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Como a Neuroliderança me ajudou (MUITO) quando eu mais precisei (PARTE I)

Como a Neuroliderança me ajudou (MUITO) quando eu mais precisei (PARTE I)
“Paula, você vai liderar um projeto de altíssima complexidade que afetará 100% da base de clientes. Para este desafio, você terá UM colaborador fixo e o restante da equipe será composto por pessoas de diferentes áreas, que respondem a outros líderes. Então, você vai poder contar apenas com uma pequena porcentagem do tempo deles.
Este projeto PRECISA ser um sucesso, contamos com você!”.

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Vou compartilhar com vocês um pouco da minha experiência no meu primeiro papel como líder, e como tempos depois a Neuroliderança me ajudou (e MUITO) nesse meu maior desafio frente à liderança de um projeto de alta complexidade e risco.

Quando assumi pela primeira vez o papel de líder, passei por várias dificuldades. Eu não entendia bem qual era o meu papel, me afundava na execução de coisas que deveria delegar, trabalhava mais de 12 horas por dia e não sobrava tempo nem energia para olhar para assuntos estratégicos e desenvolvimento efetivo da equipe, tinha mil inseguranças mas sofria calada, afinal, agora eu era uma líder!

Num cenário volátil e instável, as cobranças não paravam de chegar e por muitas vezes eu deixei a pressão transbordar. Então percebi que, apesar de todo meu esforço e dedicação, não havia performance que resistisse à dobradinha: cansaço extremo + insegurança psicológica.

Passado pouco mais de 1 ano após essa experiência, comecei a estudar Neurociências aplicadas à Gestão, e um mundo novo se abriu.

Descobrir a existência de 2 sistemas cerebrais, com um deles respondendo a até 95% das nossas decisões e que essas ocorrem basicamente de forma inconsciente, foi um choque.

Saber que esses 95% visam muito: autopreservação, evitar/prorrogar a dor e buscar prazer imediato, evitar a rejeição e buscar aceitação, e evitar situações negativas que trazem desconforto, medo, tristeza...muita coisa passou a fazer sentido!!!

Sob a ótica da Neuroliderança, algumas coisas se esclareceram em relação às escolhas inconscientes que fiz quando estava em meu primeiro cargo de liderança:

  • A fim de me sentir aceita e evitar conversas difíceis (prorrogar a dor), muitas vezes deixava de dar feedbacks importantes. O que acontecia? O golpe da autossabotagem. Nesse cenário, as situações acabavam se acumulando e quando ocorria o feedback ele vinha carregado, sem preparação, sem o tom certo, sem real espaço pra aprendizado. Ou seja, tudo o que eu estava tentando evitar, era exatamente o que acontecia.
  • Sob alta pressão, eu me esforçava muito e fazia mais do mesmo, repetindo coisas que alguma vez já tinham dado certo, por acreditar que assim teria mais chances de sucesso (autopreservação). Mais uma vez, entrava o golpe da autossabotagem. Esse esforço desmedido acarretava noites mal dormidas ou horas insuficientes de sono, que impactavam diretamente na minha produtividade, capacidade de foco e concentração. Dessa forma, tarefas que eu, “sob condições normais de temperatura e pressão”, levaria 1h pra realizar, acabava levando 2h...3h pra concluir. Quanto a repetir estratégias antigas, o problema é que o momento exigia encontrar novas formas de resolver problemas, mesmo que o inconsciente acreditasse que o melhor era simplesmente minimizar os riscos e fazer o que era conhecido e “garantido”.
  • Assim como eu recebia e absorvia pressão, muitas vezes eu a repassava pra equipe. Porém, quando estamos sob extrema pressão, o cérebro entende isso como uma forte ameaça e tudo o que o corpo busca é uma forma de se proteger. Geralmente isso ocorre a partir de ações improdutivas como: evitar correr riscos, focar no esforço, fugir de conversas difíceis, evitar grandes responsabilidades, buscar culpados externos para resultados ruins, pensar demais e travar a ação, etc.
  • Eu acreditava que meu papel era parecer forte e ter certezas (autoproteção). Então, eu evitava ao máximo demonstrar fragilidades aos liderados, pares e líderes, tomava minhas decisões sem pedir ajuda e avançava aparentemente convicta. Mais uma vez, a autossabotagem. Quanto mais decidida e autossuficiente eu seguia, mais eu me isolava e ficava sujeita à escolhas ruins, e mais vulnerável e cheia de dúvidas eu me sentia.
  • Na correria, eu acabava pedindo pouca informação antes de tomar decisões e entrar em ação, afinal o importante era a velocidade! E novamente, replicando o que acontecia comigo, muitas vezes passei informação insuficiente à equipe. Infelizmente, ambas situações são um prato cheio para mal-entendidos, retrabalho e frustração, apesar do inconsciente acreditar que, se está todo mundo focado na velocidade, não questione: só copie.

Caramba, agora tudo estava claro! Eu percebi que tomei decisões ruins por estar no "modo automático e inconsciente". Ficou nítido que poderia ter optado por caminhos infinitamente mais conscientes, racionais e estratégicos e assim obteria melhores resultados! 

Quando então chegou o grande desafio de liderar um projeto de alta complexidade, que afetaria 100% da base de clientes, com equipe apenas parcialmente dedicada, sem liderados diretos, eu respirei fundo e decidi: está na hora de colocar em prática todo meu aprendizado recente sobre Neurociências aplicadas à Liderança de Pessoas!

Dicas preciosas em breve, no próximo texto 😊

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