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A evolução do Brasil no Índice Global de Inovação 2020

A evolução do Brasil no Índice Global de Inovação 2020

O Índice Global de Inovação (Global Innovation Index, GII) foi estabelecido em 2007 e tornou-se referência sobre inovação em escala mundial, com métricas capazes de capturar as múltiplas facetas da inovação. É uma publicação conjunta proposta pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual - OMPI, uma das agências especializadas da Organização das Nações Unidas – ONU, voltada a promoção da proteção da propriedade intelectual; do Instituto Europeu de Administração de Empresas – INSEAD, uma das principais escolas de negócios do mundo e da Universidade Cornell, historicamente entre as vinte melhores universidades do mundo no World University Rankings. É publicado anualmente e, cada edição é acompanhada de um enfoque temático. Em 2020 foi “Quem financiará a inovação?”. Em 2019 foi Saúde e, no ano anterior, Energia.

Trata-se de um estudo importante, que consolida 80 indicadores distribuídos em 2 vertentes, sendo uma delas as entradas, insumos da inovação, que capturam elementos das economias nacionais e permitem atividades inovadoras e, ainda, as saídas, que buscam capturar evidências dos resultados / produtos da inovação. O tema desse ano é especialmente importante, o financiamento da inovação, enquanto elemento habilitador.

Nessa edição o Brasil encontra-se na 62º posição no ranking global, subindo quatro posições em relação a 2019, com crescimento em uma posição nas entradas, ou seja, insumos da inovação e três posições em relação aos resultados da inovação. É um resultado importante, mas deve ser observado com cautela. Deve-se ter em conta que, enquanto índice, existe a perspectiva comparativa em duas dimensões, a interna, contra si próprio e a externa, em relação a diferentes conjuntos, observando as mudanças ao longo do tempo. Também deve-se ter presente que a avaliação exclusiva de um ano em relação ao anterior representa apenas um recorte mais limitado de análise e que, para se ter consistência, faz-se necessário observar as mudanças ao longo do tempo, pois segundo os próprios autores, as mudanças na definição de variáveis ou no processo de coleta de dados podem criar movimentos não relacionados nas classificações de desempenho, entre outras possibilidades.

Para progredir no índice, deve-se ter coesão, coerência, consistência e persistência, entre outros atributos necessários e possíveis. Portanto, faz-se importante analisar historicamente a performance nacional. Nessa direção releva-se a Mobilização Empresarial pela Inovação – MEI, movimento coorganizado pela Confederação Nacional da Indústria, um dos apoiadores do GII. Numa análise conduzida entre 2011 e 2018 pela CNI/MEI identificou-se que o Brasil apresentava uma crescente perda de eficiência em inovação, cuja performance pode ser sintetizada por bons indicadores em atividades de pesquisa e desenvolvimento balanceada com resultados menos consistentes em transposição para inovação.

Apesar da progressão de posições observa-se que a visão do GII 2019 e da análise do período 2011-2018, o Brasil mantém, entre as fraquezas, não necessariamente em ordem de peso: 1) Facilidade em abrir negócios, 2) Infraestrutura geral (em percentual de formação de capital no PIB), 3) Crédito, 4) Oferta de capital de risco, 5) Crescimento do PIB, 6) Empreendedorismo e novos negócios.

Quanto aos destaques, o país figura positivamente em relação a sofisticação de negócios, impulsionada pela absorção de conhecimento – pagamentos relativos a Propriedade Intelectual e capital humano.  No capital intelectual os únicos destaques brasileiros estão por conta da USP, melhor colocada, UNICAMP e UNESP. Esse tripé universitário também chama atenção para o ambiente de inovação no estado de Sâo Paulo, cujo ecossistema da capital daquele estado é o único que figura entre os 100 maiores clusters mundiais de inovação, apesar de muitos outros ambientes aparecerem no mapa da ruído, incluindo o Paraná, aonde pode-se verificar Curitiba – ainda que não mencionada.

Em um dilema, o país destaca-se em escala de mercado, mas perde em custo de transação, impulsionado por questões de tributação. Desde 2016 o Brasil deixou de figurar entre os 3 melhores da América Latina. Desde então México, Chile e Costa Rica tem-se mantido no ranking com resultados consistentes. Quanto ao respectivo grupo de renda (renda média-alta), o país não aparece entre os 10 maiores colocados e, na avaliação geral, aparece classificado entre os países “dentro das expectativas de desenvolvimento”. Se observado entre os BRICS, o Brasil é o último posicionado. Em relação aos países MINT (México, Indonésia, Nigéria e Turquia), alcunha criada em torno dos países com expectativa de tornarem-se grandes economias mundiais, junto dos BRICS, o Brasil já está atrás do México e Turquia, e a frente da Indonésia e Nigéria.  Resta uma sensação de possibilidade de melhoria, apontadas pela MEI/CNI (2018) em 4 desafios, com o fortalecimento de marca, capital humano, ecossistemas de inovação e competências digitais, observando 3 princípios orientadores: Estratégia, simplicidade e velocidade.

Esses pontos parecem convergentes a uma visão pragmática de expansão, concorrência e capital, concomitante ao estabelecimento de desafios, em direção à criação de valor e diferenciação por meio da inovação, proposto incialmente por Schumpeter à partir da década de 1930-1940, do século passado. O pragmatismo e simplicidade apregoados estão ligados à raiz capitalista e endereçam a necessidade de soluções para fortalecer a confiança e segurança em fazer negócios e destravar os fluxos de capital e conhecimento. Urge a necessidade de uma agenda positiva, com visão de longo prazo com um mercado internacional interconectado em que se deve perseguir o crescimento econômico e desenvolvimento, sem floreios. A inovação não persiste só, faz sentido conectada com a diferenciação, crescimento, desenvolvimento e competitividade. Carece de um mercado, de um tecido empresarial com capacidade transformadora e captura de valor, de um ambiente empreendedor e de capital, tema central esse, tema central do presente estudo. E deve considerar um planejamento de longo prazo, sem perder de vista a execução no curto prazo, ambos aspectos cujo desafio é ter ciclo de vida superior ao ciclo eleitoral, com foco no resultado, não nos meios para. O Brasil está progredindo, mas, para manter-se competitivo, deve acelerar a agenda de desenvolvimento, na qual a inovação desempenha um papel importante. Pera melhor performar em inovação, deve-se perseguir (e progredir em) competitividade.

O estudo traz insumos ricos e que permitem aprofundamentos. Há, inclusive, um capítulo específico das oportunidades e desafios do financiamento à inovação no Brasil, olhando tanto pela ótica do capital público quanto privado.

Para o aprofundamento da leitura:

CNI - Confederação Nacional da Indústria; SESI - Serviço Social da Indústria; SENAI - Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Desempenho do Brasil no Índice Global de Inovação 2011-2018. -- Brasília: CNI, 2018.

UNIVERSIDADE CORNELL, INSEAD e OMPI. Índice Global de Inovação, 2018: Energizando o Mundo com Inovação. Ithaca, Fontainebleau e Genebra, 11ª Edição, 2018.

UNIVERSIDADE CORNELL, INSEAD e OMPI. The Global Innovation Index 2019: Creating Healthy Lives—The Future of Medical Innovation. Ithaca, Fontainebleau e Genebra, 12ª Edição, 2019.

UNIVERSIDADE CORNELL, INSEAD e OMPI. The Global Innovation Index 2019: Key findings, 2019b.

UNIVERSIDADE CORNELL, INSEAD e OMPI. The Global Innovation Index 2020: Who Will Finance Innovation? Ithaca, Fontainebleau e Genebra, 13ª Edição, 2020.

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Ambientes de Inovação

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Izoulet Cortes Filho
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Administrador de empresas, com habilitação em comércio exterior, Pós-Graduado em Política, Estratégia e Planejamento e Mestrando em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia. Atuante há 20 anos no ambiente tecnológico em favor da inovação

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