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[Entrevista] A força do empreendedorismo feminino no Brasil 💪🏼

[Entrevista] A força do empreendedorismo feminino no Brasil 💪🏼

Confira a entrevista exclusiva com a historiadora e feminista, Suzana Puntel.

Há muito tempo o público feminino vem lutando para garantir uma condição e posição mais igualitária na sociedade. Muito já foi alcançado neste sentido, mas estamos longe de viver um mundo ideal no que diz respeito à igualdade de gênero.

No mercado de trabalho brasileiro, de forma geral, apesar do maior nível de escolaridade e de desempenhar as mesmas funções que os homens, as mulheres ainda recebem salários que podem ser até 50% menores.

No entanto, apesar desse quadro, de todos os preconceitos e dificuldades que uma mulher enfrenta para alavancar sua carreira, cada vez mais, elas têm assumido posições de destaque no mercado de trabalho. 

O objetivo desta entrevista é mostrar um movimento que vem ganhando destaque e bastante força, o empreendedorismo feminino.

 

1. O empoderamento feminino tem alçado voos altos, inclusive quando se trata de empreendedorismo. Quais os principais obstáculos as mulheres enfrentam para que seus empreendimentos cheguem à fase de amadurecimento?

R: Entre os obstáculos que as mulheres ainda enfrentam no mercado de trabalho estão o machismo e o racismo por parte da sociedade. Várias empresas abrem as portas para o público feminino visando o lucro, mas muitos esquecem de que essas mulheres são provedoras de seus lares.

As mulheres estão abrindo seus próprios negócios para gerar lucro entre elas e para ter uma autonomia financeira maior. Além disso, o público feminino está se ajudando, como é o caso do Magazine Luiza que construiu uma rede de mulheres a fim de apoiar essa causa.

Quando a mulher é negra acredito que pode ser duplamente sacrificante ter  que enfrentar o racismo  que por diversas vezes  é velado.

2. Pesquisas apontam que três em cada quatro lares no país têm uma mulher como papel principal, sendo que 41% delas têm seu próprio negócio. Você acha que esses dados têm contribuído para a transformação social?

R: Embora o Brasil tenha avançado em algumas questões, todos os dias as mulheres enfrentam uma batalha. Certamente, os empreendimentos comandados por elas têm contribuído para a transformação social. Pode-se dizer que as mulheres movem o mundo! Existe uma frase que gosto bastante que diz “as mulheres são como águas, elas crescem quando se encontram”. 

No empreendedorismo ocorre a mesma coisa. As mulheres buscam o apoio feminino por causa da firmeza, sororidade, identificação e representatividade. Isso acaba transformando a sociedade, uma vez que elas são retiradas de um determinado patamar e passam a fazer parte do topo. Por exemplo, se a minha avó e a minha mãe foram capazes de sustentar uma família, eu também sou. É assim que devemos pensar.

3. De acordo com o relatório executivo mais recente do Sebrae, mais de 35% das empresas do Brasil são de mulheres. Você acha que elas têm buscado o empreendedorismo como modo de driblar não apenas o desemprego, mas de cruzar a insatisfação com os salários desproporcionais com a necessidade de mais tempo em casa, por exemplo?

R: Vamos pensar nas mulheres que são chefes de lares, elas não têm um companheiro para dividir as tarefas  e despesas, então essa parcela da população tem que se dividir para sustentar os filhos, passar mais tempo com a família etc. Então, o empreendedorismo é uma forma de conciliar o tempo e a administração do lar.

Abrir um negócio próprio também é uma maneira de enfrentar a desproporção salarial, uma vez que é comprovado que os homens ganham mais do que as mulheres, mesmo exercendo as mesmas funções. E essa diferença pode ser observada em diversos setores do mercado.

4. Quais características femininas contribuem para que elas sejam ótimas administradoras de um negócio?

R: Não acredito que uma determinada característica possa ser classificada como feminina ou masculina. Para mim, essa diferença vem sendo imposta pela sociedade há anos, ou seja, está enraizada na nossa cultura. Por exemplo, tal mulher não serve para determinado modelo de negócio, pois não se encaixa em  um determinado padrão. Na verdade, creio que uma mulher pode ter mais oportunidades do que outra por meio de incentivo educacional e privilégio social.

5. Para você, qual é o futuro do empreendedorismo feminino no Brasil?

R: Embora não veja com bons olhos muitas coisas por causa do atual cenário político, uma vez que o conservadorismo está fechando muitas portas, também tenho percebido que as mulheres estão mais unidas, procurando chegar a um consenso heterogêneo para que haja um crescimento como um todo. Além disso, os laços se estreitam e possibilitam que as mulheres se apoiem e prosperem, inclusive no mundo dos negócios.

Empreendedorismo Feminino 👠

Comunidade Sebrae
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