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Criatividade e o Estado Flow! Como Acionar?

Criatividade e o Estado Flow! 
Como Acionar?

Caros Apaixonados por CRIATIVIDADE E INOVAÇÃO de todos os formatos de empreendimentos!

Estive observando as discussões recentes das últimas semanas e ouvi de alguns coordenadores de incubadoras, startups e profissionais da inovação, comentando quase que um apelo, como faço com que a equipe trabalhe de forma mais criativa? De onde veem as melhores ideias? Minha equipe está sem criatividade e desmotivada?  

Tenho abordado esse assunto em vários dos meus posts anteriores, que esse momento de crise, está recheado de oportunidades e estas, se encontram no suprir as necessidades da sociedade. A cada necessidade, uma oportunidade de criar alguma inovação de produto ou serviço.

Isso é fácil? Nem sempre! Às vezes as boas ideias, já veem embutidas na própria necessidade explicada e isso é fácil de compreender. Mas, em outras situações, parece que travamos na criação de uma boa ideia, daquela que o mundo vê e fala – Eureca! Que fabulosa ideia, criativa e altamente vendável, pois sana uma necessidade premente da sociedade. Mas, como conseguimos achar o caminho para chegar na ideia eureca?

Muitas metodologias de processo criativo, vem sendo aplicadas e estudadas há muito tempo por profissionais e pesquisadores que avaliam: onde, como, formato, quem, etc.; surgem as melhores ideias. E o ser humano, é surpreendentemente criativo, porém, quais os aspectos que leva cada um a despertar para este estado que naturalmente surgem as boas ideias na mente e a pessoa consegue aplicar em seu benefício ou de outros? São várias questões que precisamos estudar e cada um assimilar e encontrar o seu ponto mais criativo.

Por isso, hoje vamos aprofundar um pouco mais sobre alguns aspectos do processo criativo de um indivíduo, e começamos à partir dos estudos recentes sobre a chamada Teoria do flow.

Sabemos que cada pessoa tem o seu tempo, a sua maneira, o seu jeito de criar uma nova ideia. Alguns quando estão dormindo, outros quando ouvem uma música preferida, outros quando estão meditando, e por aí vai. O importante é, que cada pessoa encontre o seu ponto de melhor contribuição, criatividade e satisfação consigo mesmo.

CONCEITO E ESTUDOS APLICADOS

Estudos de Mihaly:

O estado flow (tradução - fluxo) ou a Teoria do Flow foi criada e desenvolvida pelo Psicólogo e Doutor Mihaly Csikszentmihalyi, da universidade de Chicago, com o intuito de explicar o que faz uma pessoa se sentir feliz e motivada em sua vida cotidiana. Segundo Mihaly, “o Flow seria um estado mental de felicidade, satisfação e envolvimento ao fazer uma atividade. Por exemplo, quando você está lendo um livro e está tão dentro da história e focado naquilo que você esquece dos seus problemas.”

Isso se enquadra dentro das características desse estado de felicidade e harmonia, o qual também propicia naturalmente um estado mais criativo e de melhor desempenho.

Então, como podemos atingir o estado de flow? Como saber se algo que estou fazendo vai me gerar esse engajamento e como consequência, aumentará minha criatividade? Essas perguntas não possuem uma resposta bem definida, pois as pessoas sentem prazer e felicidade em atividades, locais e formas diferentes.

Não é todo mundo que gosta de um determinado livro ou de algum esporte específico. A felicidade em fazer algo está relacionada a fatores externos e internos, ou seja, dependem das suas motivações intrínsecas e extrínsecas. 

Entretanto, na pesquisa feita por Mihaly foram descobertos alguns elementos que ajudam a identificar o período da "experiência ótima".

Os principais elementos que contribuem para isso é a combinação entre desafio e habilidade, pois quando algo é desafiador demais a pessoa tende a se frustrar ao fazer aquilo, ou quando algo é fácil demais em relação a habilidade da pessoa ela tende a se sentir entediada. O Flow seria o meio termo, o equilíbrio disso.

Seria uma zona onde algo te desafia e você sente que consegue fazer aquilo, melhorar e crescer. Você se sente empolgado ao enfrentar esse desafio.

Estudos de Steve Kotler:

No seu livro – Roubando o Fogo, explica uma percepção bastante prática da teoria do flow. Ele era alpinista, quando num acidente perdeu as duas pernas e teve que se reinventar, como ele diz, “eu tinha que vencer o impossível”. Na compreensão dele, o flow é “um estado de consciência alterado e tem impacto no desempenho humano. Estado de consciência ideal que nós sentimos no nosso melhor, focado, auto consciência e o tempo passa de forma diferente. Neste estado, o físico e o mental é diferente. É o fim em si mesmo.” 

Onde posso encontrar o meu flow?

Na compreensão de Kotler, é um estado entre a ansiedade e a felicidade que gera uma sensação emocional fundamental para a vida e para a felicidade geral.

Quando um profissional está pleno e produtivo, normalmente sabe encontrar o seu flow. Através da neurociência, se busca de onde vem o seu flow e como pode alcançar o seu melhor resultado.” Kotler, também cita que “quando trabalhamos o nosso flow, produzimos menos, porém com melhor resultado: impacta na criatividade, melhora a coragem, melhora o desempenho, melhora a parte neuroquímica, diminui a dor e aumenta a força. O flow te deixa acima das ideias normais”, segundo ele.  

E qual é a regra de ouro, segundo Steve Kotler?

É preciso considerar alguns passos:

  • Desenvolva o seu autoconhecimento e encontre o teu melhor estado de flow e onde está a sua alta performance: na motivação, no learning e na criatividade. Mas, devemos lembrar que para maximizar o flow, precisa se desligar daquilo que ocupa espaço não útil na sua mente.
  • Se você atua, aproveitando-se de suas habilidades, vai além.
  • Quando estiver entre o tédio e a ansiedade – reconheça, é o estado flow. Se você aumentar esse tempo de forma equilibrada, vai aumentar o teu desempenho. Ex.: Se desafie, aumente 5% acima da sua capacidade cada dia e vai crescendo gradativamente. É assim que a nossa mente responde.  
  • Peça ao seu colega para lhe dar um feedback por dia e assim você irá crescendo cada vez mais.

A formula para a inovação – Um atleta usa seu flow todos os dias e melhora seu desempenho o tempo todo. Essa teoria, aplicamos no Vale do Silício. Não é difícil treinar:

  1. Dormir bem na noite anterior e se desligar de tudo;
  2. Comer bem;
  3. Cumprir com as lições de casa;
  4. Exercitar todo diário o seu flow com feedback de colegas;
  5. A autonomia é um gatilho para o flow.

Em 3 semanas, a equipe do Vale do Silício, demonstrou um aumento de 30% do tempo e resultado do flow na atuação."

Nosso objetivo em apresentar este estudo aplicado de Kotler, é convidar o leitor à exercitar as regras citadas para se reconhecer e sentir onde estão e quais são os seus gatilhos de flow, por exemplo, para aumentar a sua performance na criatividade.

Estudos de Paul Zak

Outro estudo recente com o objetivo de compreender como cada pessoa pode encontrar o seu melhor momento criativo e de desempenho nas suas tarefas, foram os estudos realizados pelo PhD e médico Neurologista Paul Zak e sua equipe da Universidade de Claremont e fundador da Clement’s Center for Neuroeconomics Studies, publicado através do Livro – A Molécula da Moralidade, “onde apresenta as surpreendentes descobertas sobre a substância que desperta o melhor de nós, através de estudos sobre a substância química cerebral chamada oxitocina, que se encontra na corrente sanguínea. Sua equipe de pesquisadores colheu sangue de milhares de pessoas enquanto elas tomavam decisões importantes, como: financeiras, competições esportivas, pulavam de paraquedas, e em várias outras interações humanas. Numa gradação, de moléculas a famílias e à sociedade em geral, as descobertas de Zak mostram como a oxitocina pode produzir um ciclo virtuoso de amor, bem estar e prosperidade. Já nas primeiras pesquisas, percebemos uma série de experiências que mostravam que as pessoas reagem de forma mais generosa e carinhosa, mesmo em relação a estranhos, quando tem o nível de oxitocina elevado. Nosso trabalho demonstrou, que não precisa infundir uma substância química no nariz de alguém, nem fazer sexo ou mesmo abraçar alguém para elevar o nível de oxitocina e assim gerar uma postura mais generosa. Por sorte, tudo o que precisamos fazer para deflagrar essa molécula, é demonstrar confiança.”

Segundo Dr. Zak, a parte mais estimulante da pesquisa toda, que é, “você desperta a confiança em alguém, essa pessoa confia e repassa a confiança à outra e isso faz com que o ciclo virtuoso se retroalimenta e que, em última estância, gera uma sociedade virtuosa. E o mais interessante é que a oxitocina, reúne o tipo de comportamento generoso e carinhoso de toda cultura, em qualquer lugar do mundo.”   

Então, um ambiente que gera confiança de todas as formas, é um ambiente que propicia a criatividade? Sim. Dr. Zak, comenta que “É um dos fatores que faz com que o ser humano se sinta melhor, mais relaxado e consequentemente desempenha melhor qualquer papel que lhe é dado, pelo equilíbrio que proporciona.”  

Então, quais são os aspectos que influenciam o estado de flow, onde melhora o desempenho dos indivíduos?

Todos estes aspectos, levam a crer que CONFIANÇA é um dos fatores a ser considerado para o indivíduo desempenhar melhor. Mas, que ações poderíamos fazer num ambiente criativo que possam contribuir para o aumento da confiança entre a equipe?

  1. Ouvir as pessoas – Quando as pessoas se expressam tranquilas e naturalmente, comunicam a sua verdade e assim, o líder poderá perceber as características de cada um e aspectos que possam levar à melhoria do ambiente – focando para a melhora na criatividade.
  2. Comunicação clara, acolhedora, bom feedback – São essenciais para deixar um ambiente mais seguro, tranquilo e propício à criação.
  3. Medir o nível de confiança no ambiente – Sim, avaliar o nível de confiança não só é importante para outros setores, como também, para cada indivíduo. É importante para medir a razão dos resultados de desempenho, pois a confiança é que dá o melhor resultado. Criar ações que aumentem o nível de confiança, cada vez mais, constrói ambientes mais favoráveis a criatividade e claro, à inovação.

Portanto, as empresas que querem obter boa performance para qualquer resultado e para estimular a criatividade, precisam ter: Pessoas encantadas com o que fazem, organização e planejamento do que fazer e objetivos claros à serem alcançados por todos.

E que outros fatores geradores de melhora na performance criativa apontados na pesquisa de Dr. Zak, podemos elencar como melhora do rendimento dos colaboradores num ambiente virtuoso:

  1. Reconhecimento e eficiência – 61% à mais de rendimento nos colaboradores;
  2. Expectativa – O estresse do desafio é bom. 72% à mais de rendimento.
  3. Rendimento – Mitigar os riscos e encorajar os erros (para inovar, precisa errar) – 57% à mais de rendimento, porém, o líder deve ser um facilitador.
  4. Transparência – 54% de aumento no rendimento. Parte importante na geração da confiança.
  5.  Honestidade – Comunicação é a chave. Qualquer um é importante. 63% de aumento do rendimento. 
  6. Cuidado – Tem relação com a emoção das pessoas. 45% de aumento.
  7. Investimento – Pessoal, profissional e espiritual. 49% de aumento.
  8. Natural – Ser imperfeito é bom. 46% de aumento no rendimento do colaborador.

Com esses dados, não temos a pretensão de que, se repita exatamente em qualquer outra equipe, porém, são dados que demonstram quais fatores que fazem crescer a confiança dos indivíduos no ambiente onde atuam e consequentemente, a sua contribuição será melhor, propiciando a criatividade e a satisfação do indivíduo.

CONCLUINDO - Desejo que essa reflexão com conhecimentos aplicados, possam contribuir para a melhora na criatividade das as equipes que atuam nessa área tão demanda nos dias de hoje, que é a INOVAÇÃO. Porém, sempre lembrando que as pessoas precisam criar estímulos internos de auto encantamento e utilidade no meio em que vivem para estar cada vez mais aptos a realizar as transformações tão essenciais neste momento turbulento de nossa sociedade.

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Irene Hoffelder Vioti - Consultora, palestrante e escritora nas áreas: Estratégia empresarial, sustentabilidade, inovação e storytelling empresarial

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Mestranda em Administração Estratégica de Negócios pela UNAM - Universidad Nacional de Misiones - Argentina. Consultora, palestrante, instrutora e escritora nas áreas: Estratégia empresarial, sustentabilidade, inovação e storytelling empresarial.

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