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Afinal, o que é inovação?

Afinal, o que é inovação?

 

Muito se ouve sobre as oportunidades e possibilidades que residem na inovação, mas afinal, o que é inovação? Trata-se de um termo que ganhou visibilidade e características que ainda beiram o mistério para muitas pessoas, dificultando a sua aplicação como estratégia empreendedora. 

A descoberta de algo novo, ideias criativas, ou mesmo a invenção de algo novo, por muitas vezes são confundidas com a inovação, por falta de clareza do significado que o conceito realmente assume. Mas,só se tornam potencialmente inovações quando forem colocadas em prática, lançadas no mercado e forem capazes de gerar algum valor.  Precisa, além de ser um modelo novo de resolver um problema, ser viável, inclusive economicamente, tanto para quem o executa, quanto para quem o utilizar.

Mas, como podemos saber se nosso produto inovador é viável? 

O mais comum para validarmos se nosso produto é inovador e viável, antecipadamente é ter a certeza de que ele realmente resolve um problema importante, muitas vezes até complexo, e oferece solução inteligente e simples para solucioná-lo. Não existe forma ideal de se fazer inovação, mas quando estruturamos uma abordagem que favorece a criação do ambiente propenso a geração de novas ideias, facilitam enormemente a sua prática.

Joseph Schumpeter (1883-1950) foi o economista que deu início aos estudos sobre inovação, na década de 1930, reconhecido como o 'profeta da inovação',  defendia que, para que as ideias criativas podem até ser consideradas inovação, mas para isto

“devem ser colocadas em prática para fazer uma diferença genuína, como a implementação de uma nova rotina organizacional, de uma nova técnica de produção, ou nova maneira de prestação de um serviço”.

A inovação pode assumir quatro dimensões de mudanças: 

  • inovação de produto ou serviço (alterando ou introduzindo novos à sua oferta)

  • inovação de processo (mudanças na forma como a oferta é criada e oferecida);

  • inovação de posição (mudanças no contexto em que a oferta é introduzida); e,

  • inovação de paradigmas (mudanças nos modelos mentais que orientam o que a empresa faz, a forma como vê, pensa, age e entende a organização). 

Incrementais ou radicais, as inovações são os projetos que transformam a forma como a sociedade interage com o mundo e a aperfeiçoa continuamente, e, de maneira natural faz surgir novas formas de resolver os antigos problemas e novos problemas resultantes dos impactos das antigas soluções. Nos espaços corporativos elas são construídas a partir das experiências, em conjunto com as equipes pensando de forma sistêmica, criando uma cultura diária de inovação e assumindo um processo sempre muito disciplinado, e é importante a definição de estratégias para inovar em seu negócio, ideia, produto ou serviço.

Existem alguns princípios que regem a prática da inovação de forma estruturada e ativa a inovação em uma organização. Existem várias abordagens para implementar um processo de inovação, aqui trago a que foi desenvolvida por Vijay Kumar que é professor do IIT Institute of Design, uma escola de design do Illinois Institute of Technology - onde lidera os programas de Planejamento de Design Estratégico e de Métodos de Design. Em seu livro 101 Design Methods (2013, on-line), ele apresenta quatro princípios básicos capazes de promover uma inovação bem-sucedida. São eles:

Crie inovações em torno de experiências: estamos vivendo a economia da experiência e com ela, a qualidade passa a ser premissa básica, exigindo trocas autênticas, em que as empresas passam a fazer parte integrante de momentos essenciais da vida dos consumidores. O imperativo nos negócios agora é conseguir criar autenticidade, momentos únicos, totalmente customizados aos desejos do consumidor. Nos momentos de interação do usuário com a sua solução, questione-se se você está aproveitando da melhor forma a atenção que ele está dispensando a conhecer seu produto. A resposta pode alterar a jornada do cliente, podendo você aproveitar ou desperdiçar essa atenção tão desejada.

Pense em inovações como sistemas: pensar de forma sistêmica é ter a visão macro da organização, observando-a atentamente como um todo e na sua relação com o contexto. Essa abordagem nos permite entender, analisar e falar sobre a construção de um produto, serviço ou empresa como uma composição integrada e complexa, composta por vários sistemas interconectados (humanos e não-humanos) que precisam atuar em conjunto para que o todo funcione.

Cultive uma cultura de inovação: a cultura de inovação é composta pela gestão de vários fatores tais como as competências, aspectos comportamentais, clima e ambiente, processos, recursos e estratégias, e se orienta pela priorização da abordagem consciente e segmentada das atividades realizadas, possibilitando o seu crescimento orgânico. Podemos citar resumidamente algumas regras que auxiliam no cultivo de uma cultura de inovação:

  • estimule a criação de ambientes que favoreçam a convivência e a criatividade;
  • mantenha comportamento apreciativo e aberto, incentive a troca de ideias e a construção das equipes em cima das ideias mais apreciadas; 
  • garanta que o trabalho seja permeado pela sistematização que garanta suporte e continuidade ao processo criativo, e;
  • que garantam que as ideias sejam afuniladas até a execução de um projeto que realmente resolva um problema importante. 

Adote um processo de inovação disciplinado: É comum vermos a inovação vinculada à imagem de jovens criativos descendo escorregadores coloridos, uma sala com muito lazer, uma cozinha acessível e repleta de guloseimas e espaços de descanso durante os períodos de trabalho. E é fato de que algumas empresas fazem uso destes estímulos, que funcionam bem para despertar um potencial criativo escondido. Porém, a inovação só será formalizada e considerada quando estiver embasada em um processo disciplinado. 

Existem metodologias que geram reflexões sobre os  diferentes momentos do negócio em que podemos inovar. Para Keeley et al. (2015) não é um cronograma formatado em  processos, nem de um sequenciamento, mas um sistema modular que lista tipos de inovação em diferentes momentos da gestão e estão organizados na estrutura do 10 TI (O modelo Dez Tipos de Inovação).

Fonte: Keeley et al. (2015, on-line)

 

Este modelo se estrutura em três categorias representadas no desenho, por cores, e que representam - do lado esquerdo (em azul) - as mudanças nos trabalhos mais internos de um empreendimento, e quanto mais à direita (em laranja), chegamos dos elementos de interação com o cliente. Este modelo oferta uma visão abrangente dos tipos de inovação que podemos aplicar. Em muitos momentos focamos em inovações incrementais de serviços, melhorando ou lapidando experiências, e talvez possam existir outras perspectivas do negócio que podem representar entregas de muito mais valor para o seu cliente. Dependemos da gestão da inovação para superar as grandes mudanças que estão acontecendo, ao mesmo tempo que presenciamos a escassez de recursos que pode ser resolvida de forma inovadora. Inovar é essencial!

 

Qual a inovação que sua equipe ou empresa está oferecendo para o mercado e para os clientes? 

Ela resolve qual problema? 

 

E para quem que está adentrando agora neste mundo da inovação, temos, além dos links sugeridos ao longo deste texto, mais alguns: o artigo do Gustavo Damico que discute sobre “A perspectiva da inovação na estrutura das empresas iniciantes”, ou se quiser conhecer as bases conceituais do termo, o material da Tatiana Fiuza define muito bem “Qual o conceito de inovação?” 

 

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Silviane Del Conte Curi
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Analista de projetos de inovação e impacto na Inpar Soluções, Mentora Hack Brazil, 2018/19; InovAtiva Brasil 2016/20; Aliança Empreendedora 2017/19. Agente InovAtiva, 2015/19. Avaliadora: MIT Inclusive Innovation 2018/20; 100K Latam 2019; Sinapse PR

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