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Como liderar na crise

Como liderar na crise

Crises e como essas que estamos vivendo exigem dos líderes e gestores respostas rápidas e coerentes para se adaptar às novas evidências e necessidades inesperadas.

De acordo com Gene Klann, autor do livro Crisis Leadership,  “durante a crise, o objetivo do líder é reduzir as perdas e manter as coisas funcionando tão normal quanto possível. Em especial,  à frente da atual pandemia do COVID 19, situação que está colocando o mundo de pernas para baixo, no nível econômico, social e no âmbito pessoal".

Gene Klann recomenda cinco ações para os líderes:

1.Procurar informações de credibilidade - é responsabilidade do líder obter, disseminar e trabalhar com informações de fontes seguras. Evitar se alimentar de informações somente nas redes sociais e nos jornais da televisão. Desconfie das informações que tenham viés político ou ativista de qualquer natureza. Essas informações podem estar carregadas de julgamentos tendenciosos e ter níveis variados de verdade. O melhor é se conectar aos sites oficiais, como a organização mundial da saúde, ministério da saúde, ou outros centros oficiais de prevenção. Para informações que impactam nos negócios diretamente, como tributação, linhas de crédito, questões trabalhistas, gestão financeira e comercial entre outras, o site do SEBRAE é um lugar confiável para se apoiar. Os sites dos bancos oficiais, como BNDES entre outros, são lugares onde  estão disponibilizadas informações sobre linhas de crédito aos empreendedores.

É mais seguro e barato se apoiar em instituições oficiais como essas para buscar conselhos sobre como se preparar, ou tomar ações para sua empresa ou instituição nesse momento de crise. O SEBRAE está disponível em seus canais digitais para orientações, informações e consultorias.

2. Usar canais apropriados para comunicação -  A transparência é a chave. Recolha informações, analise, cheque a fonte e dissemine para as equipes nos meios usuais de comunicação da empresa ou instituição para que todos se mantenham atualizados. Isso vai reduzir a estresse emocional causado pelo desconhecido, diminuir o medo, indicar direções e demonstrar aos empregados que seus líderes estão atentos, envolvidos, e por dentro da situação por meio de fatos realistas e confiáveis.

Como comunicar? Se não for possível por meio presenciais, utilizar os canais virtuais disponíveis. Podem ser feitas reuniões virtuais com a equipe toda, ou com membros específicos de um time. Porém, cuidado! Não exagere no número de reuniões e não se estenda desnecessariamente. Prepare a reunião, anote os itens que deseja abordar. Se prepare! A eficácia da comunicação está sustentada em  três Rs: revisão, repetição e reforço. Não dá para assumir que todos receberam e entenderam IGUALMENTE.  Repetir e reforçar a informação sistematicamente e por meio de múltiplos métodos ajuda a aprofundar a compreensão e reter o que é importante.

"Lembre-se, quando as informações sobre o que está acontecendo são escassas ou inexistentes, as pessoas voltam a fofocar e a espalhar boatos e também tendem inventar coisas”, diz Klann. "Invariavelmente, o que eles contarão será pior que a realidade, não importa quão ruim seja a realidade."

3. Explicar o que a empresa está fazendo sobre a crise.

Durante uma crise, o tempo é escasso e urgente.  O inicio de uma crise pressiona para uma ação imediata. Algumas vezes é preciso começar a resolver um problema antes que se tenha a total compreensão do que está acontecendo.

Se você estiver no comando. Assuma o comando! Seja proativo, tome a iniciativa. Faça alguma coisa, mesmo que não seja a mais correta. Paralisação por excesso de análise é um risco. À medida que você toma decisões e define ações, comunique-as com honestidade, humildade e confiança.

Por exemplo, decisões sobre cancelamento de viagens, trabalho em casa, definição de prioridades comerciais e orçamentárias, ou até o estímulo na adoção de novos hábitos de higiene devem ser comunicados repetidamente. Lembre-se do três Rs – reavalie, repita e reforce.

Lembre-se, também, de que cada um tem a imagem da parte que lhe compete, dificilmente alguém terá uma imagem completa e precisa do que está acontecendo.

4. Esteja presente, visível e disponível

Durante crises, os líderes devem estar presentes.

Como nem sempre é possível circular pelos corredores da empresa e conversar pessoalmente com as pessoas, informe aos funcionários como eles podem acessá-los com atualizações e perguntas. Particularmente durante uma crise, os funcionários precisam ouvir seus líderes com frequência e de forma sistemática. Quando os líderes se mostram calmos, atentos, informados e responsáveis, os colaboradores se sentem incentivados e têm mais probabilidade de ter confiança de que as coisas estão sob controle e que ficarão bem, diz Klann.

Esclarecer quais são as diretrizes da organização quanto aos níveis de  flexibilidade e autonomia que podem ser adotadas pelas lideranças de áreas específicas durante uma emergência. Quem está no comando é quem está lá. Uma operação inteira não pode ser prejudicada porque a burocracia não considerou um ator importante indisponível quando uma emergência ocorrer.

5. Dedicar recursos organizacionais para o futuro

À medida que qualquer crise passe da fase urgente, a pressão do tempo diminui, assim como a necessidade de decisões em frações de segundo. Nesse ponto, o plano deve evoluir para um sistema mais complexo que analise a recuperação para a volta ao normal - seja qual for a nova situação.

Compartilhe as suas experiências sobre como está liderando na crise, deixe aqui o seu comentário.

Este conteúdo foi adaptado do artigo publicado pelo Center For Creative Leadership . Artigo completo em inglês no link https://bit.ly/2wGPV5n

Comunidade Sebrae
Rosangela Maria Angonese
Rosangela Maria Angonese Seguir

Mestre em administração. Cursos de liderança na American University e Babson College nos Estados Unidos e OIT na Itália. Especialista em comportamento organizacional pela SBDG, UNAT e Rosa Krauz. Consultora no SEBRAE-PR

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