[ editar artigo]

Entrevista - Os novos arranjos de Pesquisa e Inovação do Paraná

Entrevista - Os novos arranjos de Pesquisa e Inovação do Paraná

Entrevista com o Prof. Dr. Luís Márcio Spinosa, Diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Fundação Araucária, realizada por meios eletrônicos entre 8 e 12 de junho de 2020 considerando os Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação - NAPI.

A entrevista foi transcrita do original, em linguagem natural e sem edição à fim de aproveitar ao máximo a essência da expressão das respostas do entrevistado.

1) O que são os NAPI?

R: Significa Novos Arranjos de Pesquisa e Inovação. É uma solução sócio técnica, por um lado tem uma plataforma digital que permite conduzir todo um processo de fomento à pesquisa e por outro tem um componente humano, social. Envolve muito a mobilização dos ativos, capital social e intelectual que existem no Paraná. A ideia é mobilizar e integrar de forma mais eficiente os ativos no estado visando geração de riqueza, empregos e bem estar, buscando uma maior efetividade no emprego dos investimentos promovidos pela Fundação Araucária e que a permita uma posição diferente frente ao Sistema de Ciência e Tecnologia do Estado.

2) Quando iniciaram?

R: Iniciou-se conceitualmente entre 2017 e 2018, fora da Fundação, principalmente na região oeste do Paraná, muito inspirado no trabalho que o Prof. Ramiro fez quando Diretor do Parque Tecnológico Itaipú e, ao entramos na Fundação, trouxemos a ideia original e reorganizamos a forma de como executar na dimensão estadual junto com alguns conceitos próprios da transformação digital e da sociedade civil.

3) No que diferem de outras abordagens?

R: No Brasil especificamente e no Paraná não foge disso, muito do fomento à pesquisa, à Ciência e Tecnologia, à produção do conhecimento era feita considerando um modelo de oferta do Sistema de Ciência e Tecnologia, ou seja, das Universidades. Basicamente um pesquisador ou grupo de pesquisadores identificava uma área de interesse para se produzir conhecimento e, a partir daí começa a se desenvolver todo o esforço de orientação, enfim, de realização de um projeto de pesquisa. E, naturalmente, se levar o resultado desses projetos para a sociedade e para a população.

Os NAPI diferem desse modelo promovendo a inversão dessa lógica. Para nós, nos NAPIs é muito importante a caracterização da demanda, nesse caso, de desenvolvimento do estado, em qualquer de suas dimensões ou de suas frentes de desenvolvimento. A partir dessa demanda nós levamos isso para dentro do sistema de ciência e tecnologia e tentamos organizar redes cooperativas de pesquisadores para que esse conhecimento seja produzido. Então há uma inversão, ao invés de produzir conhecimento orientado à oferta a gente passa para uma produção do conhecimento orientado à demanda.

4) Quais as vantagens desse modelo?

R: Uma forma de organizar melhor um ativo já existente no estado. Nós temos no Paraná um capital intelectual riquíssimo, um capital social, instituições muito bem desenvolvidas, mas no nosso entendimento carecia de uma integração e uma mobilização mais forte desse sistema todo que chamamos de ciência, tecnologia e inovação. Portanto a maior vantagem é uma maior capacidade de mobilização e integração desse sistema de ciência e tecnologia, olhando para as demandas de desenvolvimento do estado.

5) Estão ligados a algum um referencial de políticas de desenvolvimento, industrial ou recorte econômico específico, de P,D&I ou outro? Qual (ais)?

R: Os referenciais de política naturalmente são os de políticas de promoção da inovação, então existe aí um referencial de política industrial muito forte, mas prefiro considerar que o referencial em termos de política é um policy mix, é uma política mista, que tenta trazer todas as considerações dos interesses de desenvolvimento sócio econômico junto com desenvolvimento regional, territorial e também trazendo algumas coisas de desenvolvimento urbano porque, querendo ou não, boa parte dessa dinâmica de desenvolvimento acaba acontecendo no meio urbano. As áreas em si, o recorte, nós temos orientado basicamente para o que consideramos áreas prioritárias do desenvolvimento. Nós olhamos com muito respeito o trabalho feito pelo Conselho Superior de Ciência e Tecnologia do Estado e por esse Conselho foram identificadas as áreas prioritárias de desenvolvimento. São cinco as áreas prioritárias: Agricultura e agronegócio, Saúde e biotecnologia, Energias sustentáveis ou renováveis (que alguns tem chamado de energias inteligentes), Cidades inteligentes é a quarta e a quinta é Sociedade, Educação e Economia aonde ficam agrupadas boa parte das preocupações do momento atual da pandemia e, também, das áreas de conhecimento das humanidades. Então essas cinco áreas são prioritárias e nós consideramos que existem duas áreas condicionantes, transversais a essas cinco áreas iniciais: A transformação digital, então tudo o que diz respeito à Indústria 4.0, Serviço 4.0, etc., dentro de cada uma dessas cinco áreas e, também, a segunda área condicionante é de desenvolvimento sustentável que, naturalmente, é uma questão de responsabilidade de desenvolvimento que entendemos as cinco áreas prioritárias devem observar.

6) Como funcionam os NAPI?

R: Os NAPIs observam o que a gente tem chamado de ciclo de vida, grandes etapas, grandes processos para que organizemos essa rede colaborativa para atender as demandas do estado. A primeira fase chamamos de identificação da demanda, um esforço inicial para se entender claramente o que é uma área que o estado definiu como prioritária para o seu desenvolvimento. Isso é feito tentando trazer os melhores pesquisadores que temos no estado e, até mesmo de fora, para tentar entender essa demanda, mas também, principalmente, atores do governo e da sociedade em geral que caracterizemos bem no entendimento dessa demanda.

A segunda fase chamamos de mobilização dos parceiros. Identificada claramente a demanda, buscamos trazer, principalmente do sistema de ciência e tecnologia, parceiros que possam atender inicialmente essa demanda. Não só parceiros do sistema de ciência e tecnologia, olhamos com bastante cuidado também representantes do governo, de empresas – iniciativa privada e sociedade civil organizada. Tentamos reunir e abre-se a discussão para a comunidade, para quem queira participar e verificar o potencial que o sistema tem de resposta à demanda que foi caracterizada – isso porque talvez tenhamos a demanda, mas não a capacidade de resposta à ela - até esse momento não tivemos essa situação. O Paraná tem um sistema muito diferenciado do de outros estados, muito capital intelectual e muito capital social. Até então essa mobilização, esse segundo momento, tem acontecido de forma surpreendente, muito satisfatória.

Num terceiro momento temos o que chamamos propriamente da formação de um arranjo, a rede inicial de pesquisas, muito baseada na fase anterior, os parceiros que foram mobilizados. Esses arranjos, buscamos formatar, à medida do possível, com o conceito de hélice quádrupla (representantes da academia, do governo, de empresas e da sociedade civil organizada). E nesses arranjos é importante que cada um já veja o seu papel para se chegar à solução, ao atendimento da demanda inicialmente identificada. Então, nesse momento, com entendimento claro de todos esses elementos, estabelecemos um masterplan do que precisa ser feito e celebramos um memorando de entendimentos quando, seguimos para uma quarta fase. O masterplan serve como base para o estabelecimento das nossas chamadas, o nosso fomento propriamente dito, quando entram todos os instrumentos da fundação: Chamadas públicas, etc, o que for necessário para conduzir o bom andamento da pesquisa.

O fomento pode ser na forma de bolsas, custeio e capital. Nessa parte é um fomento tradicional feito pelas fundações, porém com a ideia que ele seja vinculado a esse masterplan.

Essa quarta fase é a execução propriamente dita, aonde existe um fomento e o masterplan, quando se um plano mais detalhado de ataque a essas demandas inicialmente constituídas.

Naturalmente, como utilizamos recursos públicos, ele deve ser finalizado, observas prazos, tendo início, meio e fim, quando é feito todo um trabalho de monitoramento e controle junto com as instituições que fazem o acompanhamento do uso do recurso público, como o Tribunal de Contas. Boa parte do nosso esforço está em comprovar o bom uso do recurso público, aonde finaliza-se a última fase, a prestação de contas.

Dependendo da execução, do resultado obtido por um NAPI, a nossa intenção é que ele retorne para primeira fase, reorganize a demanda, verifique outras, associadas naturalmente à primeira – e esses processos se tornem cíclicos. Então a nossa ideia é que os NAPIs tenham vários ciclos de fomento.

Naturalmente para que se mantenham esses ciclos, nos apoiamos fortemente em dois outros ciclos que são o de pesquisa e o de extensão que ocorrem principalmente nas universidades e nas ICTs (Instituições de Ciência e Tecnologia) que temos no estado.

7) Quais são os objetivos pretendidos com eles? Como se conectam a outras iniciativas e políticas de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (P,D&I) no Paraná? Quais?

R: Ter um instrumento mais efetivo mobilização e integração do Sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação do estado para atender a demanda de desenvolvimento da sociedade paranaense. Como aferimos, qual a nossa intenção: Verificando que o nosso esforço cria / gera de emprego, renda e bem-estar. Naturalmente faz parte termos maior efetividade nos instrumentos de fomento, isso é um maior retorno sobre o investimento em ciência e tecnologia do estado.

Esses objetivos foram definidos dessa forma para atender o que é para nós a diretriz maior que vem do governo do estado. Todo esforço de organização dos NAPIs com esses objetivos tem como diretriz maior o plano de gestão atual do Governo 2022, com a essência de que o Paraná tem que se tornar mais moderno, mais eficiente social e economicamente, muito disso baseado no esforço de promoção da inovação. Esses objetivos dos NAPI atendem a um objetivo maior que está definido no Plano de Gestão 2022 do Governo do Estado.

8) Quais são as áreas prioritárias / enfoques e recortes?

R: São as cinco áreas com duas outras áreas condicionantes que abordamos (Agricultura e agronegócio; Saúde e biotecnologia; Energias sustentáveis, renováveis ou inteligentes; Cidades inteligentes; Sociedade, Educação e Economia, com as condicionantes transformação digital e desenvolvimento sustentável).

9) Como foram definidas?

R: Foram definidas principalmente, mas não exclusivamente, em cima de um estudo da FIEP, Federação das Indústrias do Paraná. Esse é o Setores Portadores de Futuro, um estudo prospectivo, para identificar o que é demanda de desenvolvimento ou de produção do conhecimento até 2025. Olhamos esse estudo com muito cuidado e fomos tentando entender o que nele estava alinhado com a proposta do Plano de Governo 2022. Inicialmente identificamos 4 áreas que são: Agricultura e agronegócio; Biotecnologia e Saúde, Energias Sustentáveis e Renováveis (ou sustentáveis) e Cidades inteligentes, junto com aqueles dois condicionantes (transformação digital) e desenvolvimento sustentável. Na sequência fizemos toda uma defesa no Conselho Superior de Ciência e Tecnologia, assim como outras instituições assim o fizeram, e o Conselho entendeu que o modelo que tínhamos usado era muito interessante. Foi ratificado no Conselho, assim como para as demais instituições, que essa seria a base, acrescida da quinta dimensão (Sociedade, educação e economia) muito por causa do momento que estamos vivendo na pandemia e a retomada na fase posterior. E que serão ratificadas muito brevemente para todo o estado.

10. Como são implementados?

R: Olhando para o ciclo de vida já descrevi, olhando para a demanda de desenvolvimento do estado, de um lado e, de outro, os ativos que temos para atender essa demanda. Os NAPIs vêm justamente para fazer o link entre esses dois entes. Muito baseado na mobilização e integração do capital intelectual por meio dos instrumentos de fomento que temos.

11. Qual o modelo operacional?

R: Basicamente esse ciclo de vida. Ele se desdobra em processos mais específicos, inclusive estamos em processo de definição para alguns deles. São baseados em modelos de gestão do conhecimento, design thinking, world café e o que estive à mão em termos de mobilização e integração de capital intelectual, suportado (mediado) em uma plataforma que estamos denominando de iAraucária. Nessa plataforma os processos estão sendo digitalizados. A ideia é que toda a mobilização e integração seja feita por meio dessa plataforma.

Essa plataforma já tem um componente muito importante que é a identificação do capital intelectual baseado no Sistema Lattes (CNPq), aonde conseguimos identificar que são os pesquisadores do estado, o que estão produzindo, quais os mais ativos em determinadas áreas. Foi então feito um trabalho de criação de taxonomias e ontologias para poder entender a dinâmica desse capital intelectual – isso já está praticamente pronto. O que estamos organizando no momento são os processos que mantém o ambiente de produção coletiva de conhecimento e a disseminação desse conhecimento produzido para a sociedade.

12) Quem são os proponentes e/ou executores? E respectivos papéis? Quem são os parceiros estratégicos? Como são definidos?

R: Os proponentes são, normalmente, as ICTs que acabam submetendo, respondendo a um determinada chamada de uma forma mais organizadas. Talvez esse seja um dos grandes diferenciais dos NAPIs: Elas irão submeter e se posicionar em relação a uma chamada porque antes houver todo um trabalho de entendimento de demanda, de forma que farão essas propostas mais alinhadas a essas demandas.

O proponente normalmente é uma ICT mas junto o importante é sempre importante trabalhar com um conceito de hélice quádrupla. Os respectivos papeis de cada elemento são aqueles normalmente previstos no modelo de hélice quádrupla: A Academia produz conhecimento, as empresas são o grande meio de fazer esse conhecimento chegar na forma de produto e serviço até a sociedade, o governo é um mediador e um facilitador da relação desse processo e a sociedade civil organizada é aquela com quem temos que olhar com muito carinho o resultado desse trabalho todo, nela está inserido o terceiro setor, organizações sem fins lucrativos que as vezes podem atuar na produção do conhecimento, mas também às vezes para fazer chegar esse produto ciência e tecnologia até a sociedade.

13) Como são estabelecidas as redes?

R: Olhando o ciclo de vida elas são pré-estabelecidas no terceiro momento, quando é definido o arranjo inicial e estabelecido o memorando de entendimentos. Efetivamente ela se constitui e começa a funcionar no quarto momento, quando se responde uma chamada e se efetiva a rede colaborativa de produção do conhecimento.

14) Como são estabelecimento dos territórios? Quais critérios os definem?

R: Utilizamos aqui o conceito de ecossistemas de inovação. Entendemos que o estado do Paraná está dividido em sete ecossistemas regionais de inovação: Litoral, Região Metropolitana de Curitiba, Norte Pioneiro, Norte Central, Campos Gerais, Oeste e Sudoeste. Esses ecossistemas regionais de inovação, pelo próprio conceito, eles não tem uma delimitação territorial tão bem definida como acontece com os sistemas regionais de inovação, por que entendemos que a dinâmica de inovação não obedece, de certa forma, o limite territorial de um município para outro, ela transborda. Então há uma centralidade, que acontece nesses sete ecossistemas regionais de inovação, mas com possibilidade de transbordo para outras regiões.

Os territórios se definem pela dinâmica socioeconômica de cada uma dessas regiões, estudando-se e discutindo a partir de algumas referências conceituais e percebeu-se que essas sete regiões tem características próprias de desenvolvimento econômico e social, muito em função da colonização do estado, própria natureza de cada região. Esse é o nosso entendimento de centralidade dos ecossistemas regionais de inovação e os critérios são essencialmente da formação dinâmica socioeconômica.

Além desses sete ecossistemas regionais de inovação nós também temos ecossistemas temáticos de inovação. São aqueles ecossistemas que tem interesse para o estado todo, então o território de todo do estado é de interesse, por exemplo, quando falamos de startups, não estão restritas a um ecossistema regional de inovação, é algo que interessa ao estado todo. Então há um NAPI específico para tratar de startup que atende a todo o território do Paraná.

15) Como se dá a institucionalização dos NAPI?

R: Existe um primeiro momento, o do memorando de entendimentos, que é uma primeira institucionalização, após há o estabelecimento de um masterplan, considerado uma segunda institucionalização, que é a base para o terceiro momento mais institucional / oficial, quando ocorrem as chamadas (normais) os instrumentos normais da Fundação e que culminam na contratação das instituições para a realização. São termos de cooperação em que existe todo um planejamento específico mais detalhado aonde são feitos os repasses. A institucionalização é feita dessa forma.

16) Como se estabelecem as prioridades? Sobre quais critérios? Quais são os indicadores-chave?

R: Prioridades e critérios são justamente aqueles de entendimento da demanda. A definição de prioritário vem do que o estado estabeleceu como mais importante para se desenvolver. Os critérios principais são desenvolvimento socioeconômico, geração de riqueza, geração de empregos e bem-estar.

Em ciência e tecnologia, o volume e qualidade do conhecimento produzido para nós é muito importante que esteja associado ao desenvolvimento do estado

17) Quais são os marcos referenciais de inspiração dos NAPI (modelos, políticas, regiões)?

R: Existem vários. Para nós é muito importante o trabalho que envolve os Commons, uma teoria da Profa. (Elinor) Ostrom que recebeu um Prêmio Nobel, e que defende que existem elementos que são ativos da sociedade e então é em como transformar esses elementos em ativos da sociedade e é bem isso que queremos para o Sistema Ciência e Tecnologia, que ele seja cada vez mais considerado um ativo da sociedade paranaense, da população. Que ela veja no Sistema de Ciência e Tecnologia um sistema que produz resultado. Então é muito importante para nós fazermos essa transição, porque muitos vem o Sistema de Ciência e Tecnologia como um passivo. Queremos transformá-lo em um ativo que participe efetivamente do desenvolvimento do estado.

Um segundo referencial muito importante para nós são os new public services, os novos serviços públicos, uma nova forma de organizar como o governo responde mais efetivamente aos seus serviços para determinadas áreas. A nossa área é de fomento, produção de ciência e tecnologia, então quais são os nossos serviços? São, para nós, a nova forma como estamos estabelecendo, orientada à demanda de fomento, considerando todo esse processo já descrito.

Um terceiro conceito muito importante para nós é a visão do estado organizado em ecossistemas regionais de inovação e ecossistemas temáticos de inovação. Todos os conceitos de ecossistemas estão aí inseridos. E vemos três dinâmicas principais que percebemos que as pessoas, às vezes, confundem-se um pouco. Dentro de cada ecossistema se tem uma dinâmica própria que chamamos de espontânea, que é muito natural de startups, geração de novos negócios. Existe uma dinâmica que se diz sistêmica de inovação, isso é, aquelas empresas consolidadas que precisam ter uma agenda de inovação para continuarem atuantes e com resultados positivos no mercado. E temos uma terceira dinâmica que integra essas duas (anteriores) que é a chamada inovação aberta. Existem outras dinâmicas, mas essas três, pelo menos, precisam ser olhadas de forma diferente porque, justamente, são dinâmicas diferentes e demandam diferentes formas de atendimento.

Os nossos ecossistemas de inovação sejam regionais ou temáticos observam pelo menos essas três dinâmicas de inovação.

Um outro conceito que é natural em ações desse tipo é o de hélice quádrupla já explicado.

E um último conceito que, também temos privilegiado é o chamado Especialização Inteligente (Smart Specialisation). É entender que inovação, produção do conhecimento, ciência e tecnologia é muito baseada no contexto. De onde se necessita entender mais detalhadamente esse contexto para que o que se produz de novo esteja alinhado e potencialize esse contexto.

É importante entender a vocação das regiões, porém mais importante é não ficar preso a essas vocações. A inovação acontece indo além das vocações, identificando oportunidades.

Para nós, além disso, tem outras coisas, a Especialização Inteligente é um modelo conceitual que nos agrada muito.

E no final, em termos de modelo que temos usado, nos inspira muito no que tem sido feito na Europa nos últimos quase 20 anos em termos da organização dessas redes colaborativas, muito também utilizando Especialização Inteligente. Na Europa eles tem os frameworks e a formação dos consórcios. Se olharmos aqueles modelos e o funcionamento deles é o que nos inspira, de certa forma, nos processos que estamos colocando dentro do NAPI.

18) Quais os principais desafios imagina haverão ou que já foram encontrados?

R: Naturalmente o primeiro é mudança de cultura que, no próprio sistema de ciência e tecnologia, necessita começar a produzir orientado à demanda e não à oferta simplesmente que, também é importante porque entendemos que uma coisa não anula a outra. A produção de conhecimento orientada à oferta é importante principalmente para a pesquisa básica e não pode ser esquecida. Porém o que temos hoje é uma priorização da pesquisa aplicada – que só acontece de qualidade se tiver uma pesquisa básica por trás.

Os desafios estão em traduzir tudo isso em uma nova cultura. Ainda há resistência, mas temos um apoio e aval enormes de todas as organizações do governo – que deixou bem claro que os recursos que ele coloca hoje para fomento, principalmente na Fundação, tem que ter essa orientação.

As demais são naturais da implantação de um novo processo, tem-se um ciclo de conhecimento, estamos trazendo coisas novas, modelos novos. É extremamente importante para nós considerar a co-criação e co-gestão de tudo o que estamos fazendo. Esses modelos são trazidos ou concebidos aqui mas trabalhados com a comunidade e pouco a pouco melhorando. É aquela dificuldade natural de criação e adoção de novos modelos.

Há o desafio atual do fomento, a tudo, ao desenvolvimento e a pesquisa não fugirá disso, apesar de ter uma valorização da pesquisa nesse momento, porque os grandes problemas da humanidade são respondidos pela ciência. E o problema será o volume do capital para movimentar toda essa roda.

Se gostou desse texto clique em PARTICIPAR na Comunidade Ambientes de Inovação.

Ambientes de Inovação

Comunidade Sebrae
Izoulet Cortes Filho
Izoulet Cortes Filho Seguir

Administrador de empresas, com habilitação em comércio exterior, Pós-Graduado em Política, Estratégia e Planejamento e Mestrando em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia. Atuante há 20 anos no ambiente tecnológico em favor da inovação

Ler conteúdo completo
Indicados para você