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Vencendo todos os dias

Vencendo todos os dias

Eu me chamo Vanilda Mohr, nascida em 23 de novembro de 1954 no Munícipio de Maravilha, SC.

Filha de agricultores alemães, sempre com uma educação muito rígida, e trabalhando muito.

Tive 4 irmãos, sou a mais velha, tive que trabalhar e cuidar deles. Estudei escola de interior onde fazia 5 km a pé para chegar, passando por muito mato, frio, barro, ali estudei até o terceiro ano. Tive que parar os estudos para trabalhar na roça e criar meus irmãos, mas meu sonho de estudar não acabou, depois estudei em colégio evangélico e consegui concluir o oitavo ano. Sempre tive um sonho de ser enfermeira, poder ajudar o próximo.

Com 19 anos me casei com um homem bom o Elmo e com ele construí minha família. Continuamos morando na roça e após 11 meses nasceu nossa primeira filha, Marilei, foi uma alegria, ali começava a formar uma família, depois de 2 anos veio a Marinês, tivemos bastante trabalho com ela pois era muito doente, e 5 anos depois veio a caçula Carla, então a família estava completa. Muitos planos, muitas decisões, tínhamos terras, vacas, porcos e estávamos construindo um aviário para criação de frango. Num dia qualquer de repente meu marido Elmo passa mal, vai pro hospital e lá foi constatado um derrame cerebral, foram momentos de angustia mas sempre de muita esperança e fé, e logo após veio a triste notícia, ele havia falecido.

Fiquei sem chão, não sabia o que fazer, com 3 filhos pra criar, dividas, pois estávamos investindo já não sabia o que fazer. Familiares me ajudaram, me deram apoio mas dependia de mim tomar decisões e enfrentar a vida.

Decidi continuar os projetos que estavam em andamento, as filhas meio período iam pra escola e o restante do dia tiveram que trabalhar e me ajudar. Com muito esforço consegui terminar o aviário, mas o trabalho era duro, exigia muito de todos e já não dávamos conta.

Após alguns anos decidi morar na cidade, pra que minhas filhas pudessem estudar, conheci outra pessoa e ele tinha 3 filhos também, não foram anos fáceis até que decidi então me separar.

Durante esse período trabalhei na enfermagem que eu tanto queria, naquela época não exigiam cursos, até que começaram exigir estudo então tive que parar de atuar nessa área, pois não tinha concluído o segundo grau e não podia me especializar.

Então fui trabalhar em uma creche municipal de baixa renda, ali via tantas dificuldades que me davam forças pra prosseguir.

Depois trabalhei em uma confecção da cidade muito bem conceituada, era encarregada de produção.

Nessa época minhas 2 filhas mais velhas já não estavam mais em casa, tinham saído pra trabalhar, começaram a trabalhar muito cedo.

Então eu e minha filha caçula morávamos juntas. Nos duas trabalhava nessa confecção, ela com 14 anos de idade, mas desde cedo batalhando ao meu lado.

Então decidi terminar meus estudos a distância.

Casei novamente e meu esposo tinha uma relojoaria em Maravilha, foi ai que decidi parar de trabalhar nessa confecção para cuidar do nosso negócio.

Fui estudar e fazer um curso técnico de ótica, na época era difícil, o curso era longe da cidade e tínhamos que passar uma semana fora de casa, mas me formei e então montamos a ótica junto a relojoaria em Maravilha.

Em 2015 resolvemos deixar Maravilha e ir para Barracão, onde minhas 2 filhas moravam. Estava cansada de ficar longe e queria aproveitar mais o tempo com elas e viver perto da família. Montamos a relojoaria e ótica Confiança em Barracão PR, um recomeço difícil, pois tínhamos que fazer nossa clientela, mas aos poucos fomos fazendo amigos e com nosso trabalho sério e honesto fomos ganhando nossa clientela, tudo ia bem até que meu marido Dilvo teve um infarto fulminante. Mais uma vez fiquei desesperada e sem saber o que fazer. Agradeço por estar perto das filhas pra me dar apoio. Como os negócios não iam tão bem tínhamos feito muitos empréstimos e dividas, e lá estava eu mais uma vez endividada sem saber pra onde correr. Momentos difíceis, muitas decisões, mas priorizei o pagamento de tudo, honrei com as dívidas.

Já não queria prosseguir com o negócio, achava que não daria conta de tudo sozinha, foi ai que minha filha caçula a Carla veio trabalhar comigo, me ajudar e continuar meu negócio. Hoje fico tranquila porque sei que tenho uma pessoa ao meu lado pra me ajudar.

Comércio não é fácil, temos que estar em busca de novidades e tecnologia o tempo todo.

Momentos de crise, baixa nos negócios e faturamento.

Nada é fácil, mas quando temos família e amigos pra nos ajudar e dar forças pra prosseguir tudo fica mais fácil.

Tenho um ditado: Enquanto há fé nada pode nos impedir de vencer.

 

Empreendedorismo Feminino 👠

Comunidade Sebrae
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