[ editar artigo]

O comportamento do consumidor de moda no pós pandemia: Tendências e Reflexões

O comportamento do consumidor de moda no pós pandemia: Tendências e Reflexões


Enquanto a indústria da moda se reorganiza para o “novo normal”, consumidores europeus se tornaram ainda mais engajados em questões referentes à sustentabilidade.

A crise pandêmica tem acelerado mudanças reais nos hábitos de consumo, fortalecendo a tendência internacional de adoção de comportamentos mais responsáveis com relação às pessoas e ao meio ambiente. No entanto, enquanto na Europa consumidores de moda estão redirecionando suas escolhas, no Brasil esse movimento ainda carece de entendimento e adesão. 

Neste texto, apresentamos um breve panorama desse novo contexto apontando estudos e relatos de atores do setor. 

Com o objetivo de captar o sentimento dos consumidores de moda em relação à sustentabilidade e como isso estaria afetando suas intenções de consumo no pós-pandemia, a McKynsei & Company realizou pesquisa com consumidores ingleses e alemães que compraram vestuário ou calçado entre outubro de 2019 e Março de 2020.

Os resultados da referida pesquisa, publicados em agosto de 2020, destacam que 57% dos consumidores fizeram mudanças significativas em seus estilos de vida para diminuir seus impactos ambientais. Além disso, 88% acreditam que mais atenção deve ser dada à redução da poluição e 67% reconhecem a importância de limitar os impactos devido às mudanças climáticas (Figura 1).

Figura 1 – Resultados da pesquisa sobre perfil de consumidores europeus em relação à sustentabilidade.


Ainda com relação a essa pesquisa, mais de 60% dos consumidores declararam que passaram a optar por embalagens “ambientalmente amigáveis”, além de declararem que o compromisso de uma marca com a sustentabilidade se tornou relevante para decisão de compra. Em meio à crise, esses consumidores esperam que as marcas priorizem a responsabilidade socioambiental. 

Nesse contexto, 75% entendem como fundamental a construção de confiança e transparência de uma marca para a efetivação da compra. Enquanto 70% estão mantendo o consumo apenas das marcas que conhecem e confiam.


Figura 2. Resultados da pesquisa quanto ao compromisso socioambiental adotado por consumidores europeus.

Com relação aos gastos com moda, 60% relataram gastar menos durante a crise. Metade destes espera que a redução continue mesmo após a pandemia, sendo que 88% dos entrevistados espera uma recuperação lenta da recessão (Quadro 1). Inclusive, em termos de prioridade, os consumidores relataram diminuir o consumo de acessórios, joias e outras categorias antes de reduzir seus gastos com vestuário e calçados.

Uma tendência importante é o uso de canais online para aquisição de produtos. Dos consumidores que compravam artigos de moda apenas em lojas físicas antes da crise, 43% começaram a usar lojas virtuais após a eclosão da pandemia. E 28% acreditam que é improvável que isso se reverta nos próximos anos. Esta tendência é observada principalmente entre consumidores da Geração Z (18 a 23 anos) e os chamados Millennials (24 a 39 anos). 

Ainda sobre a Geração Z e os Millennials, verifica-se uma tendência de consumo de marcas menores, com preços mais acessíveis, menos conhecidas ou de segunda mão e 50% deles relataram que negociam redução nos valores. Além disso, 58% dos consumidores estão menos preocupados com a moda de roupas do que com outras questões relacionadas à crise. Inclusive citaram que o quesito “novidade” se tornou um dos atributos menos importantes ao fazer compras. 

Quadro 1. Dados da mudança prática de comportamento de compra dos europeus para artigos de vestuário e calçados.


No Brasil, a empresa de consultoria IEMI - Inteligência de Mercado em parceria com a empresa de cartões de crédito CredSystem, realizou entrevista sobre os impactos da pandemia frente aos hábitos dos consumidores brasileiros. Participaram 410 consumidores considerando os seguintes níveis de consumo de moda: Mercados de alto padrão (A/B) e popular (C/D/E), além de gênero, região geográfica e faixa etária.

Nessa pesquisa, as mulheres representaram 54% dos entrevistados que compraram vestuário e calçados. Quanto ao poder de compra, observa-se que 53% se concentra na classe A/B. Quanto ao perfil dos consumidores por faixa etária, verifica-se que o maior grupo é formado por consumidores com idade entre 25 e 34 anos (84%). Em relação a região geográfica, verifica-se que 62% dos consumidores estão localizados na região Sudeste.

 
Figura 3 – Perfil amostral dos brasileiros sobre os hábitos de compra de vestuário e calçado.

Diferentemente da pesquisa da McKinsey, o estudo da IEMI buscou apenas captar mudanças no poder de compra, sem considerar aspectos de sustentabilidade socioambiental. 

Um ponto importante é que 67% dos entrevistados relataram não pretender comprar roupas e calçados pela internet durante a pandemia. Da outra fração, 76% declararam que os canais que mais utilizados são: site de loja (58%), WhatsApp (38%), aplicativo de loja (38%) e o Instagram (37%). Outro ponto de interesse é que, diferentemente dos consumidores europeus, no Brasil, apenas 29% dos respondentes declararam a intenção de consumir mais comedidamente após a pandemia.

Quadro 2. Dados do impacto no consumo de compra dos brasileiros para artigos de vestuário e calçados.

Os estudos analisados caracterizam-se pela realidade das restrições impostas frente ao controle do coronavírus, e seu grande impacto sobre o consumo no setor de vestuário e calçados. No Brasil, a evolução da crise sanitária ainda possui um cenário limitado, necessitando observar mais dados gerados por organizações, instituições e agências analistas de tendências. Enquanto o estudo da IEMI mostra uma preocupação sobre o poder de compra, o estudo europeu, vai além da questão econômica, apresentando uma maior conscientização por parte da população em relação a práticas de sustentabilidade. 

Todos esses novos comportamentos têm exercido pressão e colaborado para que as marcas enfrentem com mais seriedade os desafios quanto ao seu posicionamento socioambiental e se alinhem às novas demandas com um propósito explícito, repensando suas operações, metas e objetivos na direção de um futuro de mais qualidade e bem-estar para a sociedade.

O Núcleo de Sustentabilidade e Economia Circular (NuSEC) do SENAI CETIQT está aqui para apoiar a indústria têxtil e de confecção nessa transição para a sustentabilidade. Para maiores informações entre em contato com nusec@cetiqt.senai.br.

Obtenha dicas de como avançar em direção à sustentabilidade e economia circular acessando o nosso AUTO-DIAGNOSTICO de maturidade circular.

*Saiba mais sobre a pesquisa realizada pela Empresa McKynsei & Company em: https://www.mckinsey.com/

*Saiba mais sobre a pesquisa realizada pela IEMI em: https://www.iemi.com.br/mercado-de-moda-e-o-impacto-do-coronavirus-na-demanda-dos-brasileiros/#

______________________

A Comunidade Sebrae vai mudar! Você sabia? Para não ficar de fora, atualize seus dados cadastrais e faça parte automaticamente da nova plataforma 😊 Clique na sua foto > dados pessoais > preencha corretamente > salvar! Pronto, em breve você terá acesso à NOVA COMUNIDADE SEBRAE

 


 

Ambientes de Inovação

Ler conteúdo completo
Indicados para você