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A visão de inovação e empreendedorismo da TECHNION

A visão de inovação e empreendedorismo da TECHNION

Pen-drive (apelido daquele USB Flash-drive), o microprocessador Pentium da Intel e o Moovit.  É quase certeza que você conheça e use essas coisas sem saber de sua origem. Todas elas foram criadas na cidade de Haifa, norte de Israel, na Universidade Technion, que tem foco nas engenharias e ciências exatas e conta com 3 professores ganhadores de prêmio Nobel.

Outras menos famosas – por enquanto – são a Rewalk Robotics, de exoesqueletos e a PillCam  Medtronic para exames de imagem do trato digestivo. Muitas outras são Health-techs, como se pode ver no link.

Várias empresas se propõem a resolver dores universais, como a liderada por Shai Agassi.  O empreendedor que já trabalhou com Steve Jobs, presidiu a SAP e foi um dos inventores do carro elétrico, agora investe em uma startup que tem como objetivo prolongar a existência humana. Isso mesmo, ele aposta suas fichas em uma empresa que quer nos tornar imortais.

De lá são o Wix, Waze, ICQ e o Viber também.

A população de Israel, é menor que 9 milhões de habitantes e seu território ocupa um espaço de 20.000Km2 – cerca do tamanho do estado de Sergipe. O IDH é de 0.903, considerado altíssimo. Outro polo de inovação, está na cidade de Tel Aviv, sua capital. 60% do território do país é de terrenos desérticos.  Segundo a Endeavor Brasil:  

“Mas por que Israel? A explicação está na história recente do país, que foi fundado em 1948 e precisava ser construído do zero e de forma rápida.

Quando seus criadores assumiram a empreitada, todo mundo sabia que só existia uma chance. Eles teriam de enfrentar a hostilidade dos países ao redor e a concorrência dos árabes para tomar posse do território, sem margem para errar. Só tinham uma chance de fazer o país dar certo. E precisavam agir rápido para não perdê-la. Esse sentimento de medo gera um alto senso de urgência, o que é muito positivo também pra quem está empreendendo. A sensação de que essa é sua única chance de fazer o negócio dar certo, cria uma vontade enorme de fazer, em vez de ficar planejando.

No fundo, o sentimento de perda — para o concorrente, por exemplo — nos faz tomar decisões mais rápidas, colocar em movimento nossas ideias e aprender com a execução.”

Na NASDAQ, Israel é o terceiro país mais representado em empresas de tecnologia, atrás dos Estados Unidos e China.

Lá, com o claro DNA israelense, destacam-se dentre outros, alguns valores:

  • Tolerância aos erros.
  • Questionar tudo.
  • Atitude vitoriosa.
  • Abordagem orientada às soluções.
  • Uso limitado de recursos.
  • Ser global desde o início.

Grande parte dos bons cases e histórias de lá, estão no livro “Nação Empreendedora – O milagre econômico de Israel e o que ele nos ensina”, de Dan Senor e Saul Singer

Em Israel, existe uma startup para cada 400 habitantes – o que justifica com louvor o título do livro.

 

 

Caminho para o Nobel

A primeira turma da Technion de Engenharia Civil e Arquitetura foi a de 1924.  A turma de alunos da Universidade é bastante heterogênea:  na atualidade são cerca de 14.300 alunos sendo 1.000 estrangeiros, dos quais 20% são árabes e 50% mulheres. De lá, saíram 10 prêmios Nobel.

Das 1602 empresas-startups fundadas lá, cerca de 50% delas estão ativas, numa mortalidade baixíssima e incomum.  Os programas de aceleração investem de $ 50.000 a $ 125.000 e hoje o Technion tem participação em 85 iniciativas. Destas, cerca de 170 são Construtechs. Existem Hubs de inovação nichados no segmento de Construção e Real Estate, como o Sosa Construction Hub.

Uma das iniciativas nesta categoria é a Civdrone, que faz marcação topográfica com drones, cravando estacas de acordo com projetos e levantamento topográfico da área, sem necessidade de presença humana local.   

Cerca de 150 ex-alunos da Technion, são mentores e investidores das iniciativas que nascem por lá. Curiosamente, várias empresas que não têm atividades locais em Israel ocupam os espaços e subsidiam pesquisas na universidade, cujos resultados serão úteis no mundo todo. Como exemplo básico, citaria o Google, Intel, Facebook, Paypal, Banco Santander, a Apple e a Amazon.

Com uma dose forte de “chutzpah” – audácia em ídiche, a Technion pôs seus pés fora de casa a partir de 2008, numa parceria com o ex-prefeito de Nova Iorque Michael Bloomberg.  Numa área enorme de cerca de 200.000m2 da Roosevelt Island, juntamente com a Cornell Tech, foi inaugurado em unidade deste centro de Pesquisas, ensino e empreendedorismo, num conjunto de edifícios ZEB ou net zero – edifícios que produzem a energia que consomem.  

A previsão é que o Campus tenha 2500 estudantes e 280 professores, e que gere negócios de Us$ 23 Bi nos próximos 30 anos, criando 600 empresas e 30.000 empregos.

Desde então, Nova Iorque compete com a Costa leste americana, no segmento das Best-Tech Cities em Pesquisa Aplicada.

Quem cresceu nos anos 1980 assistia a um programa de televisão infanto-juvenil com um personagem que convidava os telespectadores a conhecer vários lugares de Israel através de lições de história e geografia. O mais interessante é que, em cada episódio, algo ruim acontecia com ele. Ou ele despencava de uma árvore, era arrastado por uma correnteza ou se sujava todo na lama, mas sempre se levantava e dizia: “Crianças, não se preocupem, eu sempre caio, mas me levanto!”. Pense no poder dessa mensagem para os jovens.

Entender que na maior parte do tempo você vai falhar e ser capaz de aceitar isso torna mais fácil para qualquer um tentar novamente. E quanto mais você tenta, maior a chance de você atingir o sucesso. Tolerância ao fracasso é parte essencial de ser um empreendedor em Israel e é um componente bem único do DNA.

Há uma expressão que todo mundo fala pelo menos uma vez no dia, que é “Tudo vai ficar bem” (“yihiye beseder”, em hebraico). No contexto do empreendedorismo, onde a maioria das startups falha, se você não acreditar que tudo vai ficar bem não há sentido em percorrer essa jornada. Outra palavra importante no vocabulário e na mentalidade das pessoas de Israel é “propósito” (“tachles”, em hebraico).

Culturalmente, quando unimos esses comportamentos, você cria pessoas resilientes, fortes e persistentes.

É importante aproveitar a possibilidade de se fazer visitas na TechnIon, como tive a oportunidade, e outros polos de inovação em Israel para se conhecer in loco essas e outras iniciativas em curso.

Artigo revisado com colaboração de Ricardo Lomaski, da Technion Brasil.

 

Alexandre Pandolfo

Engenheiro Civil formado pela Escola Politécnica da USP em 1993, com especialização em negócios pela ESPM e pela Fundação Dom Cabral, com passagens em áreas comerciais, de Marketing e Inovação ao longo dos últimos 25 anos, de empresas, como Ulma, Mills-Solaris, Tecnogera, LafargeHolcim e HTB - Hochtief do Brasil.Ex-CEO da ConstruLiga.

Head de Operações da ABRASFE, Sócio-Diretor da TEXTA CONSULTANCY & BUSINESS DEVELOPMENT, Blogueiro, Palestrante, Mentor / Investidor de Startups e Business Advisor da Potato Valley Ventures.

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