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Um líder é um negociante de esperança

Um líder é um negociante de esperança

Manter o moral e a mobilização da equipe, especialmente em momentos mais adversos e quando tudo parece muito difícil e até perdido, configura um dos grandes desafios e virtudes da liderança.

Grandes líderes se caracterizam pela superação de grandes infortúnios e por alcançarem feitos extraordinários que poucos são capazes de realizar. Em ambos os casos a execução exige romper limites tanto seus como dos liderados, ou seja, enfrentar e vencer o desconforto, a incerteza, vários riscos e o medo entre outras coisas.

Não por acaso o título desse texto é uma citação atribuída a Napoleão Bonaparte.

Segundo Kouses e Posner “Liderança é a arte de mobilizar os outros para que esses queiram lutar por aspirações compartilhadas”. Querer lutar denota manifestação de vontade própria, expressão da pessoa se sentir tanto convencida como patrocinadora, promotora ou defensora de um ideal, uma causa, uma “esperança”. Lutar significa colocar-se em disputa por uma vitória, batalha, combate, ou seja, assumir riscos e dar o melhor de si para uma conquista.

A liderança é um fenômeno abstrato. O momento em que ele mais se aproxima do concreto (de materializar-se) é quando ocorre a conquista e a manutenção da lealdade da equipe, quando os liderados declaram-se comprometidos tanto com a causa como com a liderança. Não há muita clareza sobre o momento que isso ocorre, tão pouco se sabe se isso ocorre de uma forma geral - com todos os integrantes da equipe num mesmo momento - ou se a lealdade vai se estabelecendo pouco a pouco. Fato é que sem a concretização desse fenômeno será pouco provável a liderança se estabelecer.

““Shackleton falou a seus homens, deixando claro que se encarregaria de tudo e que os faria sair daquela crise se ficassem unidos e confiassem nele até o fim.”.

 O Chefe (como Ernest Shacketon era chamado por seus liderados) reuniu o grupo inteiro em torno dele e falou com sinceridade a seus homens. Procurou se expressar com simplicidade, fez uma avaliação realista da situação, explicou as opções e propôs um plano de ação. Depois, agradeceu-lhes por seu esforço e pediu o apoio deles. Enquanto falava, transmitia uma impressão de calma, confiança e força. Anos mais tarde, vários homens lembravam o quanto suas palavras haviam significado para eles naquela ocasião. (...) Os homens juraram-lhe lealdade em silêncio.””.

Essa é uma passagem que ilustra um dos momentos de crise mais aguda numa situação que por si só já era uma crise espetacular, para a maioria das pessoas, insuperável. O livro “Shackleton – Uma lição de Coragem” traz um relato da expedição do navio Endurance à Antártida iniciada em 1914 sob o comando de Sir Ernest Shackleton – leitura recomendada. É um manual de liderança que inspira grandes líderes até hoje. A postura da liderança e a lealdade da equipe foi essencial para o resultado da expedição diante das situações que se apresentaram.

A liderança, então, se caracteriza pelo compromisso de entrega de tempo, energia, competências e vontade dos liderados, bem como da disposição de enfrentamento do medo e da superação de limites pessoais por parte deles. Tudo isso se dá em nome de um propósito e da influência da liderança. Provavelmente o gatilho dessa entrega é a “esperança” de uma conquista ou superação, que se reflete no propósito – nas aspirações compartilhadas.

Onde mais a “esperança” poderia fazer sua residência senão no propósito?

Assim, em nome da “esperança”, líder e liderados, ainda que num pacto silencioso e implícito, unem suas forças, competências e potencialidades na concretização de um objetivo comum, cabendo à liderança manter essa “esperança” no campo de visão de seus liderados, permanentemente.

Isso é importante porque na busca diária pela concretização de um ideal, certo é que momentos difíceis irão surgir e as dificuldades tendem a ser proporcionais à grandeza do desafio enfrentado. É nos momentos adversos como esses que os liderados tendem a duvidar da possibilidade da vitória e até esmorecer.

A liderança precisa se manter atenta e sensível aos sinais emitidos por suas equipes e adiantar-se a quaisquer indícios de dúvidas e de desmobilização para manter a equipe unida e comprometida com o propósito. Isso é uma atribuição permanente da liderança – lembrar e inspirar seus liderados sobre aquilo que os mobiliza, sobre a “esperança”.

Mesmo quando tudo parece perdido, quando as adversidades se agigantam e quando sucumbir parece certo, as grandes lideranças são capazes de requisitar o melhor das capacidades de seus liderados, inspirando-os a lutar, ainda que a derrota pareça certa. O ingrediente essencial para isso? A “esperança”!

Para isso, é preciso ficar evidente para os liderados o quanto a liderança acredita no propósito, na causa, na “esperança”. A liderança precisa tanto declarar como, e principalmente, evidenciar por meio das suas atitudes o quanto essa confiança e aspiração se mantém forte e inabalável.

Não basta ao líder ter claros para si os propósitos pelos quais abraça uma causa e entra em ação. É preciso ainda ser capaz de infundi-los nos liderados, inspirar e dinamizar constantemente suas equipes pela causa e pela “esperança” comum.

Afinal, se a liderança não mantiver a “esperança”, como esperar que os liderados a mantenham?

Gestão de Pessoas e Liderança

Comunidade Sebrae
Adilson Santos
Adilson Santos Seguir

Administrador de empresas, MBA em liderança e gestão de pessoas, consultor empresarial em desenvolvimento territorial, planejamento estratégico e intervenções organizacionais. Palestrante e Facilitador de Aprendizagem.

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