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Como a Neuroliderança me ajudou (MUITO) quando eu mais precisei – FINAL

Como a Neuroliderança me ajudou (MUITO) quando eu mais precisei – FINAL

Nos artigos anteriores, compartilhei as adversidades que enfrentei no meu primeiro cargo de liderança, e como tempos depois a Neuroliderança me ajudou (MUITO) a enfrentar o meu maior desafio como líder. Se quiser conferir os dois primeiros textos, clique aqui: Parte I e Parte II.

Conforme dito em meu último artigo, estar emocionalmente preparada para os momentos de tensão e pressão foi um divisor de águas na minha vida profissional. Posso inclusive afirmar que foi o ponto-chave para exercer com maior competência a liderança de uma equipe frente a um projeto altamente complexo e desafiador.

E por que, entre outras questões tão relevantes, eu dei ênfase ao fortalecimento emocional?

  1. Porque as neurociências mostram que até 95% das decisões que tomamos ocorrem de forma automática, inconsciente, instintiva e emocional;
  2. Num cenário de instabilidade, incertezas e mudanças constantes, a pressão e os momentos de tensão “estão no pacote”, então, o que nos resta é escolher conscientemente como vamos lidar com isso;
  3. O comportamento e as relações humanas são complexos, e o amadurecimento emocional se torna essencial para a construção de relações construtivas.

Voltando ao período em que eu estudava Neurociências aplicadas à Gestão, antes de assumir aquele meu maior desafio como líder, acessei pela primeira vez o conceito de Agilidade Emocional por meio de uma entrevista e um Ted Talk da professora de Harvard, Susan David. Já na sequência, li o livro Agilidade Emocional e avancei nos estudos sobre o tema, e então pude refletir sobre os momentos de tensão e pressão que o cenário VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo) vinha me proporcionando. Foi aí que vi uma luz no fim do túnel. 

Agilidade Emocional - O que é?
 

Agilidade emocional é a capacidade de tomarmos as melhores decisões, mesmo nos momentos mais desafiadores. É quando, em situações importantes, nós racionalmente não nos permitimos ser dominados pelas nossas emoções e escolhemos: reconhecê-las, compreendê-las e então, de forma estruturada, darmos um retorno consciente à situação, ampliando nosso repertório emocional e ajustando padrões.

A partir desse conceito, junto aos conhecimentos sobre o funcionamento básico do cérebro, passei a prestar atenção nas minhas “reações e decisões padrão” e a monitorar em quais situações eu me sentia dominada pelas minhas emoções. Com isso mapeado, eu poderia então traçar algumas estratégias para enfrentar estas mesmas situações de forma mais consciente, permitindo a construção de um novo padrão de resposta, alinhado com meus valores.

Momentos em que percebi minhas emoções impactando minha performance ou tomada de decisão:

  • Quando chegava minha vez de falar em uma reunião conduzida com muita pressão;
  • Quando precisava assumir, frente ao meu líder ou time, que eu havia tomado uma má decisão;
  • Quando tinha que compartilhar com meu time mudanças de planos impactantes ou metas desafiadoras demais;
  • Quando precisava dar feedback negativo para um colaborador que não recebia críticas nada bem;
  • Quando eu recebia um feedback negativo;
  • Quando eu ou meu time não tínhamos mais a menor condição de assumir um novo projeto, mas eu assumia com medo das consequências de dizer “não”;
  • Quando, apesar de todo meu esforço, as coisas saíam diferentes do planejado;
  • Quando estava me sentindo insegura frente a uma situação e sentia que não podia demonstrar dúvida ou fragilidade.

Enfim, situações delicadas, mas que são muito frequentes na vida de um líder.

Lembrando que nesses momentos, a área cerebral que cuida da nossa AUTOPRESERVAÇÃO entra em ação, e muitas vezes a reação é:

  • Fugir de conversas difíceis, porém essenciais, para ajustar o rumo de uma situação negativa;
  • Reprimir as emoções e tentar “engolir” o choro, o medo, a pressão, a frustração;
  • Assumir uma postura defensiva encontrando justificativas ao invés de assumir os problemas e buscar soluções;
  • Deixar de delegar o trabalho “para garantir que tudo saia perfeito”, se sobrecarregando e inconscientemente passando pra equipe a mensagem “vocês não são bons o suficiente”;
  • Dizer “sim”, mesmo sabendo que você e seu time não têm mais condições de assumir nada novo, garantindo sobrecarga e a frustração de uma entrega fora do padrão de qualidade e prazo;
  • Repetir estratégias que funcionaram em outro contexto, mas ineficazes no atual, esperando resultados positivos;
  • Transbordar a pressão para o time;
  • Não pedir ajuda, mesmo quando necessário.
Quando fortes emoções dominam nossos pensamentos e ações, possuir estratégias de conscientização para tomada de decisão são essenciais, tanto para nossa saúde emocional quanto para a saúde das nossas relações pessoais e profissionais.

 

Ou seja, reprimir sentimentos, ocultar situações delicadas, entrar na defensiva, retirar o trabalho e a autonomia da equipe, repetir estratégias sem pensar e transbordar pressão...são escolhas improdutivas e bastante caras a longo prazo.

Se percebeu em alguma das situações acima? Calma, tem solução. Em breve iniciarei uma série de artigos compartilhando algumas estratégias de construção e fortalecimento da Agilidade Emocional.

Quer iniciar agora mesmo a sua caminhada para a Agilidade Emocional?

Você pode desde já começar a muscular sua autopercepção. Preste atenção nas suas “reações e decisões padrão” em momentos mais delicados, monitore em quais situações você sente suas emoções roubando a cena e interferindo nos teus pensamentos, ações e na tua forma de se comunicar.

Você também pode ler a entrevista e assistir ao TED da professora Susan David sobre Agilidade Emocional, deixei ambos marcados lá em cima pra você 🤩

Espero que algumas das minhas experiências possam te apoiar na tua caminhada.

Um abraço e até o próximo artigo! 😊

Gestão de Pessoas e Liderança

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