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A crise pandêmica e as estratégias financeiras nas empresas. Parte 1

A crise pandêmica e as estratégias  financeiras nas empresas. Parte 1

Objetivo: tecer algumas perspectivas para a atividade empresarial a partir da experiência obtida pela vivencia nas muitas crises que o Brasil já teve.

Inicialmente aborda-se o marco conceitual das variáveis que provocam e influenciam esta crise pandêmica e todas as que o Brasil já viveu.  Define-se o termo “crise econômica” como a queda ou estagnação da atividade produtiva. Elas fazem parte dos chamados Ciclos Econômicos, os quais sempre existiram e sempre existirão. Os ciclos econômicos são flutuações da atividade econômica no curto prazo, ou seja, deveriam durar em torno de um ano. Neles, acontece a alternância entre períodos de crescimento do produto, relativamente rápido, com períodos de relativa estagnação ou declínio. 

A crise se  origina na fase de declínio e estagnação econômica. Há  uma mudança repentina e violenta no crescimento e queda da produção. Nela, a economia alterna rapidamente para novas regras de funcionamento.

O resultado imediato para as empresas e para os agentes econômicos em geral, são resultados financeiros em queda ou negativos.

Também cabe diferenciar o conceito do econômico e o do financeiro. O primeiro é o crescimento da riqueza, do patrimônio e o segundo é a manutenção, queda ou crescimento da liquidez na economia.

Abordando a história brasileira, as mais famosas e recentes crises econômicas aconteceram durante a implementação do Plano Cruzado em fevereiro de 1986. A outra durante o Plano Collor em março de 1990. Todas provocadas pelo poder executivo o qual buscava o combate à inflação. As medidas aplicadas iam do congelamento de preços e salários, passando pela tentativa de desindexação da economia com corte de zeros na moeda até o congelamento de ativos financeiros dos agentes econômicos. O resultado foi a descapitalização e empobrecimento patrimonial geral para todos os agentes econômicos, além da diminuição drástica na capacidade de consumo e de investimento.

O Plano Real iniciado em março de 1994 também buscava a queda da inflação. Esse objetivo foi conseguido como também a inserção das classes C e D no mercado consumidor, a remonetização e o aquecimento da economia com  crescimento do PIB e atração de capitais externos. Concomitantemente e como efeitos negativos houve o aumento dos gastos públicos, a redução do superavit comercial como resultado de uma taxa de câmbio valorizada.

E, demos uma olhada sobre a última crise global a qual começou oficialmente no ano de 2008 e se prolongou até o ano de 2018. Teve início com a quebra do mercado financeiro internacional. Na economia brasileira, as suas consequências imediatas foram a queda no valor das ações e aumento no preço do dólar, a diminuição do crédito e a redução dos investimentos produtivos. Concomitantemente o PIB e o emprego tiveram forte retração o que gerou instabilidade política e social.

A resposta do poder executivo á época foi o incentivo ao consumo através de um conjunto de políticas heterodoxas que resultaram em aumento da inflação, (cujo principal mecanismo de controle é a elevação da taxa de juros - SELIC) acentuação do déficit fiscal e abalo da confiança dos investidores, sem a esperada elevação dos investimentos, dos empregos e da sustentação do crescimento do PIB.

As “crises brasileiras” sempre tiveram origem na necessidade imediata de alavancar o crescimento, paralelamente ao desenvolvimento e a distribuição de renda, com controle da inflação.

PREVISÃO para a economia brasileira no ano de 2.014:

“O Brasil entrou em recessão por volta de 2014. Se essa recessão durar o tem­po médio das recessões brasileiras, o crescimento voltará a partir de maio de 2020”.

Essa frase afirma que os períodos de duração dos ciclos econômicos brasileiros podem ser de até seis anos.

E mostra como os exercícios de futurologia podem cair em um buraco negro, dadas as crescentes e rápidas “estreias” de variáveis globais incontroláveis..... (como a(s) muitas epidemias e pandemias).

E, como todos sabemos e acompanhamos, no ano de 2020 se iniciou “a crise da peste” do COVID 19.

Utilizando o método da observação, constata-se que essa “pandemia” é de natureza externa, ou seja, não foi nenhum dos agentes econômicos nacionais que a provocou. Portanto, de natureza "imprevisível e incontrolável" e com poucas ferramentas que permitam suas "gestão" no curto prazo.  

E, pela orientação dos organismos internacionais (OMS) aos governos mundiais, foram adotadas medidas de prevenção e de controle resumidas em ações como o confinamento, o distanciamento social, o uso de máscaras. E ações de combate ou de tratamento ainda em fase de decisões e definições sanitárias e políticas. Essas ações tem como consequências imediatas na atividade econômica:

- a paralisação de setores da economia, provocando queda na oferta e na demanda da produção de bens e serviços (algo inédito na história das crises brasileiras);

- crescentes e elevados gastos do governo com o objetivo de manter um nível mínimo de liquidez na economia bem como manter um sistema básico de atendimento às vítimas da doença.

E, o impacto nas empresas?

Aguarde a Parte 2.

Finanças e Tributos

Comunidade Sebrae
Jose Joaquin Caceres
Jose Joaquin Caceres Seguir

 Bacharel em Ciências Econômicas - UFSM/RS  Especialização em Comércio Exterior – Fundação Dom Cabral/MG   Mestre em Engenharia de Produção – UFSC/SC  MBA Administração Financeira e Orçamentária – FASUL/PR

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