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Empreendedorismo Feminino: porque nós mulheres precisamos conhecer sobre gestão

Empreendedorismo Feminino: porque nós mulheres precisamos conhecer sobre gestão

Mulheres, empreendedoras, jovens, escolarizadas, chefes de família, mas ainda assim ganhando 22% a menos que os homens donos de negócios. Esses dados foram tirados de uma pesquisa realizada pelo SEBRAE em 2019 sobre Empreendedorismo Feminino no Brasil.

As estatísticas, muito interessantes, me chamaram a atenção sobre o quanto as empreendedoras brasileiras têm se envolvido – ou deixado de se envolver – com temas relacionados à gestão.

Compartilho com vocês alguns dados deste estudo, e logo mais, algumas orientações importantes para que nós mulheres nos tornemos cada vez mais seguras e representativas no mundo corporativo e empresarial. 

Os dados que mais se me chamaram a atenção, são:

  • O Brasil tem a 7ª maior proporção de mulheres entre os Empreendedores Iniciais;
  • 45% das mulheres empreendedoras são “chefes de domicílio”
  • A proporção de negócios por NECESSIDADE é maior no grupo das mulheres
  • As mulheres Donas de Negócio têm maior escolaridade (em comparação à escolaridade dos homens);
  • Mais de 2/3 trabalha sem CNPJ;
  • 81% das Donas de Negócio não têm sócios;
  • As mulheres Donas de Negócio ganham 22% a menos.

 

Algumas informações positivas, outras nem tanto, mas o fato é: quanto mais conhecimento em gestão as mulheres tiverem, mais chances teremos de melhorar nosso posicionamento no mercado de empreendedorismo no Brasil.

 

Mas, afinal, o que falta para intensificar essa relação entre gestão e mulheres?

Quem conhece a rotina de uma mulher já deve imaginar a primeira resposta para essa pergunta e ela se chama dupla, tripla ou até quadrupla jornada. Isso porque como a própria pesquisa mostra, além de trabalharem e administrarem seus próprios negócios, a maioria das mulheres são responsável pela educação dos filhos, pelos cuidados com a casa e tantas outras tarefas diárias.

Também notamos que, muito mais do que os homens, as mulheres decidem empreender por necessidade. Além disso, acabam fazendo isso na informalidade, já que mais de 2/3 não possuem CNPJ.

Outro dado muito interessante é a questão de que 81% das empreendedoras não possuem sócios. Ou seja, tomam conta de suas empresas sozinhas, sem ter com quem dividir responsabilidades, decisões e estratégias.

Todos esses fatores só intensificam ainda mais o entendimento de que a mulher realmente encontra dificuldades de tempo, disposição e acessibilidade para aperfeiçoar seu conhecimento.

 

Financeiramente falando...

O mesmo estudo também constatou que as mulheres fazem menos empréstimos nos bancos do que os homens. Além disso, pegam valores menores e são consideradas boas pagadoras. Mas, acredite se quiser, mesmo assim, são elas – ou melhor, nós – que pagamos as taxas de juros mais altas.

Diante dessa realidade, podemos interpretar que, muitas vezes, o que falta nas mãos de uma mulher são dados, informações e conhecimentos que a permitam negociar melhor suas condições de empréstimos e também de tantas outras decisões importantes na vida de uma empresária. E é sobre esse conhecimento em gestão que quero falar.

 

Menos papel e mais ferramentas

Chegando até aqui, depois de ler cada um desses pontos que representam o empreendedorismo feminino no Brasil, ainda há mais um assunto a ser falado e que é o principal motivo que me leva a insistir na importância de as mulheres buscarem a troca de informações e o conhecimento em gestão.

Você sabia que, apesar de as empreendedoras terem um nível de informatização parecido ao dos homens, pois possuem celulares, tablets e outros dispositivos, ainda assim, 50% delas mantêm as principais informações da empresa anotadas em cadernos?

É exatamente nesse ponto que desejo me aprofundar. Durante toda a vida, sempre nos mostramos competentes naquilo que fazemos, desempenhamos vários papéis na vida, na profissão e na família.

Então fico me perguntando:  O que falta para termos o mesmo espaço e a mesma valorização de um homem? O que podemos fazer para mudar de fato esse cenário?

Se sou uma boa pagadora, será que tenho argumentos o suficiente para negociar minhas taxas? Será que mesmo tendo bons resultados na minha empresa, eu consigo afirmar minha porcentagem de lucro do último mês?

A realidade só irá mudar quando nós mudarmos.

E o primeiro passo é buscando formas de profissionalizar cada vez mais os nossos negócios, mesmo diante de todos os desafios impostos na jornada de uma empreendedora.

Hoje, apenas 26% das mulheres empresárias usam o Excel para controles financeiros, por exemplo. Essa ferramenta tão simples e acessível é extremamente importante para ter clareza dos números e otimizar o seu tempo.

Já parou para contar quanto tempo você leva para anotar tudo em um caderno e ainda fazer suas análises com uma calculadora? Então, que tal ter esses dados de maneira mais fácil e até estratégica? Algumas mulheres que conversei a respeito, alegam nem saber por onde começar...e aí gera um desanimo, e acaba ficando assim mesmo.

Você, que está lendo este artigo agora, sabe que seu tempo é precioso, e sabe também o quanto você é capaz! O mais difícil você já fez, que é empreender! Superou obstáculos, enfrenta desafios diários, e se colocou no mercado. O próximo passo, é entender a gestão da sua empresa e conversar com os números, de uma maneira simples e eficaz, para que na ponta da língua (ou do lápis ou ainda na tela do seu notebook) você tenha as informações necessárias para análise de crescimento de seu empreendimento.

Você tem que dar valor a gestão da empresa assim como valoriza seu produto ou serviço. O guru da Gestão, Vicente Falconi disse:

Gestão é promover resultados, é resolver problemas, promover mudanças, buscar métodos. Você não consegue mudar uma meta, sem fazer gestão. A busca por resultados é paralela à busca por conhecimento.

E hoje temos muitas opções de buscar conhecimento. Eu poderia te sugerir em ler este ou aquele livro, seguir este ou aquele canal, buscar este ou aquele software de gestão, contratar esta ou aquela consultoria. Mas isto é uma questão de Priorização do momento que você está passando, e a primeira decisão é dizer: EU QUERO saber quanto tenho de lucro mês a mês, quanto gasto, quanto preciso vender, qual é o percentual do meu custo, posso ou não aumentar o preço etc.

 

Você mulher, não é obrigada a mudar, mas a sua decisão, influenciará a próxima pesquisa do SEBRAE nos próximos anos!

 

Gislane Ap. de Syllos

Empresária com experiência de 25 anos no mundo corporativo, atua como consultora especializada em Micro e Pequenas Empresas, ajudando empresários a organizarem a área de apoio da empresa, incluindo administração e finanças.

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Empresária e Consultora. Experiência na área corporativa ha 27 anos, hoje atua ajudando Pequenos Empresários a profissionalizarem suas empresas nas áreas de apoio (administrativa, financeira e pessoas).

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