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Modelos de Inovação Territorial

Modelos de Inovação Territorial

No texto anterior (Primeiro as Primeiras Coisas) foi apresentada a caracterização e o propósito da inovação (produzir algo novo ou substancialmente aperfeiçoado em favor do aumento de competitividade) dentro do plano objetivo desejado e em qual direção (econômica, social) e que, portanto, não ocorre só.

Da mesma forma há fatores geográficos que a influenciam, quando é possível (e necessário) observar a territorialidade e, portanto, considerar os territórios. Esses estão no cerne desse texto.

Os conceitos são importantes para alinhar entendimentos, análises e interpretações. Contudo objetiva-se textos mais leves. Busca-se abrir os olhos sobre a diversidade de possibilidades de modelos de inovação no território do que efetivamente mergulhar nas especificidades de cada um e seus respectivos contornos teóricos-referenciais.

De forma simplificada os territórios podem ser entendidos como área ou espaço delimitado, no sentido amplo, por uma série de características possíveis em que se desempenham relações diversas e poder.

Vários fatores influenciam a conceituação de inovação e de território, incluindo aspectos históricos e culturais que possam permear a lógica de mercado, a produção tecnológica, as relações sociológicas.

É válido afirmar, portanto, que há um intrincado conceitual multidimensional necessário a ser observado no desenho das estratégias de inovação regional. E não há, necessariamente, um modelo único e definitivo de inovação no território.

As dinâmicas institucionais desempenham um papel significativo nos modelos de inovação territorial. No referencial estão algumas teorias de partida, notadamente Schumpeter (inovações tecnológicas como motor do desenvolvimento capitalista) e Porter (cadeias de valor).

Um momento importante no desenho da territorialidade de inovação está no pós II Guerra Mundial, com fraquezas econômicas e estruturais em que se apresentaram elementos de localização com o direcionamento de esforços.

Uma das bases está no conceito de Ambientes Inovadores (Innovative Millieu) que dá ênfase no potencial endógeno institucional como motor da dinâmica de inovação, com ênfase na cooperação a mesma compartilhada nos modelos de Distritos Industriais e dos Sistemas Locais de Produção, conforme Moulaert e Sekia (2003), que também apresentaram os modelos territoriais de inovação à seguir e cujo estudo nesses contornos guiou o presente texto:

Modelos Territoriais de Inovação:

  • Ambiente Inovador: Origina-se de um ambiente com capacidade inovativa.
  • Distritos industriais: Com ênfase em sistemas produtivos geograficamente localizados com a divisão de trabalho considerando participação de pequenas médias empresas especializadas em diferentes aspectos da produção. (Estão conectados na base da abordagem conceitual que formou o conceito de Arranjos Produtivos Locais no Brasil.
  • Sistemas localizados de produção: Generalização do modelo de Distrito Industrial em Desenvolvimento Econômico Local.
  • Novos espaços industriais: Praticamente uma visão em torno dos distritos industriais, com regulação social e dinâmica local das comunidades combinadas com sistemas de produção flexíveis.
  • Clusters de Inovação: Associados ao desdobramento de novos espaços industriais.
  • Sistemas Regionais de Inovação: Ênfase no aspecto de relações coletivas e cooperativas fortes entre os membros de um sistema.
  • Regiões de Aprendizagem: Integra sistemas de inovação, dinâmica econômica e institucional e os processos de aprendizagem em uma região, em uma visão evolutiva possível da maturidade regional.

Note-se que estes são alguns modelos, cujas especificidade não foram abordadas e que devem conectar-se ao propósito da inovação na dinâmica regional pretendida (especialmente em posicionamento estratégico).

É importante uma visão multidimensional de inovação, da dinâmica econômica e da governança do ambiente / comunidade. Há a necessidade de uma visão habilitadora para o desenvolvimento e mais ampla do desenvolvimento regional / territorial integrado, associado a um exercício estratégico de posicionamento.

Referência:

MOULAERT, Frank; SEKIA, Farid. Territorial Innovation Models a Critical Survey. Regional Studies: 2003, vol 37.3, pp 289-302

Ambientes de Inovação

Comunidade Sebrae
Izoulet Cortes Filho
Izoulet Cortes Filho Seguir

Administrador de empresas, com habilitação em comércio exterior, Pós-Graduado em Política, Estratégia e Planejamento e Mestrando em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia. Atuante há 20 anos no ambiente tecnológico em favor da inovação

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