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A perspectiva da inovação na estrutura das empresas iniciantes

A perspectiva da inovação na estrutura das empresas iniciantes

Não são raros os casos em que a inspiração para um novo empreendimento surge da conversa despretensiosa entre amigos, familiares ou colegas. Assim, muito antes de surgir uma empresa, é normal que essas pessoas, contando com a relação que já possuem, comecem a desenvolver o projeto para atestar a sua viabilidade, deixando a formalização para um segundo momento.

Considerando as obrigações e responsabilidades em se abrir uma empresa, não é de se estranhar que essa postura seja comum. E, por consequência, as inovações costumam crescer em ambiente sem qualquer tipo de formalização e proteção, contando apenas com a confiança gerada pelo vínculo pré-existente entre os parceiros.

Contudo, é natural, numa relação entre sócios, que existam conflitos de ideias e, caso a empresa não esteja bem alinhada e estruturada, diante dessa seara, pode-se ocorrer entraves significativos a ponto de inviabilizar a atuação da empresa no mercado de forma sadia. Pois, nesses casos, a volatilidade do mercado e a velocidade com que muitas decisões precisam ser tomadas evidenciam que todos os negócios, mesmo aqueles firmados entre pessoas próximas, precisam de mecanismos que assegurem a rápida resolução de conflitos.

É nesse momento que entra a importância de um acordo de sócios na fase inicial dos projetos. Esse documento opera como contrato parassocial, que permite, aos seus titulares, acordarem e disporem sobre uma série de questões ligadas a administração e organização da empresa.

Mas o que isso tem a ver com inovação?

A inovação, comumente, estará associada a algum produto ou processo tecnológico que servirá como um diferencial competitivo da empresa. Dessa forma, se não existir um acordo entre sócios pré-estabelecido e bem alinhado, em cenários de incerteza ou de desacordo entre os dirigentes, isso, certamente, causará entraves à saúde empresarial. Isso ocorre, principalmente, em momentos que exigem tomadas rápidas de decisões, que seguramente determinarão, de forma crucial, o deslinde do negócio, acarretando perda do espaço competitivo, bem como da própria inovação.  

Assim, as partes em um primeiro momento, longe dos conflitos poderão estabelecer uma série de regras que servirão de base para tomadas de decisões justamente nas fases mais delicadas e importantes para a saúde empresarial.

Nesse primeiro momento é ideal estabelecer elementos. Como:

  • Titularidade da propriedade intelectual;
  • Regras para um eventual licença e cessão da nova tecnologia;
  • Computação dos votos nas tomadas de decisão, entre outros.

Ademais, empresas iniciantes que já dispõem de acordo entre sócios, demonstram significativa maturidade no negócio, o que resulta num empreendimento mais atrativo para investidores, parceiros e clientes. Isto porque, aparentam segurança, estabilidade, certeza e direcionamento na tomada de decisões que servem de alicerce à confiança, a qual, sabidamente, se trata da essência dessas contratações.

Dessa forma, a empresa inovadora que tenha o interesse em garantir a segurança de seus ativos, bem como a solidez dos negócios, deve considerar a formalização de um acordo de sócios. Esse documento, além de garantir um conjunto de regras organizadas a serem seguidas pelos sócios, auxilia na imagem de profissionalismo perante os terceiros interessados em firmar negócios e parcerias.

Ambientes de Inovação

Comunidade Sebrae
Gustavo Damico
Gustavo Damico Seguir

Advogado, Pesquisador, Pós-Graduado e Mestrando em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia. Atuando diretamente na criação e fortalecimento de negócios, por meio da gestão eficiente dos ativos intangíveis.

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