que distribui as perdas ao longo da cadeia produtiva da seguinte forma: 10% na produção rural, 50% no manuseio e transporte, 30% na comercialização e abastecimento e 10% no varejo e consumidor final. No transporte, a perda é alta, entre outros fatores, pelas difíceis condições das estradas. Já no varejo e consumidor final, tem perda inclusive pelo hábito de manuseio dos fregueses na hora da compra. Vamos parar de apalpar o tomate, minha gente!

Os custos sociais e ambientais – amplamente exemplificados pelo média-metragem, que os denomina de “externalidades” – podem não ser suficientes para convencer toda a plateia do quanto é ruim desperdiçar alimentos. Assim, recorre-se também para o bolso. Porque, sim, somos nós que pagamos pelos alimentos que nem chegam até nossa casa. A laranja que se perdeu no campo, o abacaxi que caiu do caminhão, a banana-gêmea que o supermercado nem colocou à venda e o tomate que estragou porque mais uma pessoa o apalpou: estão todos ali, embutidos no preço do alimento que nós compramos.

É assustador pensar que o custo da perda e desperdício de alimentos no mundo é igual ao PIB da sétima maior economia do planeta. É inaceitável fechar os olhos para isso. Obrigada, “Quanto Vale 1/3?”, por explorar esse tema e trazer reflexões para todos os elos da cadeia produtiva, em especial para ao nosso próprio dia-a-dia.

Confira:

 


Lucas Gayoso, hoje, trabalha no Sebrae Nacional e segue apaixonado pelo tema e pela produção de vídeos.

 

Comunidade Sebrae
Mayra Viana
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Analista técnica do núcleo de Alimentos e Bebidas da Unidade de Competitividade do Sebrae Nacional. Doutoranda em Administração pelo PPGA/UNB, com ênfase em comportamento do consumidor. Pesquisadora do grupo de pesquisa Conscient da UNB.

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