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Um Sonho de Empreendimento que deu forças pra continuar.

Um Sonho de Empreendimento que deu forças pra continuar.

Meu nome é Ivonete Ines Paludo Burtet, moro em Pranchita-PR município da Fronteira com a Argentina, sou descendente de italianos, viúva e tenho 58 anos. Proveniente de uma família de 5 irmãos. Filha de Lydoino Paludo (em memória) e Emma Maria Paludo.

Tudo começou quando encontrei o amor da minha vida. Namorávamos até o dia em que recebi o tão famoso “Quer casar comigo? ”, onde apaixonada eu disse SIM. Meu pai não era muito a favor porque se eu casasse teria que ir embora de Pranchita, minha cidade natal. Mas o destino levou-me para junto dele, que era agricultor e estava abrindo lavouras no Mato Grosso, um momento um tanto quanto difícil.

Enquanto ele estava na fazenda abrindo terras para o cultivo, eu estava na cidade. Me ocupava de atividades como crochê e pintura em tecido que auxiliavam no sustento da casa. As despesas como aluguel, luz, água eram pagas com as vendas dos meus artesanatos. Sempre que me elogiavam pelas coisas lindas que eu produzia, reforçava o sonho de eu ter minha própria loja.

Nos dávamos muito bem e nos ajudávamos nas dificuldades com muita fé em Deus. E esta fé foi abençoada, pois recebemos o maior presente de nossas vidas, nosso filho, o André. Gravidez difícil, sistema de saúde precário, mas nasceu lindo e saudável. Meu esposo ia pra lavoura e ficava dias sem nos ver mas era preciso pois era deste trabalho que tirávamos o sustento da nossa família que havia aumentado.

Muitas injustiças aconteciam, a família do meu esposo era grande, mas quase todo o trabalho ficava para ele. Entre tudo isso fui convidada para trabalhar em uma loja, na qual a proprietária estava em depressão e precisava de ajuda. Como adorava vender e trabalhar, fui ajudá-la. Até o dia em que ela colocou a loja a venda oferecendo-a para mim. Meu esposo teve medo, mas com a ajuda do meu pai, fechei o negócio, era o meu sonho.

Tudo estava dando certo, a loja ia muito bem. Mas veio a notícia de que meu pai, meu porto seguro, quem eu amava tanto havia falecido. Desmoronei, a tristeza, a angustia e o sofrimento foram intensos. Toda minha força vinham do meu esposo e do meu filho. Com muito trabalho, sempre trabalhei desde os 10 anos de idade, foi passando aquela dor. A loja que era um sonho pra mim e a cada dia estava mais bonita.

Quando achamos que nossa vida estava se encaminhando, veio em 16/11/1992 a notícia que meu esposo tinha sido vítima de uma espingarda de fogo. O tiro acertou seu coração e ele veio a falecer. Novamente desmoronei. Minha mãe e minha irmã vieram do Paraná ficar comigo alguns dias tentando me consolar. Até hoje não sei qual motivo que levou alguém destruir minha família. Pensei em ir atrás do assassino na época, havia um programa de TV que ofereceu reportagem para ir em busca do caso, mas pensando em meu filho pequeno, resolvi deixar a justiça em nome de Deus que não dorme e não falha.

Cada dia mais difícil de permanecer no Mato Grosso. Embora com lavouras pra terminar de plantar e colher, acabei ficando sem nada, pois haviam dívidas também. Vendi meu sonho, minha loja, depois de 9 anos de comércio. Achei que minha vida e a do meu filho, de 5 anos, eram mais importantes. Voltei pra minha cidade natal, Pranchita, junto com meus familiares. Nos arrumaram uma casinha de madeira, simples, que chovia dentro. Mas estava dando graças a Deus pelo cantinho que nos trazia paz.

Não foi nada fácil recomeçar. Recebi proposta de trabalhar em um escritório, a princípio aceitei por causa do meu filho, mas não era o que eu gostava de fazer. Fui guardando meu dinheiro sempre pensando novamente e reconstruir o sonho de ter novamente uma loja. Buscava mercadorias no Paraguai, fui assaltada, perdia algumas, dias tão difíceis. Mas nunca pensei em desistir. Meu filho foi fazer teste de futebol, ia pra longe, não deixei. Foi estudar Agronomia, ajudei ele a se formar com sacrifício e dificuldades. Se formou em dezembro de 2008.

O comércio com minha nova loja estava se desenvolvendo. Meu filho iria estagiar e arrumar um emprego no Mato Grosso em março/2009. Me falava que ele ia trabalhar e construir nossa casa. Até que em 24/02/2009 sofre um acidente de carro e vem a falecer. Outra vez desmoronei. Tive vontade de ir embora. Sem meu pai, meu esposo agora sem meu filho, precisei me agarrar aos nossos sonhos. Acredito que são anjos que me dão força a todo momento. Ainda tenho meus familiares que me apoiam também e me dão forças pra seguir em frente.

Minha loja hoje cresceu e muito, tem dois andares. Dela tiro meu sustento. Construí não só uma casa, mas um prédio no centro da cidade. Hoje não viajo mais pro Paraguai, mas tenho uma infinidade de produtos e entre eles, meu lindo artesanato. Tenho clientes de todos as idades, clientes fiéis que me conhecem, sabem da minha história e da minha luta. Diante da pandemia me adequei ás mídias para vender. Inovo sempre criando outros nichos de mercado, tenho também seção de armarinhos, que ninguém na cidade tem.

Deixo minha mensagem a todas mulheres que passarem ou estiverem passando por alguma dificuldade na vida: “Nunca deixem de lutar pelos seus sonhos, se agarrem a eles como se fossem sua própria vida. Porque a vida pode te tirar tudo, menos sua fé e sua vontade de vencer e de lutar.” Nada ganhei pronto, construí tudo com muito sacrifício e sofrimento, mas valeu a pena. Continuo minha vida acreditando no que Deus me disse:

“Se você não tiver por quem continuar, continue por você mesma, assim estou fazendo apesar de tudo preciso seguir em frente e esquecer as dificuldades da vida e nunca desistir”

Sobrevivi, vou continuar...

 

Empreendedorismo Feminino 👠

Comunidade Sebrae
Ivonete Inez Paludo Burtet
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Sou Ivonete Ines Paludo Burter, mas todos me conhecem por "Vone".

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