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A primeira impressão é a que fica? Será?

A primeira impressão é a que fica? Será?

Você já tomou decisão sobre uma pessoa no primeiro olhar ou já se flagrou dizendo “logo vi que...”. Ao conhecer uma pessoa nova, por exemplo, rapidamente a categorizamos segundo algumas características que julgamos ser importantes para nós e decidimos se ela será aceita no nosso grupo ou não.  

As nossas decisões são feitas por meio de atalhos cerebrais que nos pregam peças. Esses atalhos são nossos pré-julgamentos, adquiridos por meio das experiências acumuladas ao longo da vida, e até mesmo de um processo evolutivo da nossa espécie e pela cultura onde estamos inseridos.

Na psicologia e na neurociência eles são chamados vieses inconscientes. Nesse processo, o cérebro usa o caminho mais rápido, instantâneo de tomada de decisão. O ganhados do Prêmio Nobel de Economia, Daniel Kahneman explicou muito bem isso no livro Rápido e Devagar. É o modo que não exige análise ou reflexão sobre a decisão, a resposta já está pronta. O modo mais sofisticado é aquele que requer avaliação mais acurada, atenção, concentração e esforço mental, inclusive considerando visões de outras pessoas, diferentes das nossas.

Esses vieses impedem que vejamos a realidade com as suas cores originais, mas aquela que é filtrada pelas nossas crenças e verdades inconscientes.

Os  impactos práticos dos vieses são inúmeros. No ambiente organizacional, o lugar mais comum é no processo de seleção. Por que um curriculum vai para pilha do sim e outro do não? A importante headhunter Gail Tolstoi-Miller afirma que um recrutador leva cerca de 6 segundos para tomar essa decisão e nem sempre é por razões concretas baseado nas competências. Às vezes é pelo nome da pessoa ou pela foto. Outras, por algo do seu modo de vestir ou falar, que aciona algo das profundezas da memória de modo inconsciente, que nos faz ver algo desagradável.

Nos processos de promoção, também os vieses estão presentes. Estudos mostram que os homens são preferidos quando o cargo requer alta capacidade cognitiva, por exemplo. E, por outro lado, as mulheres são mais aceitas quando o cargo requer um nível de cuidado maior com pessoas.

Enfim, grande parte das decisões são tendenciosas, estereotipados e, até preconceituosas. Isso faz com que as decisões nem sempre sejam as melhores.

No entanto, inconscientemente, agimos assim com o instinto de proteção. O nosso cérebro busca os padrões conhecidos,  entendendo que desse modo irá nos proteger e nos afastar do perigo do desconhecido

Devido a importância desse assunto para a vida prática, a Harvard criou um programa de acesso livre on line, que permite que o indivíduo conheça mais sobre o assunto se autoavalie. 

Quando você achar que está no comando, talvez esteja enganado. Kahneman recomenda que é hora de parar, pensar melhor e reconhecer as situações em que os enganos são prováveis e se esforçar para evitar enganos significativos quando há muita coisa em jogo.

Você percebe a ação dos vieses nas suas decisões? Comente aqui!

Rosângela M. Angonese

Coordenadora do Polo de Liderança

Gestão de Pessoas e Liderança

Comunidade Sebrae
Rosangela Maria Angonese
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Mestre em administração. Cursos de liderança na American University e Babson College nos Estados Unidos e OIT na Itália. Especialista em comportamento organizacional pela SBDG, UNAT e Rosa Krauz. Consultora no SEBRAE-PR

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